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terça-feira, 10 de março de 2009

Édito de Extermínio dos Judeus (II) - Pérsia

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Ó Deus, não estejas em silêncio! Não cerres os ouvidos nem fiques impassível, ó Deus! Porque eis que teus inimigos se alvoroçam, e os que te aborrecem levantaram a cabeça. Astutamente formam conselho contra o teu povo e conspiram contra os teus protegidos. Disseram: Vinde, e desarraiguemo-los para que não sejam nação, nem haja mais memória do nome de Israel. – Salmos 83:1-4

Édito de Extermínio dos Judeus (II) - Pérsia

Enquadramento Bíblico da Festa do Purim


É decretada a morte para todos os Judeus
Ester foi rainha na corte de Assuero, rei Persa que a História identificou como Xerxes. Na verdade, ela foi a sua segunda rainha. Antes dela, reinou Vasti, mas a sua conduta desagradou profundamente ao rei, pelo que foi afastada (Cap. 1). Ester era judia, e antes de chegar ao palácio, vivia com Mordecai, seu tio. Mordecai "fora transportado de Jerusalém com os cativos que foram levados com Jeconias, rei de Judá, ao qual transportara Nabucodonosor, rei de Babilónia. Este criara a Hadassa (que é Ester, filha do seu tio), porque não tinha pai nem mãe; e era moça bela de aparência e formosa à vista; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mordecai a tomara por sua filha (2:6-7)."
A acção tem lugar, pois, no século V a.C., em Susã, capital administrativa do Império Persa. Por divergências entre Mordecai e Hamã (o homem mais poderoso na corte do rei – 3:1), divergências que se prendiam com a forma como Mordecai não honrava Hamã, este decide vingar-se, não somente na pessoa do seu inimigo, mas de todo o povo judeu:
Ester 3:5 Vendo, pois, Hamã que Mordecai não se inclinava nem se prostrava diante dele, Hamã se encheu de furor. 6 Porém, em seus olhos, teve em pouco o pôr as mãos só sobre Mordecai (porque lhe haviam declarado o povo de Mordecai); Hamã, pois, procurou destruir todos os judeus que havia em todo o reino de Assuero, ao povo de Mordecai.

Nasce, desta forma, um Édito de Extermínio que a Bíblia nos relata como sendo o segundo da História de Israel. Um primeiro Édito tinha sido promulgado pelo Faraó do Êxodo. Falhou nos seus intentos, tal como este iria falhar. Mas, por agora, o veneno produzia o efeito desejado:
Ester 3:8 E Hamã disse ao rei Assuero: Existe espalhado e dividido entre os povos em todas as províncias do teu reino um povo cujas leis são diferentes das leis de todos os povos e que não cumpre as leis do rei; pelo que não convém ao rei deixá-lo ficar. 9 Se bem parecer ao rei, escreva-se que os matem; e eu porei nas mãos dos que fizerem a obra dez mil talentos de prata, para que entrem nos tesouros do rei. 10 Então, tirou o rei o anel da sua mão e o deu a Hamã, filho de Hamedata, agagita, adversário dos judeus. 11 E disse o rei a Hamã: Essa prata te é dada, como também esse povo, para fazeres dele o que bem parecer aos teus olhos. 12 Então, chamaram os escrivães do rei no primeiro mês, no dia treze do mesmo, e conforme tudo quanto Hamã mandou se escreveu aos príncipes do rei, e aos governadores que havia sobre cada província, e aos principais de cada povo; a cada província segundo a sua escritura e a cada povo segundo a sua língua; em nome do rei Assuero se escreveu, e com o anel do rei se selou. 13 E as cartas se enviaram pela mão dos correios a todas as províncias do rei, que destruíssem, matassem, e lançassem a perder a todos os judeus desde o moço até ao velho, crianças e mulheres, em um mesmo dia, a treze do duodécimo mês (que é mês de adar), e que saqueassem o seu despojo. 14 Uma cópia do escrito para que se proclamasse a lei em cada província foi enviada a todos os povos, para que estivessem preparados para aquele dia. 15 Os correios, pois, impelidos pela palavra do rei, saíram, e a lei se proclamou na fortaleza de Susã; e o rei e Hamã se assentaram a beber; porém a cidade de Susã estava confusa.

O Jejum de Ester
No palácio, Ester assistia aos preparativos para o extermínio do seu povo. É o tio quem a sensibiliza a fazer algo pelos judeus. Em resposta, Ester proclama um jejum de três dias, findos os quais "enfrentaria" o rei no seu pedido de misericórdia. Isto é o que hoje em Israel se conhece como "O Jejum de Ester"!

Ester 4:13 Então, disse Mordecai que tornassem a dizer a Ester: Não imagines, em teu ânimo, que escaparás na casa do rei, mais do que todos os outros judeus. 14 Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento doutra parte virá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino? 15 Então, disse Ester que tornassem a dizer a Mordecai: 16 Vai, e ajunta todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas moças também assim jejuaremos; e assim irei ter com o rei, ainda que não é segundo a lei; e, perecendo, pereço.


Ester organiza um banquete restrito a Xerxes e Hamã. Radiante pela honra, Hamã recolhe a casa, sem antes presenciar mais uma vez um Mordecai sem disposição para se lhe prostrar. (Mal) Aconselhado pela mulher, ergue uma forca destinada ao seu arqui-inimigo, decidido a vingar os vexames. Entretanto, no palácio, sem poder dormir, Xerxes mergulha nas crónicas do reino, onde encontra registos da fidelidade de Mordecai ao seu governo. Toma então a decisão de lhe atribuir honras reais, e é o próprio Hamã quem, sob grande humilhação, é escolhido para executar a tarefa.
No palácio, chega a hora do banquete. Ester clarifica perante o rei a conspiração de Hamã, e este é finalmente desmascarado:
Ester 7:3 Então, respondeu a rainha Ester e disse: Se, ó rei, achei graça aos teus olhos, e se bem parecer ao rei, dê-se-me a minha vida como minha petição e o meu povo como meu requerimento. 4 Porque estamos vendidos, eu e o meu povo, para nos destruírem, matarem e lançarem a perder; se ainda por servos e por servas nos vendessem, calar-me-ia, ainda que o opressor não recompensaria a perda do rei. 5 Então, falou o rei Assuero e disse à rainha Ester: Quem é esse? E onde está esse cujo coração o instigou a fazer assim? 6 E disse Ester: O homem, o opressor e o inimigo é este mau Hamã. Então, Hamã se perturbou perante o rei e a rainha.
Autorizados a resistir
A forca que tinha sido preparada para Mordecai, serviu afinal para Hamã. Uma vez que os decretos feitos em nome do rei e selados com o seu anel não podiam ser revogados (8:8), é concedido aos judeus a possibilidade de se defenderem perante todos os que estavam dispostos a exterminá-los:

Ester 8:8 Escrevei, pois, aos judeus, como parecer bem aos vossos olhos e em nome do rei, e selai-o com o anel do rei; porque a escritura que se escreve em nome do rei e se sela com o anel do rei não é para revogar. 9 Então, foram chamados os escrivães do rei, naquele mesmo tempo e no mês terceiro (que é o mês de sivã), aos vinte e três do mesmo, e se escreveu conforme tudo quanto ordenou Mordecai aos judeus, como também aos sátrapas, e aos governadores, e aos maiorais das províncias que se estendem da Índia até à Etiópia, cento e vinte e sete províncias, a cada província segundo a sua escritura e a cada povo conforme a sua língua; como também aos judeus segundo a sua escritura e conforme a sua língua. 10 E se escreveu em nome do rei Assuero, e se selou com o anel do rei; e se enviaram as cartas pela mão de correios a cavalo e que cavalgavam sobre ginetes, que eram das cavalariças do rei. 11 Nelas, o rei concedia aos judeus que havia em cada cidade que se reunissem, e se dispusessem para defenderem as suas vidas, e para destruírem, e matarem, e assolarem a todas as forças do povo e província que com eles apertassem, crianças e mulheres, e que se saqueassem os seus despojos, 12 num mesmo dia, em todas as províncias do rei Assuero, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de adar. 13 E uma cópia da carta, que uma ordem se anunciaria em todas as províncias, foi enviada a todos os povos, para que os judeus estivessem preparados para aquele dia, para se vingarem dos seus inimigos. 14 Os correios, sobre ginetes das cavalariças do rei, apressuradamente saíram, impelidos pela palavra do rei; e foi publicada esta ordem na fortaleza de Susã.

Os intentos de Hamã tiveram o mesmo destino que os de Faraó: o fracasso. Ainda desta vez, Deus não permitiu que o povo judeu fosse totalmente aniquilado:
Ester 9:1 E, no mês duodécimo, que é o mês de adar, no dia treze do mesmo mês em que chegou a palavra do rei e a sua ordem para se executar, no dia em que os inimigos dos judeus esperavam assenhorear-se deles, sucedeu o contrário, porque os judeus foram os que se assenhorearam dos seus aborrecedores.

O Nome de Ester

No capítulo 2, versículo 7, é-nos dito que Hadassa é Ester. Ora, isso não significa que os nomes Hadassa e Ester tenham o mesmo significado, como muitas vezes se ouve. Significa, sim, que eram nomes da mesma pessoa.
Na verdade, um nome é de origem persa, Ester, que significa "uma estrela", e outro de origem hebraica, Hadassa, que significa "murta", um símbolo de vitória. Essia, Essie, Ettie, Estella e Estelle são algumas das variantes.
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Eduardo Fidalgo
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Édito de Extermínio dos Judeus (I) - Egipto

O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; de modo que nada há novo debaixo do sol - Livro de Eclesiastes 1:9

Édito de Extermínio dos Judeus (I) - Egipto

Quando Israel sofreu no Egipto, Abraão era já uma personagem de memória respeitável. Foi com ele que Deus deu início ao sonho de um povo novo, um povo criado sobre o desconforto e coragem das mudanças na vida do patriarca. Foi a Abraão que Deus deu promessas que lhe sugeriam que esse povo seria um dos pratos da balança que havia de equilibrar ou desequilibrar não só aquele território do Crescente Fértil, mas o próprio mundo (Génesis 12:1-3). Foi a Abraão que Deus desvendou um tempo de aflição de cerca de quatrocentos anos (Génesis 15:13-14), prova muito dura para um povo-bebé, com apenas uma mão-cheia de gerações.
A estada no Egipto revela-nos a primeira das acções de extermínio (ou tentativa de extermínio) em que o povo judeu se viu envolvido. Bastantes anos mais tarde, a rainha Ester e seu tio Mordechai estariam no palco de mais uma outra acção desse tipo.
"De modo que nada há novo debaixo do sol." Por isso, nos dias de hoje, os "Adolph Hitler" ou os "Mahmoud Ahmadinejad" são apenas ditadores que nasceram com experiência.

Estes, pois, são os nomes dos filhos de Israel, que entraram no Egipto com Jacó; cada um entrou com sua casa: Rúben, Simeão, Levi e Judá; Issacar, Zebulom e Benjamim; Dã, Naftali, Gade e Aser. Todas as almas, pois, que descenderam de Jacó foram setenta almas; José, porém, estava no Egipto. Sendo, pois, José falecido, e todos os seus irmãos, e toda aquela geração, os filhos de Israel frutificaram, e aumentaram muito, e multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu deles.
Depois, levantou-se um novo rei sobre o Egipto, que não conhecera a José, o qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito e mais poderoso do que nós. Eia, usemos sabiamente para com ele, para que não se multiplique, e aconteça que, vindo guerra, ele também se ajunte com os nossos inimigos, e peleje contra nós, e suba da terra. E os egípcios puseram sobre eles maiorais de tributos, {ou tarefas} para os afligirem com suas cargas. E edificaram a Faraó cidades de tesouros, Pitom e Ramessés. Mas, quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam e tanto mais cresciam; de maneira que se enfadavam por causa dos filhos de Israel. E os egípcios faziam servir os filhos de Israel com dureza; assim, lhes fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro e em tijolos, e com todo o trabalho no campo, com todo o seu serviço, em que os serviam com dureza.
E o rei do Egipto falou às parteiras das hebréias (das quais o nome de uma era Sifrá, e o nome da outra, Puá) e disse: Quando ajudardes no parto as hebréias e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas, se for filha, então, viva. As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egipto lhes dissera; antes, conservavam os meninos com vida. Então, o rei do Egipto chamou as parteiras e disse-lhes: Por que fizestes isto, que guardastes os meninos com vida? E as parteiras disseram a Faraó: É que as mulheres hebréias não são como as egípcias; porque são vivas {ou espertas} e já têm dado à luz os filhos antes que a parteira venha a elas. Portanto, Deus fez bem às parteiras. E o povo se aumentou e se fortaleceu muito. E aconteceu que, como as parteiras temeram a Deus, estabeleceu-lhes casas. Então, ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida.

Coordenação de Eduardo Fidalgo # da Bíblia, versão Almeida Corrigida, in Êxodo – capítulo 1

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Édito de Expulsão dos Judeus (I) de Portugal


Aqueles que ignoram a História estão condenados a repetir os seus erros...

Édito de Expulsão (I) de Portugal (de judeus e mouros)

Portugal, vila de Muge, 5 de Dezembro de 1496. Pressionado pelas exigências dos Reis Católicos no âmbito de uma cláusula do seu próprio casamento com a princesa D. Isabel, filha daqueles reis, D. Manuel I de Portugal promulga o Édito de Expulsão. Neste decreto, D. Manuel, expulsa do território nacional não só os judeus mas também os mouros, dando-lhes um prazo limite para permanecer no país de 10 meses, o mesmo é dizer, até finais de Outubro. No que tocava aos judeus, o rei estava plenamente ciente da importância que aquela comunidade representava, nomeadamente na vertente económica. Dessa forma, a gestão desta matéria caracterizou-se por um conjunto de avanços e recuos, que tão depressa cumpriam os trâmites requeridos para o casamento como observavam o melhor para o reino lusitano. Assim, para os judeus que quisessem receber as águas do Baptismo havia liberdade de permanecer. Os que não o fizessem, ficariam sujeitos à pena de morte e ao confisco dos bens. Mais tarde, medidas que dificultavam a saída dos judeus foram implementadas. Mas Espanha pressionava, e a própria infanta D. Isabel manifestou abertamente ao rei a sua posição, ao declarar: "só entrarei em Portugal, quando estiver limpo de infiéis". Ficava clara, deste modo, não só a intolerância religiosa espanhola, como a permeabilidade do reino português às exigências externas. O texto manuelino era do seguinte teor:

Que Judeus e Mouros se saiam destes Reynos, e nom morem, nem estem nelles.
Porque todo fiel Christão sobre todas as cousas he obriguado fazer aquellas que sam seruiço de Nosso Senhor, acrecentamento de sua Sancta Fee Catholica, e a estas nom soomente deuem pospoer todos os guanhos e perdas deste mundo, mas ainda as próprias vidas, o que os Reys muito mais inteiramente fazer deuem, e sam obriguados, porque per Jesu Christo nosso Senhor sam, e regem, e delle recebem neste mundo maiores merces, que outra algua pessoa, polo qual sendo Nós muito certo, que os Judeus e Mouros obstinados no ódio da Nossa Sancta Fee Catholica de Christo nosso Senhor, que por sua morte nos remio, tem cometido, e continuadamente contra elle cometem grandes males, e blasfémias em estes Nossos Reynos, as quaes nom tam soomente a elles, que sam filhos de maldiçam, em quamto na dureza de seus corações esteuerem, sam causa de mais condenaçam, mas ainda a muitos Christãos fazem apartar da verdadeira carreira que he a Sancta Fee Catholica; por estas, e outras mui grandes e necessarias razões, que Nos a esto mouem,
que a todo Christão sam notorias e manifestas, avida madura deliberaçam com os do Nosso Conselho, e Letrados, Determinamos, e Mandamos, que da pubricaçam desta Nossa Ley, e Determinaçam atá per todo o mez d’Outubro do anno do Nacimento de Nosso Senhor de mil e quatrocentos e nouenta e sete, todos os judeus, e Mouros forros, que em Nossos Reynos ouuer, se saiam fóra delles, sob pena de morte natural, e perder as fazendas, pera quem os acusar. E qualquer pessoa que passado o dito tempo teuer escondido alguu Judeu, ou Mouro forro, per este mesmo.feito Queremos que perca toda sua fazenda, e bens, pera quem o acusar, e Roguamos, e Encomendamos, e Mandamos por nossa bençam, e sob pena de maldiçam aos Reys Nossos Socessores, que nunca em tempo aluu leixem morar , nem estar em estes Nossos Reynos, e Senhorios d’elles, ninhuu Judeu, nem Mouro forro, por ninhua cousa, nem razam que seja, os quaes Judeus, e Mouros Leixaremos hir liuremente com todas suas fazendas, e lhe Mandaremos paguar quaesquer diuidas, que lhe em Nossos Reynos forem deuidas, e assi pera sua hida lhe Daremos todo auiamento, e despacho que comprir. E por quanto todas as rendas, e dereitos das Judarias, e Mourarias Temos dadas, Mandamos aas pessoas que as de Nós tem, que Nos venham requerer sobre ello, porque a Nós Praz de lhe mandar dar outro tanto, quanto as ditas Judarias, e Mourarias rendem.
Coordenação de Eduardo Fidalgo

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Declaração de Independência do Estado de Israel




A História ainda fala !!!

Declaração de Independência do Estado de Israel

14 de Maio. Quinto dia do mês de Iyar, ano de 5708. Telaviv. Horas antes do final do Mandato Britânico sobre a Palestina, no n.º 6 da Avenida Rothschild, que antes pertencera ao Presidente da Câmara de Telaviv – a casa de Dizengoff – , (agora um Museu), David ben Gurion proclama a Independência do Estado de Israel. Sendo uma sexta-feira, a cerimónia começou às 16,00 horas, a fim de terminar antes do pôr do sol, para o devido cumprimento do Shabbat judaico. Após 2000 anos de exílio o povo Judeu podia voltar a existir como nação independente. À hora prevista, David Ben Gurion ergue-se. Espontaneamente, canta-se a Hatikvah (O Hino Nacional hebraico).

"O país de Israel é o local onde o povo judaico nasceu. Foi ali que o seu carácter espiritual, religioso e nacional se formou. Foi ali que adquiriu a sua independência e que criou, ao mesmo tempo, uma civilização de importância nacional e universal. Foi ali também que escreveu o Livro dos Livros para o oferecer ao mundo. O povo judeu, exilado da Terra Santa, permaneceu-lhe fiel em todos os locais por onde se dispersou, orando sem cessar para que o regresso fosse possível e esperando sempre voltar a restaurar a sua liberdade nacional. Os judeus também se esforçaram através dos séculos para regressar ao país dos antepassados e ali reconstituírem a sua nação, dirigindo-se em massa, nestes últimos decénios, para este país. Desbravaram o deserto, fizeram renascer a sua língua, construíram cidades e aldeias e fundaram uma forte comunidade que se expande continuamente, possuindo uma vida cultural e económica própria. O povo judeu procurava a paz, mas estava preparado para se defender e trouxe as riquezas do progresso a todos os habitantes.

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A catástrofe nazi, que aniquilou milhões de judeus na Europa, demonstrou novamente a urgência que havia no estabelecimento da nação judaica, a única medida capaz de resolver o problema do judaísmo apátrida, abrindo as portas a todos os judeus e conferindo-lhes a igualdade no seio da família das nações. Os sobreviventes da catástrofe europeia, bem como os judeus dos outros países, reivindicaram o direito a uma vida de dignidade, de liberdade e de trabalho e, sem se deixarem assustar nem pelos riscos nem pelos obstáculos, procuraram incansavelmente penetrar na Palestina. O povo judeu da Palestina contribuiu, no decorrer da Segunda Guerra Mundial, na luta das nações desejosas de liberdade contra o flagelo nazi. O sacrifício destes soldados e os esforços dos trabalhadores qualificaram este povo para tomar lugar entre os povos que fundaram as Nações Unidas.

Em virtude do direito natural e histórico do povo judaico, proclamamos a fundação do estado judeu na Terra Santa. Este estado terá o nome de Israel. O Estado de Israel ficará aberto à imigração dos judeus de todos os países onde se encontram dispersos. O país será desenvolvido em benefício de todos os habitantes e será fundado nos princípios da liberdade, da justiça e da paz, tal como foi concebido pelos profetas de Israel. Respeitará a mais completa igualdade social e política de todos os cidadãos, sem distinção de religião, de raça ou de seita. Garantirá a liberdade de religião, de consciência, de educação e de cultura. Protegerá os lugares santos de todas as crenças e aplicará lealmente os princípios da Carta das Nações Unidas.

Adjuramos as Nações Unidas para ajudar o povo judeu a construir o seu estado e admitir Israel no seio da família das nações. Convidamos os habitantes árabes do Estado de Israel a preservar os caminhos da paz e a desempenharem um papel no desenvolvimento do estado, na base de uma cidadania igual e completa, bem como de uma representação justa nas instituições, quer estas sejam provisórias ou permanentes. estendemos a mão, num desejo de paz e boa vizinhança, a todos os estados que nos rodeiam e convidamo-los a cooperar com a nação judaica independente para o bem comum de todos. O Estado de Israel está pronto a contribuir para o progresso do Médio Oriente.

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Confiantes no Todo-Poderoso, então, assinamos esta declaração no solo da pátria, nesta cidade de Telavive e nesta sessão da assembleia provisória que tem lugar na véspera do Shabbat, no dia 5 de Iyar de 5708, ou seja, 14 de Maio de 1948. Levantêmo-nos para adoptar a Carta Constitucional que cria o Estado Judaico."

A assistência ergueu-se. Um rabino recitou com a voz trémula de emoção uma oração implorando a bênção de "Aquele que nos ajudou até agora". Os membros do Conselho Nacional assinaram, então, um por um, o pergaminho. Os acordes da Hatikvah ecoaram novamente pela sala, sob um silêncio profundo da assistência. Eram 16 horas e 37 minutos. Ben Gurion bateu mais uma vez sobre a mesa e declarou:

"Nasceu o Estado de Israel. A sessão terminou."

Coordenação de Eduardo Fidalgo