terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A última Aliyah – I Parte

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O termo diáspora (dispersão) define o deslocamento, normalmente forçado ou incentivado, de grandes massas populacionais originárias de uma zona determinada para várias áreas de acolhimento distintas. O termo "diáspora" é usado com muita frequência para fazer referência à dispersão do povo hebreu no mundo antigo, a partir do exílio na Babilónia no século VI a.C. e, especialmente, depois da destruição de Jerusalém em 135 d.C.
Pogrom (do russo погром) é um ataque violento maciço a pessoas, com a destruição simultânea do seu ambiente (casas, negócios, centros religiosos). Historicamente, o termo tem sido usado para denominar actos em massa de violência, espontânea ou premeditada, contra judeus, protestantes, eslavos e outras minorias étnicas da Europa, porém é aplicável a outros casos, a envolver países e povos do mundo inteiro.
 Aliá ou Aliyah (ascensão ou elevação espiritual) é o termo que designa a imigração judaica para a Terra de Israel, que, até 1948, correspondia ao território do Mandato Britânico da Palestina, e a partir de 1948, para o Estado de Israel.
In wikipedia    
 
Sai-te da tua terra
São-nos mais que familiares as palavras com que Deus desassossegou Abraão há cerca de quatro mil anos, e que deram início à epopeia que acabou por tomar uma dimensão global. A saga hebraica começou em Ur da Caldeia, apenas com Sarai e aquele que ainda era chamado de Abrão – o que viria a ser conhecido e reconhecido como “o amigo de Deus” (Tiago 2:23). Após ele, a História acolheu as doze tribos, – o “povo de Deus”, – e, finalmente, culminou com a Pessoa de Jesus – o “Filho de Deus”. Na verdade, ao receber a mensagem, o Patriarca não pôde, de forma alguma, entender o peso e a amplitude das coisas que lhe estavam a ser entregues: muito mais do que apenas uma ordem para que mudasse de lugar, e de promessas que engrandeceriam a sua memória a médio e longo prazo, as palavras de Deus eram – e entendemo-lo agora mais claramente – subversoras da dimensão material e temporal. Elas tinham por missão rasgar o tempo, e tocar em épocas e em pessoas que viveriam num futuro ainda muito distante: no Messias, em Israel, e na Igreja, abraçando um período que começava naquele exacto momento e se estenderia até ao final dos tempos.
Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Génesis 12:1-3).

Abrão obedeceu à visão, e saiu de Ur. Afinal, a terra que Deus lhe queria mostrar, era a mesma que hoje conhecemos como Terra Santa, Eretz Israel, ou simplesmente, a terra de Israel. Abrão foi o primeiro a fazer Aliyah, quem, pela primeira vez subiu à “terra que mana leite e mel” (Josué 5:6). Com o nascimento de Isaac (e não de Ismael), Abrão tornou-se Abraão, e a sua descendência multiplica-se de forma vertiginosa, dando jus ao novo nome. É então que Deus separa essa descendência (Levítico 20:24b) para viver com Ele páginas inéditas, e que haviam de culminar na vinda de Emanuel – Deus connosco. Muitos foram então os objectivos cumpridos. Muitos outros, porém, nunca foram atingidos. A relação entre Deus e este povo foi sempre caracterizada por alguma turbulência, e até mesmo muitas das oportunidades que resultaram da vinda de Jesus ao mundo, Aquele que haveria de o revolucionar, passaram despercebidas e foram em grande parte desaproveitadas.


Nasce a Diáspora
É sabido que após Josué ter estabelecido os israelitas na terra de Israel, estes vieram a conhecer épocas de glória e de desgraça. Alternaram-se tempos apoteóticos com tempos de desespero. E esse desespero esteve presente porque o povo escolheu viver longe dos objectivos traçados por Deus, e que tinham sido enunciados de modo muito claro. Nas planícies de Moabe, por exemplo, eles foram totalmente recapitulados por um Moisés estoicamente no limite da sua missão e perante um povo atento, mas impaciente por triunfar na terra recém-herdada. Por essa altura, e no tocante aos resultados, apenas o tempo o poderia dizer. E, quando finalmente o tempo falou, veio a constatar-se que idolatria, rebelião e iniquidade foram algumas das falhas a que Israel não conseguiu resistir, e nas quais caiu sem glória nem honra. Foram elas que levaram a que, anos mais tarde, o Reino das Dez Tribos soçobrasse perante a Assíria, e, do mesmo modo, o Reino de Judá fosse atirado para o exílio na Babilónia. Afinal, Deus não deixou passar em falso…
E as nações saberão que os da casa de Israel, por causa da sua iniquidade, foram levados em cativeiro, porque se rebelaram contra mim, e eu escondi deles a minha face e os entreguei nas mãos de seus adversários, e todos caíram à espada. Conforme a sua imundície e conforme as suas prevaricações, usei com eles e escondi deles a minha face. (Ezequiel 39:23-24)

Durante sete décadas, Judá experimenta o exílio forçado em terras da Babilónia. Lá longe, a Pátria está mergulhada em ruínas, o Templo já não existe, e o orgulho nacional sucumbiu – tudo leva a crer que Deus lhes virou as costas. Porém, após esses setenta anos, Ciro, o rei persa que o próprio Deus separou, põe termo à afronta e oferece-lhes a liberdade. A liberdade concebe, e dá à luz dois filhos, dois irmãos: um chama-se Regresso, o outro chama-se Diáspora. Têm corações judaicos, pensam e sentem Sião da mesma forma, mas têm propósitos diferentes, o que os faz caminhar em sentidos opostos. O Regresso, viaja com cerca de quarenta e dois mil irmãos (Esdras 2:64), e ruma à terra de origem, onde, em Jerusalém, o Templo caído aguarda pela restauração, muito à custa do empenho de corações transformados pelo arrependimento e saudade. A Diáspora, por sua vez, ruma com grandes multidões em direcção aos quatro cantos do mundo. A possibilidade de, finalmente, poder fugir ao infortúnio e ser senhora do seu futuro, a ânsia de viver em segurança, os sonhos legítimos de viver livre e o desejo de um recomeço pleno de dignidade, contribuíram para que não seguisse o caminho do seu irmão, o Regresso. A Diáspora irá contagiar gerações, e vai viajar através dos séculos. Chegará a ter números consideráveis, aumentados por causa da destruição do segundo templo (70 AD) e mais ainda com a abominação de Adriano (135 AD). Depois disso, e por muito tempo ainda, a face escondida de um Deus irado haveria de continuar a fazer estragos.
Os anseios da Diáspora, porém, nunca foram completamente concretizados. Nunca encontrou a segurança e a liberdade que tanto procurou, porque elas lhes fugiram sempre como água por entre os dedos da mão. Na verdade, a Diáspora poucas vezes foi verdadeiramente feliz. Muito pelo contrário, ao longo dos tempos, foi a violência, tanto física, como psicológica, como espiritual, quem veio ao seu encontro, criando situações que, de tão extremas e dramáticas, quase que transformaram a memória do Exílio Babilónico numa tribulação suportável. Também a rejeição e a incompreensão marcam presença na vida da Diáspora. É o início das marcas distintivas especiais, do uso obrigatório de determinadas roupas e cores, das relações sociais condicionadas e das profissões proibidas, das taxas e dos impostos desumanos – tudo e apenas por serem judeus. Confinados a ghettos com horas marcadas para entrar e sair deles, foram proibidos de exercer o culto de Moisés, e obrigados a vergar-se perante ídolos odiosos ou forçados a experimentar a água benta do baptismo cristão para se tornarem, também eles, “cristãos”. Foram banidos e desprezados por toda a gente, acusados de causar a Peste Negra e outras epidemias, de praticar infanticídio e de atraírem desgraças, como as secas e as tempestades. Morreram aos milhares em Pogroms, às mãos da Inquisição e no Holocausto, estes apenas exemplos das maiores tribulações que a Diáspora de Israel experimentou. Infelizmente, há muito que Deus as tinha percebido no horizonte de Sião:
E o SENHOR vos espalhará entre todos os povos, desde uma extremidade da terra até à outra extremidade da terra; e ali servirás a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus pais; servirás à madeira e à pedra. E nem ainda entre as mesmas nações descansarás, nem a planta de teu pé terá repouso; porquanto o SENHOR ali te dará coração tremente, e desfalecimento dos olhos, e desmaio da alma. E a tua vida como suspensa estará diante de ti; e estremecerás de noite e de dia e não crerás na tua própria vida. Pela manhã, dirás: Ah! Quem me dera ver a noite! E à tarde dirás: Ah! Quem me dera ver a manhã! Isso pelo pasmo de teu coração, com que pasmarás, e pelo que verás com os teus olhos. E o SENHOR te fará voltar ao Egipto em navios, pelo caminho de que te tenho dito: Nunca jamais o verás; e ali sereis vendidos por servos e por servas aos vossos inimigos; mas não haverá quem vos compre. (Deuteronómio 28:64-68).


Restauração plena
Filhos de um Deus que norteia os caminhos do homem e deseja fazer parte deles, os judeus acabaram por ser vítimas de escolhas pessoais e de projectos dos quais Ele foi deliberadamente afastado. Mas Deus nunca permite que os Seus planos desagúem na esfera amarga do castigo sem ter dado ao homem uma segunda oportunidade de se redimir. Por isso, a restauração plena do Seu povo esteve desde sempre nos Seus planos, e, no tempo certo – já nos dias em que vivemos – eles estão a sair à luz.
Os passos em direcção à restauração plena de Israel são bem definidos. Significam, na visão de Ezequiel (capítulo 37), a metamorfose que Deus lhe mostrou, em que um vale de ossos secos se transformou num vale de homens cheios de vida e Espírito de Deus. Significam a metamorfose de um povo em direcção à sua maturidade plena, tanto física como espiritual, tanto individual como colectiva. Três coisas faltam a esses ossos para que se tornem almas viventes: tendões, carne e espírito (Ezequiel 37:6). E essa é a tarefa que só Deus pode operar, e já está a operar. O renascimento de Israel como nação é um indicador fundamental. Da mesma forma fundamental e decisivo é a reconciliação que a Diáspora está a fazer com Eretz Israel. Daí que, muito em breve, a Diáspora deixará de existir – e Retorno – o nome do seu irmão, será o seu próprio nome também. Por fim, virá o tempo em que o povo judeu irá finalmente, e de uma vez por todas, reconhecer Jesus como o seu Messias. Por isso, as palavras de Deus a Ezequiel vão ecoando no tempo:
Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel; (Ezequiel 37: 11a).

Há ainda muito caminho para trilhar. Como tal, desengane-se quem pensa que as palavras da chamada de Deus a Abraão se esgotaram nele e nos seus descendentes mais chegados. Nos dias exactos em que vivemos, elas fazem-se ouvir novamente, mais válidas que nunca: “Sai-te da tua terra …” Passados todos estes anos, tornam a fazer sentido, e não apenas na Mesopotâmia, como outrora, mas por todo o mundo onde quer que haja um descendente do Patriarca Abraão – um judeu. É a última Aliyah, tema que iremos abordar a seguir.

Eduardo Fidalgo
A seguir, na continuação deste artigo: A última Aliyah é Hoje!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Decreto de Revogação do Édito de Expulsão dos Judeus



Perfazem-se HOJE precisamente 190 anos sobre a Revogação do Édito de D. Manuel, que expulsou os judeus de Portugal,
dando-lhes apenas um prazo de dez meses para concretizarem essa saída. O documento que anulou essas disposições reais foi aprovado cerca de 325 anos depois, nas Cortes Geraes e Extraordinarias da Nação Portugueza, a 17 de Fevereiro de 1821.
Pressionado por um casamento com a filha dos Reis Católicos que, para acontecer, o obrigava a “limpar” Portugal de sangue judaico, D. Manuel ficou numa posição em que, apenas com recurso a artifícios políticos pôde continuar a acalentar a esperança de ocupar o trono ibérico, sem perder, no entanto, os benefícios de uma comunidade que lhe era fundamental para o progresso do reino. Na verdade, os judeus representavam uma mão-de-obra especializada e indispensável. Para além disso, a nível intelectual e científico, eram o que de mais sofisticado havia no país, para além de uma capacidade económica invejável, que fazia deles os grandes prestamistas do trono da nação. Eram os judeus quem dispunha do dinheiro necessário para as guerras, para a paz, para os luxos, etc. Na verdade, era esse poder económico que os fazia úteis e mantinha vivos.
Daí que na prática, a expulsão foi uma farsa. No entanto, para pôr de pé essa farsa, D. Manuel deitou mão a estratagemas cruéis que violentaram os corpos e as consciências da comunidade judaica. Como exemplos das arbitrariedades a que os judeus estiveram sujeitos nessa altura, podemos apontar as conversões forçadas ao Cristianismo (cuja face visível foi o baptismo e a mudança de nome), espoliação dos filhos e filhas menores de 14 anos, confisco dos bens, a mentira que mantinha a ilusão acerca dos portos de embarque e dos navios que nunca existiram, a proibição do culto judaico, o encerramento das sinagogas e o uso das instalações para outras actividades (muitas vezes igrejas cristãs, ou apenas para armazéns), etc.
Foi assim até ao dia 17 de Fevereiro de 1821. O Decreto então aprovado, alterou o estado de coisas que durante mais de três séculos foi norma. Foram devolvidos à comunidade judaica os “direitos, as faculdades e as liberdades”. As famílias foram convidadas a voltar. E muitos o fariam.
Mas não é possível nem desejável ler este Decreto de Revogação apenas como uma deliberação política, porque a política crua tem facetas sem consciência. Se o fizermos, será manifestamente insuficiente e imoral. E ainda que não conste do texto, ele deve ser lido e sentido como um pedido de “PERDÃO!”. Desta vez, dito em português.
Eduardo Fidalgo    
 DIÁRIO DAS CORTES GERAES E EXTRAORDINARIAS DA NAÇÃO PORTUGUEZA.

NUM. 17

SESSÃO DO DIA 17 DE FEVEREIRO DE 1821

(O documento foi reproduzido com a grafia da época)
PROJECTO DE DECRETO.
As Cortes Geraes, e Extraordinarias da Nação Portugueza, bem informadas, e capacitadas dos gravissimos damnos, e prejuisos que resultárão a este Reino da iniqua expulsão dos Judeos, decretada pelo Senhor D. Manoel em Dezembro de 1496, e executada no principio da Quaresma no anno de 1497 com a barbaridade de se lhes arrancarem do patrio poder seus filhos, e filhas menores de 14 annos, para se criarem, e educarem como orphãos, repartidos pelas villas, e lugares do Reyno; faltando-se-lhes á promessa de os levarem, e suas mulheres, e seus bens; adiantando-se a barbara execução muito antes do dia assignado em segredo para lhos extorquiram; determinando-se-lhes sómente o porto de Lisboa para o embarque; tendo-se-lhes promettido tres portos no Reyno; não lhes mandando dar embarcações, que se lhes assegurarão, para lhes passar o praso, e ficarem captivos; alem de outras mais crueldades, que constão da Chronica: Decretão o seguinte.
1. Ficão da data deste em diante renovados, confirmados, e postos em todo o seu vigor todos os direitos, faculdades, liberdades, e privilegios, que os primeiros Reys deste Reino concedêrão aos Judeos foragidos, e que constão dos Artigos 65, e 66 Ord. Affons., L.º 2.º n.° 7.
2. Da mesma, sorte, e em toda a sua extensão ficão renovados, e postos em vigor os que de novo lhes concedeo o senhor D. João I.°, quando confirmou os anteriores em 17 de Julho de 1392, e todos os outros, com que os honrou em 1422.
3. Podem em consequencia regressar para Portugal, sem o menor receio, antes sim com toda a segurança, não só os descendentes das familias expulsas, mas todos os Judeos que habitão em qualquer parte do globo terão neste Reino as mesmas contemplações, se para elle quizerem vir.
4. Esta mesma legislação comprehenderá os Mouros descendentes das familias que, com tanto descredito de nossos Mayores, forão igualmente expulsos deste Reyno na mesma desgraçada épocha; estendendo-se por a dicta maneira a todos os que quizerem vir estabelecer-se em Portugal, e Algarves.
A Regencia do Reyno, etc.

… / …

Levantou o senhor Presidente a Sessão pela huma hora da tarde. - João Baptista Felgueiras, Secretario.
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

ISRAEL – Será o Princípio do Fim?


O País dos Faraós
Os acontecimentos recentes no Egipto são “A notícia” do dia. A revolta transformou-se, tudo leva a crer, numa revolução. Revolução que avança muito lentamente, mas mesmo assim, uma revolução. Neste país de oitenta milhões de habitantes, com uma História riquíssima, uma das nações mais antigas do mundo, tudo concorre para que, mais uma vez, haja uma mudança de regime, e se venham a produzir alterações profundas na governação. A mudança já é um dado adquirido. Persiste, no entanto, a incógnita de como ela se fará. E, se é correcto assumir que em qualquer lugar do mundo as alterações ao tipo de governação são importantes, nesta parte do mundo elas são ainda mais importantes.
A expectativa acerca das consequências que estes acontecimentos trarão ao Egipto e à região é muita. O Médio Oriente é um barril de pólvora, um vulcão sempre pronto a entrar em erupção. Por isso, neste caso específico, teme-se que a lava desse vulcão de revolta venha cair sobre o vizinho território de Israel em forma de chuvas de violência. Se isso acontecer, como entender o equilíbrio de forças na região?
Teme-se que o Egipto possa alinhar-se pelo radicalismo islâmico. A dita “indispensável” “Irmandade Muçulmana”, uma organização quase centenária, está de olho no poder, ela que já produziu tanto líderes tolerantes como terroristas, deixando em aberto aquilo que poderá acontecer aqui. No entanto, já não é bom sinal quando alguns dos seus quadros vieram a terreiro para reiterar oposição a Israel e aos judeus, desviando a atenção do verdadeiro problema.

Aproveitando a deixa, o Irão vai pondo achas na fogueira, e Ali Khamenei (o líder espiritual) tenta manipular as massas quando, num discurso para dentro e para fora, anima todos os que procuram um pretexto para a guerra com Israel: “O povo egípcio sente-se humilhado, pois o actual sistema político do Egipto apoia Israel. Sentem-se ultrajados. É essa a força motriz da sua revolta.” Afinal, estávamos todos enganados. A revolta não é por causa daquilo que se pensava ser: contra a corrupção, o clientelismo, a pobreza, a autocracia, ou a eternização no poder dos “Mubarak”. Não – diz ele – a revolta é por causa do tratado de paz que o Egipto tem com Israel.
Teme-se que a Jordânia seja mais uma nação a ser queimada pelo fogo da revolta popular, da mesma forma que a Tunísia, Argélia, Líbia, Iémen, Sudão, Marrocos e a Síria. Em jogada de antecipação, o rei Abdullah II nomeou um novo primeiro-ministro, que escolheu de imediato um governo novo. Todas estas acções são uma prova de que o fogo que lavra no país do Nilo é levado muito a sério por povos que padecem de males semelhantes, mas que estavam entretidos pelos seus líderes em manobras de diversão.
Teme-se que o Hezbollah, no Líbano… Teme-se que na Síria…, teme-se que o Irão…, teme-se… teme-se… teme-se…

ISRAEL – Será o Princípio do Fim?
Quem está em Israel, e olha para este cenário, em que as ameaças parecem vir de toda a parte, faz a pergunta inevitável – porque o aperto é grande, – e depois dá a resposta inevitável, – porque não existe outra:
Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro?
O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra. (Salmos 121:1-2).
Um diálogo de poucas palavras expressa, numa história igualmente muito antiga, a mesma conclusão:
Frederico, o Grande: – Pode citar-me uma só prova da existência de Deus que não tenha sido desmentida?
Jean Baptiste du Boyer, Marquês de Argens: – Sim, Majestade: os Judeus!
Israel tem o direito de se defender. Para isso usa todos os meios ao seu alcance. Mas esse acto de defesa – visível e natural – está dependente nos seus efeitos de um outro – invisível e sobrenatural – que vem de Deus. Os judeus sabem que devem única e exclusivamente a sua sobrevivência a ELE, sentimento subjectivo que pode ser confirmado objectivamente à luz da História Universal, ou seja, à luz de factos históricos. Israel detém o maior e melhor curriculum vitae mundial de um povo que tem sobrevivido à violência continuada sobre si mesmo. Na verdade, do alto dos seus quatro mil anos de vida, o judeu aprendeu a viver na fronteira que paira entre a vida e a morte. Tem uma experiência enorme de relações humanas, que se traduz em ser odiado, indesejado, invejado, maltratado, acusado, ridicularizado e humilhado, e às vezes… morto. Como povo, porém, não cede. Ou ele, ou Alguém por ele.
Tão distante como há cerca de três mil anos atrás, Asafe, um compositor contemporâneo do rei David, referindo-se às (mesmas) intenções dos inimigos de Israel, apelou para o favor de Deus. E a certa altura, escreveu algo que soava assim:
Ó Deus, não te cales; não te emudeças, nem fiques inactivo, ó Deus! Os teus inimigos se alvoroçam, e os que te odeiam levantam a cabeça. Tramam astutamente contra o teu povo e conspiram contra os teus protegidos. Dizem: Vinde, risquemo-los de entre as nações; e não haja mais memória do nome de Israel. (Salmos 83:1-4).

Se atendermos à antiguidade do texto, percebe-se, então, que viver na contingência de ser riscado do mapa é um déjà vu para o judeu. Afinal de contas, o grito de ódio “vamos varrer os judeus para o mar”, não é uma invenção do senhor Mahmoud Ahmadinejad. Tem milhares de anos!!! E, para o judeu, esse déjà vu não será apenas na intenção (que é antiquíssima), mas também no desfecho. E o desfecho, como povo, tem-lhe sido sempre favorável, mesmo quando levado a situações extremas. A ele, ou a Alguém por ele.

Por amor a Israel
Mas se Jean Baptiste du Boyer, o Marquês de Argens estava certo, então Deus é muito capaz de estar por detrás deste “sucesso”. Sendo assim, é natural querermos saber o que tem a dizer a Bíblia acerca da posição de Deus sobre a segurança deste povo, e desta nação, hoje e no futuro, uma vez que o passado está vencido. Vejamos apenas duas de muitas passagens sobre o assunto:
Porque eu sou contigo, diz o SENHOR, para te salvar, porquanto darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei; a ti, porém, não darei fim, mas castigar-te-ei com medida e, de todo, não te terei por inocente. (Jeremias 30:11).
Deus promete um fim irremediável às nações que oprimiram Israel. Mas mais do que isso, afirma que a nação de Israel nunca terá fim. Ou seja, atribui a Israel uma estimativa de longevidade maior que às outras nações.
Assim diz o SENHOR, que dá o sol para luz do dia e as ordenanças da lua e das estrelas para luz da noite, que fende o mar e faz bramir as suas ondas; SENHOR dos Exércitos é o seu nome. Se se desviarem estas ordenanças de diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a semente de Israel de ser uma nação diante de mim, para sempre. Assim disse o SENHOR: Se puderem ser medidos os céus para cima, e sondados os fundamentos da terra para baixo, também eu rejeitarei toda a semente de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o SENHOR. (Jeremias 31:35-37).
Nesta passagem, Deus afirma categoricamente que “enquanto durarem as leis da natureza, Israel será sempre uma nação.” (NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje). Ou seja, Israel só deixaria de ser nação, se Deus deixasse de controlar o Sol, a Lua, as estrelas, o mar, etc. Ou seja, nunca! Enquanto o planeta Terra existir, Deus terá controlo sobre os elementos, e Israel nunca irá ser varrido para o mar. Ponto assente!
Na Bíblia, porém, Deus não Se refere somente às tentativas de aniquilação de Israel. Elas são somente o machado que corta. Deus fala também para os mandantes, os executantes, e para os cúmplices silenciosos que desejam ver os judeus erradicados da face da terra:
Porquanto eis que, naqueles dias e naquele tempo, em que removerei o cativeiro de Judá e de Jerusalém, congregarei todas as nações e as farei descer ao vale de Josafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo e da minha herança, Israel, a quem eles espalharam entre as nações, repartindo a minha terra. (Joel 3:1-2).
O mundo terá de dar respostas acerca do seu envolvimento na violência contra Israel. E que mundo é esse de que estamos a falar? O mundo, > os povos > as nações, > as famílias, > cada indivíduo !!! Deus ocupará a sua posição em defesa de Israel.

A menina do Seu olho
Correndo conscientemente o risco (é uma certeza!) de ser considerado “impopular”, “profeta da desgraça”, “apocalíptico”, “politicamente incorrecto” e “intolerante”, mesmo assim, oferece-me dizer o seguinte, acerca do que se tem vindo a explanar:
Nos tempos finais – tempos que eu acredito que já estamos a viver – virá um dia em que Deus vai requerer de cada um daqueles que protagonizou qualquer tipo de injustiça para com os judeus e para com Israel, as razões da sua prática. A Bíblia diz que Deus entrará em juízo com eles (palavras Suas), sejam quem for, assim como com os seus representantes e simpatizantes, e com todos aqueles que tiveram por missão “aniquilar” ou a tentativa de aniquilar o povo de Israel – de qualquer forma – física, moral ou espiritual. Tenha sido essa “aniquilação” ou a sua tentativa – por palavras ou por actos – sido produzida do púlpito da igreja evangélica ou no bunker de uma célula terrorista, num grupo bíblico familiar ou num congresso internacional, numa pequena comunidade serrana ou no Vaticano, vinda da boca ou da pena de um evangélico ou da de um católico, cristão ou muçulmano, operada por um governo ou por um partido político, de um governante ou de um governado…, todo – TODO – o que tiver maltratado o judeu e Israel, terá da parte de Deus (A Bíblia afirma-o!) uma reacção justa pelos seus actos.
E nessa altura, ninguém se poderá colocar hipócrita e cobardemente à sombra de programas políticos, nem de “Teologias da Substituição”, nem do entendimento oficial da denominação, nem das orientações do pastor, nem do bispo, nem do apóstolo, nem do Papa, nem de qualquer tipo de sabedoria, seja ela de quem for ou de que tipo for. Será então a hora para os “mestres iluminados”, que arrastam multidões, suportados virtualmente pela força ilusória de amplas audiências, serem confrontados com os ensinos anti-semitas que produziram, e com que envenenaram congregações crédulas, ingénuas e com falta de preparação, que foram, afinal, o seu terreno fértil. Todo o tipo de ensino que durante séculos a fio atribuiu a Deus (de forma indevida) o abandono total de Israel, será então questionado por Ele, da mesma forma que serão questionadas as razões para ter sido ministrado em Seu Nome. Todo o ensino que tentou provar a inutilidade em o judeu buscar a vida eterna, hipoteticamente impossibilitada por causa de um “deicídio” inventado e contra as Escrituras, será finalmente destruído e colocado onde pertence – ao nível de ideia absurda e demoníaca, própria da idade das trevas.
Acredito que esse dia virá! Desengane-se, porém, quem pensar que será um dia de vitória. Não será um dia de vitória para ninguém. Nem para os que estiveram com Israel, nem para os que, em nome de Deus tentaram declarar o seu extermínio. Será um dia em que a verdade vai doer. É importante, pois, que nos certifiquemos – HOJE – de que lado da barricada é que nós estamos. No que toca a Israel, os caminhos em que Deus Se move e os princípios por que Ele se rege, são muito claros. Senão, o que é que é confuso ou incompreensível nesta declaração divina?:
Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos: Depois da glória, ele me enviou às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em vós (em Israel) toca na menina do seu olho. (Zacarias 2:8).

Eduardo Fidalgo     

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Rosh Codesh - A Festa da Lua Nova

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O dia 6 de Janeiro de 2011 do calendário Gregoriano, corresponde, no calendário hebraico, ao dia 1 do mês de Shevat do ano 5771. É, pois, o primeiro dia de um mês, um dia que era muito especial nos tempos bíblicos, como adiante se explica.

O significado
Quantas vezes, ao lermos a Bíblia não tropeçámos já em expressões ou termos que não compreendemos? E quantas vezes optámos por prosseguir a leitura, sem saciar a dúvida?Por exemplo, se tivermos conhecimentos para ler “Rosh Codesh” no texto hebraico, ou então se ouvirmos um judeu a referir-se a “Rosh Codesh”, compreendemos a que é que ele se está a referir? … E se, no contexto bíblico, (e agora já em português) nos depararmos com a expressão “Lua Nova”, … sabemos do que se trata? É que, na Bíblia, “Lua Nova” está longe de se referir apenas e somente a uma fase da Lua. Na verdade, não sendo um enigma bíblico, também não tem um sentido totalmente transparente e óbvio, a menos que façamos uma pequena viagem pelo mundo bíblico.

Na verdade, “Rosh Codesh” e “Lua Nova” estão relacionados. Literalmente, Rosh Codesh significa “cabeça do mês”, já que a palavra “Rosh” tem a conotação de “primeiro”, ou “cabeça”. O Rosh Codesh (que aparece no texto bíblico) ou “cabeça do mês” (literalmente) será, então, nem mais nem menos que o início do mês, o primeiro dia de cada mês.

“O dia é permitido!”
Obviamente que naquela época o conceito de medição do tempo já era minimamente conhecido. Mas não era um bem omnipresente e sofisticado como é hoje. A informação relativa ao tempo ou aos tempos, não entrava pelas casas de Israel com os cumprimentos da NASA, nem por acesso com fibra óptica à Internet. Mudar de mês significava tudo menos virar a folha de um calendário, ou comprar a revista preferida.

Para se determinar o momento em que a lua se encontrava na fase de “nova”, havia dificuldades a vencer e critérios específicos a seguir. Na verdade, podemos dizer que eram três os passos principais no tratamento dessa informação. Em primeiro lugar, o avistamento da lua tinha de ser testemunhado e reportado ao Sanhedrin em Jerusalém, o mais depressa possível. Nesse passo específico, o testemunho de um único indivíduo não era válido, mas a palavra de pelo menos duas testemunhas já era aceite como verdadeira, dentro do espírito das normas Moisaicas que regulavam a vida social e religiosa de Israel (Números 35:30; Deuteronómio 17:6; 19:15). O dever de reportar a nova fase lunar era tão importante que no caso de acontecer num sábado, dava à testemunha imunidade em relação às leis restritivas do Shabbat. E não somente a ela, mas também a todos os que tivessem de a ajudar, quer com alimentação, protecção ou outro tipo de ajuda, a fim de que lhe fosse possível chegar rapidamente a Jerusalém com aquela informação. A urgência do processo estava, obviamente, ligada aos sacrifícios que tinham lugar no Templo relacionados com o Rosh Codesh, e que tinham de ter lugar na altura certa. Já na cidade, as testemunhas que iam chegando eram recebidas num pátio especialmente separado para elas, onde lhes era provida uma boa refeição, no sentido de as encorajar a repetir o acto em vezes futuras.

A seguir, e em segundo lugar, o avistamento era validado. A informação era entregue no Sanhedrin, muitas vezes corroborada por pinturas ilustrativas das fases da Lua, onde as testemunhas identificavam e faziam corresponder o seu próprio avistamento. A informação da altura correcta servia para se determinar se o mês era de vinte e nove ou trinta dias. A frase que todos aguardavam da boca do Príncipe do Sanhedrin era, então, proclamada: ”O dia é permitido!” E, sem demora, começavam todos os preparativos no Templo no sentido de prosseguir com as cerimónias sacrificiais necessárias à ocasião.

Em terceiro lugar, não somente o povo em Israel mas também a Diáspora tinham de ter conhecimento do facto. Em Israel, a informação era passada através de mensageiros que partiam a cavalo para todos os pontos, mais perto ou mais distantes. Para a Diáspora, utilizava-se um sistema bem elaborado de comunicações, que aproveitavam a escuridão da noite. No cimo do Monte das Oliveiras, uma vara de madeira com vários metros de altura era incendiada, como um archote. A sua luz era vista noutro monte pré-definido, onde, por sua vez, e utilizando o mesmo método, se passava a informação a outro monte, atingindo-se com esse método cidades tão longínquas como Pumbedita, na Babilónia, importante centro talmúdico e berço do Talmude Babilónico. Aí, a informação era recebida com alegria, manifestada por cada família através da imitação do sinal original. Isto fazia com que, de repente, numa cidade a milhares de quilómetros de distância de Jerusalém, centenas de varas flamejantes fossem erguidas na escuridão da noite, acendendo a cidade e os corações dos judeus que nela viviam.

A importância de se saber quando é que cada mês começava, estava ligada à vida de cada homem em Israel. No Salmo 104, versículo 19, encontramos a declaração de que a lua, criada por Deus, tem a particularidade de apontar para as estações do ano. Não é de admirar, pois, que fosse a regularidade da Lua a fazer de marcador natural aos tempos.

A Festa da Lua Nova
Mas a alegria que os judeus sentiam por cada novo Rosh Codesh não era um sentimento vazio. À identificação da Lua Nova seguia-se uma Festa. E esta, envolvia o próprio Deus. Daí a alegria.

A Festa da Lua Nova não pertencia ao grupo principal das três festas principais, aquelas que obrigavam a uma deslocação a Jerusalém. Era uma festa secundária, e, no entanto, igualmente importante. Podemos aquilatar essa importância pelo facto de ter sido divinamente instituída, sendo que Deus requeria do adorador uma postura espiritualmente honesta e verdadeira. Falhar de forma recorrente, levou muitas vezes Deus a manifestar o seu desagrado perante o eterno vazio a que a “religião” sempre conduz.



O Antigo Testamento apresenta-nos cerca de 25 referências à (Festa da) Lua Nova. Por exemplo, através da leitura do primeiro livro de Samuel capítulo 20, ficamos a saber que David costumava comer à mesa do Rei Saul nesse dia (20:5). E também que, ao tomar a decisão de não comparecer a esse compromisso importante, obrigou Saul a reagir de tal forma que ficou claramente exposto o ódio que ele sentia por David. Asafe, um dos cantores do Templo, proclamou a Festa da Lua Nova como tempo de alegria, assinalada com o toque do shofar (Salmo 81:3). Salomão escreveu ao Rei de Tiro informando-o que se propunha construir um Templo em Jerusalém, onde as Festas do Senhor teriam lugar, e mencionando particularmente a da Lua Nova (II Crónicas2:4). E o próprio Deus, em dada altura, mostrou-se cansado da hipocrisia de alguns adoradores, afirmando que já não suportava mais as Festas da Lua Nova que o povo celebrava e Lhe dedicava (Isaías 1:13-14).

Na Festa da Lua Nova, “… nos princípios dos vossos meses…” eram tocadas as trombetas de prata (Números 10:10), e o shofar (Salmos 81:3). Os levitas faziam as suas ofertas rituais (I Crónicas 23:31), e os negócios eram temporariamente interrompidos (Amós 8:5). Rosh Codesh, ou Lua Nova, era tempo de regozijo e celebração (Números 10:10).

O Rosh Codesh era a âncora do tempo, tanto para o homem-agricultor, como para o homem-adorador. Como procederia o homem do campo para determinar o tempo ideal de semear o seu sustento? Da mesma forma, sem um calendário claro, as festas que Deus exigia que fossem celebradas “ao tempo apontado” (Êxodo 23:15; 34:18) eram impossíveis de situar e de cumprir. Como celebrar, por exemplo, a Páscoa segundo o requisito divino, em que “no primeiro mês, aos catorze dias do mês, à tarde, comereis pães asmos até vinte e um do mês à tarde” (Êxodo12:18) se não fosse possível determinar o primeiro dia desse mês? O estratagema usado pelos opressores de Israel no tempo que antecedeu a revolta dos Macabeus foi exactamente esse: proibiam (esta) Festa, fazendo com que as (outras) Festas não fossem possíveis de celebrar, porque ficavam indeterminadas no tempo. Era, pois, uma informação vital, a que as suas vidas estavam ligadas inexoravelmente pela obediência a Deus.

As novas tecnologia tornaram obsoletos os métodos que levavam à identificação das fases da lua. Hoje, Israel não comemora mais esta festa, e apenas uma pequenina franja de judeus ortodoxos a relembra. Saber como ela se processava, no passado, é apenas um enriquecimento para nós, mas também a oportunidade de criarmos na nossa vida o desejo de renovação. Renovação em cada momento, agora e sempre. Começar de novo, recomeçar, recomeçar sempre de forma melhor. Em Jesus temos esse privilégio, o privilégio de experimentar uma renovação constante. Sem calendário. Sempre que o nosso coração quiser. Pois não foi Paulo quem afirmou que, como crentes em Jesus, “já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.”? (Colossenses 3:9-10).

Eduardo Fidalgo   
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sexta-feira, 11 de junho de 2010

No dia em que os palestinianos foram portugueses

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Ferry-boat Lusitânia Expresso

O navio Lusitânia Expresso, ou
no dia em que os palestinianos foram portugueses,
e os israelitas eram indonésios…

O Lusitânia Expresso
Já vai longe na memória dos portugueses aquele dia de 1992 em que o Lusitânia Expresso, um ferry-boat para transporte de passageiros e veículos zarpou rumo a Timor-Leste, numa acção de protesto ao massacre de timorenses no cemitério de Santa Cruz, Dili, pelas tropas indonésias. Mas deixemos a Wikipédia relembrar-nos os factos:
“A viagem do Lusitânia Expresso a Timor foi uma iniciativa da equipa da revista Fórum Estudante, com o objectivo de sensibilizar a opinião pública internacional para a causa de Timor, que contou com o apoio de várias figuras públicas, nomeadamente o ex-presidente da República de Portugal, General Ramalho Eanes.
Mobilizou 120 estudantes, de 23 países, que partiram de Portugal com o objectivo de colocar uma coroa de flores no local do massacre, e, assim atrair a atenção dos media sobre a temática da opressão do povo de Timor-Leste.
Na sua última etapa com largada de Darwin a 9 de Março de 1992, após 3 meses de viagem, o Lusitânia Expresso foi sobrevoado por aviões militares indonésios e interceptado no dia 11 de Março, à entrada das águas territoriais de Timor, por quatro navios de guerra indonésios. Após lançar flores ao mar, em memória dos mortos de Timor-Leste, o Lusitânia Expresso foi obrigado a regressar a Portugal.
Embora não atingisse o objectivo de chegar a Dili, em Timor-Leste, a viagem do Lusitânia Expresso conseguiu mobilizar as atenções da imprensa internacional para a situação dramática em que vivia o povo de Timor, contribuindo de certa forma para a retirada da Indonésia e a independência da última colónia Portuguesa.”

Lusitânia Expresso x Mavi Marmara
Comparando o recente episódio ao largo da Faixa de Gaza que envolveu o Mavi Marmara, e aquele junto a águas indonésias com o Lusitânia Expresso, são óbvias as semelhanças entre as duas missões:
- Ambas se serviram de meios navais civis para levarem a cabo os seus intentos.
- Ambas chamaram a atenção da opinião pública mundial, servindo-se da presença massiva dos mídia.
- Ambas estavam rotuladas de pacifistas.
- Ambas declararam que a missão já era, por si só, uma vitória, independentemente dos resultados.
- Ambas contavam com o patrocínio de personagens relevantes da sociedade civil.
- Ambas tinham conhecimento prévio de que não lhes seria permitido chegar ao destino pretendido.
- Ambas tiveram de responder de forma clara, quando confrontadas com essa proibição.
E, de semelhanças, ficamos por aqui.

Perder e Ganhar
É a partir do momento que foi ordenado aos navios para darem meia-volta, tanto pelos indonésios em 1992, como pelos israelitas em 2010, que tudo se precipitou, para o melhor e para o pior.
Perante a imposição dos indonésios, o Lusitânia Expresso regressou ao porto de origem. Contrariamente, o Mavi Marmara recusou fazê-lo. Recusou de forma clara, já que não inverteu a rota, e recusou verbalmente, porque os mídia fizeram eco da resposta negativa. O desfecho é mais do que conhecido.
Pergunta-se: No caso português, foi a imagem dos 120 estudantes ou a do próprio General Ramalho minimamente beliscada? Não! Foi de derrota o sentimento geral? Não! E porquê? Porque a operação "Missão Paz em Timor” bastou-se a si mesma. Foi uma vitória num contexto de vitórias. Chamou-se a atenção do mundo para um problema, mas respeitou-se a integridade de todos os que tomaram parte na missão. E esta, tanto quanto os envolvidos, saiu prestigiada e a ganhar.

Este não era o Barco do Amor
Agora, o Mavi Marmara. Se, como foi afirmado anteriormente, a operação em si mesma já era um sucesso, por que é que os tripulantes não acataram as ordens israelitas?
- Em primeiro lugar, aquelas declarações nunca tiveram qualquer valor. Os “pacifistas” sempre tiveram muito mais em mente. Construíram o êxito que lhes pareceu maior: na certeza de não chegarem a Gaza, provocaram a “violência israelita”, e tornaram-se “vítimas” dela. Para além disso, a bênção dos midia estava garantida: com o mundo a observar, o momento tinha de ser de vitória a bem ou vitória a mal. Daí que, antes de partirem para alto-mar, as imagens mostravam já os que afirmavam claramente “o martírio, ou Gaza”!
- O Mavi Marmara transportava gente que se tinha “aviado em terra para ir ao mar”. Sabiam que os confrontos eram inevitáveis, face às posições que iam provocar. Mas não levaram só as fundas de David. Antes da chegada das tropas, as imagens mostravam os “pacifistas” a preparar as barras de ferro, as garrafas, as fisgas, as navalhas, as correntes, o material explosivo, para não falar das cápsulas de balas encontradas depois, e que, não pertencendo às IDF, prova que também havia armas (certamente pacíficas ?) a bordo. Depois foi o que se viu.
- O Mavi Marmara transportava civis numa “guerra santa”, mas que, na verdade, estavam cinicamente destinados a servir como escudos-humanos. O mundo ouviu e hipocritamente aceitou como natural a inocente (???) informação de que “mulheres, crianças e velhos” viajavam no navio. Isso foi reportado pelo operador de câmara libanês da Al-jazeera TV, Andre Abu Khalil. Mulheres, crianças e velhos? Que espécie de homens colocam as suas mulheres, os seus filhos ou os seus pais em tal cenário, quando sabem que ele vai ser palco de uma guerra? A verdade é que se tentou criar as balas perdidas que poderiam ter colocado em delírio o Ocidente anti-semita e o mundo árabe … Que mentalidade é esta, para quem a vida humana não tem valor, e que se esconde atrás de mulheres, crianças e velhos? Que gente é esta, que esconde arsenais em escolas, mesquitas e hospitais? Que gente é esta que, nunca se assumindo pessoalmente como mártires, aponta o caminho aos outros?

O Hamas decidiu: A Ajuda Humanitária não entra em Gaza
Para lá destes incidentes, e certamente na posse de relatórios e vídeos de prova, o primeiro-ministro Netanyahu, referindo-se ao Mavi Marmara, disse à Nação: "Este não era o Barco do Amor”.
Para lá destes incidentes, e confirmado que a ajuda humanitária o era realmente, ela foi colocada em 21 camiões e colocada à disposição do Hamas, na fronteira, pronta a entrar em Gaza. Resposta do Hamas? O Hamas não autorizou a entrada da ajuda humanitária no território, sob o pretexto de que “a decisão de Israel em permitir a entrada da ‘ajuda’ é uma ‘manobra de diversão’ para desviar as atenções do ‘massacre’ que teve lugar em mar alto.”


A História mostra que culpar o judeu de tudo aquilo que afecta a humanidade é o comportamento típico de quem pensa com uma mente primitiva, e a atitude mais desumana de quem sente com um coração racista. Através dos tempos, o judeu tem sido o bode expiatório ideal, e alguns acreditam nisso religiosamente.
A Peste Negra? O judeu foi culpado.
Jesus Cristo? O judeu foi culpado.
O Holocausto? O judeu foi culpado.
A Economia Mundial? O judeu é culpado.
Os palestinianos? O judeu é culpado.
A Fome? O judeu é culpado.
O aquecimento global? O judeu é culpado.
A Ajuda Humanitária não chega a Gaza? O judeu é culpado.
A Ajuda Humanitária chegou a Gaza? O judeu é culpado.

... Vídeos para quê? ...
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Viagem ao Israel Bíblico 2010

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Viagem ao Israel Bíblico 2010 (Com extensão à Jordânia)
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I - SÓ ISRAEL – 18 a 25 de AGOSTO de 2010

18 AGOSTO – LISBOA > TEL AVIV
Comparência no aeroporto de LISBOA. Embarque para TEL AVIV, com saída às 16H45. Mudança de avião em Madrid. Partida às 23H30. Ceia.

19 AGOSTO – JAFFA > TEL AVIV > CESARÉIA > MEGGIDDO > CARMELO > NAZARÉ > TIBERÍADES
Chegada a Tel Aviv às 05H05. Desembarque e transfer para Hotel em Tel Aviv para pequeno-almoço. Início das visitas guiadas à cidade de JAFFA, a antiga Jope, onde Jonas foi cuspido da baleia e onde o apóstolo Pedro teve a visão do lençol cheio de animais imundos. Vista panorâmica de TEL AVIV. Visita à antiga cidade romana de CESARÉIA MARÍTIMA, antiga capital, onde Paulo esteve preso antes de embarcar para Roma. Visita ao teatro, ruínas, e aqueduto. Continuação até MEGGIDDO. Almoço e visita às ruínas desta cidade fortaleza do tempo do rei Salomão. Subida ao miradouro, de onde se avista todo o vale de Meggiddo, onde se travará a batalha do ARMAGEDON. Descida pelo túnel de Ezequias, e continuação até ao MONTE CARMELO, local onde o profeta Elias confrontou e venceu os profetas de Baal. Continuação até NAZARÉ, para visita à aldeia de Jesus, uma reconstituição da vida na pequena aldeia de Nazaré, como era nos dias de Jesus. Continuação até TIBERÍADES. Jantar e alojamento no Hotel.

20 AGOSTO – GALILÉIA > LAGO DE TIBERÍADES > BANIAS > TIBERÍADES
Pequeno-almoço no Hotel. Visita aos locais na GALILÉIA onde Jesus desenvolveu o Seu ministério: MONTE DAS BEM AVENTURANÇAS, com tempo para orações. Visita à Igreja em TABGHA, que assinala o local do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. Visita ao lago, e às ruínas da cidade de CAFARNAUM, com a antiga sinagoga e a casa de Pedro. Travessia do MAR DA GALILÉIA em barco de madeira, réplica dos que se usavam nos dias do Senhor. Almoço e visita ao kibbutz de EIN GEV. Continuação para BANIAS, a antiga CESARÉIA FILIPOS, onde Pedro confessou a Cristo como Senhor. Visita às antigas ruínas. Regresso a TIBERÍADES. Jantar e alojamento no Hotel.

21 AGOSTO – RIO JORDÃO > JERICÓ > MASSADA > QUMRAN > MAR MORTO > JERUSALÉM
Pequeno almoço no Hotel. Visita ao rio JORDÃO com possibilidade de realização de baptismos. Passagem por JERICÓ. Continuação até ao MAR MORTO. Subida em teleférico até MASSADA para visita à impressionante cidade fortaleza edificada pelo rei Herodes, e onde 960 judeus preferiram a morte colectiva à rendição aos romanos. Almoço. Visita às ruínas de QUMRAN, onde vivia uma comunidade essénia que se dedicava a uma vida austera e a copiar manuscritos da Bíblia. Descida até ao MAR MORTO, o local mais profundo da terra! Tempo para banhos nesta água onde ninguém afunda! Subida até à capital eterna de Israel, JERUSALÉM! Jantar e alojamento no Hotel.

22 AGOSTO – JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Visita aos locais mais importantes da Cidade do Senhor: Igreja do PATER NOSTER, MONTE SCOPUS, de onde se avistará toda a cidade santa. Descida ao MONTE DAS OLIVEIRAS, e entrada no HORTO DO GETSEMANE, para meditação e oração. MONTE SIÃO, com visitas ao túmulo do rei David e ao Cenáculo, local da última Ceia. Almoço e visita à cidade de BELÉM. Travessia do controle fronteiriço, e visita à Igreja da Natividade e ao campo dos pastores. Subida ao HERODIUM, onde se encontram os túmulos da família do rei Herodes o Grande. Tempo para compras em BELÉM e regresso a JERUSALÉM. Jantar e alojamento no Hotel.

23 AGOSTO – JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Visita ao MURO DAS LAMENTAÇÕES e subida à esplanada do templo, actualmente ocupada pelas mesquitas de Omar e El Aqsa. (entradas não incluídas). Descida ao Museu Ophel, com representação visual do que era a vida no templo de Jerusalém nos dias de Jesus. Visita às ruínas do parque arqueológico, incluindo os degraus que ascendiam ao templo. Visita à cidade de David e ao tanque de Siloé. Almoço. Visita ao Temple Institute, onde se encontram os artefactos para o 3º Templo. Saída até ao Jardim do Túmulo, para visita ao túmulo vazio de Jesus e celebração da Ceia do Senhor. Jantar e alojamento no Hotel.

24 AGOSTO – JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Visita à maquete que representa Jerusalém como era nos dias de Jesus. Visita ao Museu do Livro, onde se encontram antigos manuscritos da Bíblia e ao Museu e Memorial do Holocausto. Almoço. Saída até às piscina de BETESDA e Via Dolorosa, até ao Local da flagelação. Descida ao piso dos dias do Senhor, com marcas gravadas que indicam o local onde o Senhor Jesus foi flagelado e julgado. Jantar e alojamento no Hotel.

25 AGOSTO – EIN KAREM > YAD HASHMONA > AEROPORTO > LISBOA
Pequeno-almoço no Hotel. Visita a EIN KAREN, a aldeia natal de João Baptista e ao parque bíblico de YAD HASHMONA, uma aldeia comunitária de judeus messiânicos. Almoço e partida para o aeroporto de Ben Gurion. Embarque no voo para LISBOA, com mudança de avião em Madrid. Refeição a bordo. Chegada a Lisboa pelas 23H10. Desembarque. Fim da excursão.

PREÇO ESPECIAL POR PESSOA EM QUARTO DUPLO (SÓ ISRAEL): 1.400,00 EUROS
SUPLEMENTO PARA QUARTO INDIVIDUAL: 250,00 €



II – EXTENSÃO A PETRA (JORDÂNIA) - 25 a 28 de AGOSTO
Continuação do programa anterior em Israel, entre 18 e 24 de Agosto

25 AGOSTO - JORDÂNIA > GERASA > MONTE NEBO > MADABA > PETRA
Pequeno almoço no hotel. Viagem até à fronteira da JORDÂNIA. Formalidades e partida para GERASA, uma das antigas cidades da Decápolis e onde se encontram as maiores ruínas de todo o Médio Oriente. Almoço. Continuação para o MONTE NEBO, local de onde Moisés avistou a Terra Prometida. Continuação para MADABA e visita ao famoso mosaico com a representação de todo o Israel. Prosseguimento até PETRA. Jantar e alojamento no Hotel.

26 AGOSTO - PETRA > AQABA > EILAT
Pequeno almoço no Hotel. Saída guiada para visita à antiga cidade de PETRA, a capital dos Nabateus, considerada actualmente uma das “7 maravilhas do mundo”, e toda edificada na pedra rósea. Almoço. Viagem até ao Mar Vermelho e travessia da fronteira em Aqaba. Formalidades e entrada em Israel. Jantar e alojamento no Hotel em EILAT, próximo ao MAR VERMELHO.

27 AGOSTO – EILAT > TIMNA > TABERNÁCULO > CRATERA RAMON > BERSHEVA > JUDEIA
Pequeno-almoço no Hotel. Passagem por EILAT e continuação para TIMNA e vista dos famosos “pilares de Salomão”. Visita guiada ao TABERNÁCULO NO DESERTO, uma representação em tamanho real do tabernáculo construído pelos israelitas. Vista da cratera de Ramon e almoço. Continuação para BERSHEVA, a cidade de Abraão. Continuação para YAD HASHMONA, uma aldeia comunitária de judeus messiânicos. Jantar e alojamento.

28 AGOSTO –YAD HASHMONA > AEROPORTO > LISBOA
Pequeno-almoço no alojamento. Visita ao parque bíblico de YAD HASHMONA. Almoço e partida para o aeroporto de Ben Gurion. Embarque no voo para LISBOA, com mudança de avião em Madrid. Refeição a bordo. Chegada a Lisboa pelas 23H10. Desembarque. Fim da excursão.
PREÇO ESPECIAL POR PESSOA EM QUARTO DUPLO (Só extensão à Jordânia): 350,00 EUROS
SUPLEMENTO PARA QUARTO INDIVIDUAL: 100,00 €

OS PREÇO DESTE SUPLEMENTO INCLUEM:
- Alojamento em quartos duplos com banho e ar condicionado em hotéis de 4 ****;
- Todas as refeições desde o pequeno almoço do 1º dia ao almoço do último dia;
- Todo o percurso mencionado no programa em autocarro de luxo com ar condicionado;
- Todas as entradas nos museus, parques e sítios incluídos no programa;
- Taxas de fronteira de saída de Israel, Jordânia e visto para a Jordânia;
- Guia em língua espanhola (Jordânia) durante todo o percurso;
- Seguro de viagem;

NÃO INCLUEM:
- Bebidas às refeições
- Todas as despesas de carácter pessoal (telefone, lavandaria, etc.)
- Gorjetas ao guia e motorista.
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Peça informações mais detalhadas em BEIT ISRAEL: beit.israel.pt@gmail.com
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terça-feira, 26 de maio de 2009

José Brito Mendes - Um Justo Português

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José Brito Mendes,.ou Jôsef Britô-Mendess ?


Com a devida autorização da autora, a quem muito agradecemos, publicamos hoje o artigo "José Brito Mendes – Um justo português", de Esther Mucznik*, vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa.A história é, só por si, um pequeno hino àquele amor que age e nunca espera nada em troca. Surpreende o facto de Portugal desconhecer este herói, que o próprio Estado de Israel, através do Museu do Holocausto – Yad Vashem agraciou em 2004, como um "Justo entre as nações". Antes dele, entre nós, apenas Aristides de Sousa Mendes foi reconhecido como um "gentio justo".
Mas existe uma razão para esse desconhecimento: José Brito Mendes, na listagem dos heróis do Holocausto com o Dossier n° 10184, consta como francês... Hilariante, bizarro, ou simplesmente natural???
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José Brito Mendes – Um justo português..Esther Mucznik *
"Espero que um dia, quando nos voltarmos a ver, o meu marido e eu reencontremos a nossa filha e voltemos a estar de novo juntos e felizes." É assim que termina uma carta escrita em 1942 por Fojgel (Fanny) Berkovic a Marie-Louise e José Brito Mendes, a quem ela confiara a guarda da sua filha Cécile, para a proteger das rusgas da polícia francesa às ordens da Gestapo. Fojgel Berkovic não realizou o seu sonho. Apenas voltou a ver a filha, de cinco anos, quando estava já por detrás do arame farpado do campo de Drancy, a caminho de Auschwitz de onde nunca voltou. Mas Cécile sobreviveu. Graças à coragem da família do português Brito Mendes.
José Brito Mendes emigrou para França em 1926, onde casou com uma francesa, Marie-Louise, e de quem teve um filho, Jacques. Viviam em St. Ouen, nos arredores operários de Paris. Mesmo em frente à sua casa vivia um casal de judeus polacos, Aron e Fojgel Berkovic, com a filha Cécile, nascida em 1937. Aron era sapateiro e tinha uma pequena oficina na mesma rua onde moravam. Daí assistia às brincadeiras de Cécile e Jacques, praticamente criados juntos naquele bairro onde se aglomeravam, na época, imigrantes espanhóis e italianos, portugueses e polacos.
Mas em 1942, a 15 de Junho, Aron é deportado e morre em Auschwitz. A sua mulher Fojgel esconde-se algures em Paris, mas antes confia Cécile à guarda da família Brito Mendes, numa tentativa desesperada de a salvar. E com efeito, meses depois, apesar de escondida, Fojgel é presa e levada para o campo de trânsito de Drancy, de onde partiam os transportes para os campos de extermínio. Antes da sua partida, José Brito leva Cécile ver a mãe uma última vez: tem já cinco anos, mas já sabe que não a pode chamar de mãe. Pela sua segurança e pela segurança de José. Tem de esconder que é judia, fingir que é prima de Jacques e que o seu nome é Bellouin – nome de solteira de M. Louise. Mas as crianças aprendem depressa…
A família Brito toma conta de Cécile, como uma filha – apesar dos cartões de racionamento e do perigo sempre iminente de uma rusga policial, porque quem esconde judeus corre o risco de ser deportado. Esta acontece efectivamente em 1943 devido a uma denúncia, mas a Gestapo não encontra Cécile, momentaneamente ausente. Para José Brito é o sinal de alarme: Cécile e Jacques são enviados para a província, onde ficam em casa de familiares do casal.
O tempo passa, a guerra acaba, os pais de Cécile não voltam e o casal Brito prepara-se para adoptar a criança. Mas do campo de concentração de Dachau chega um sobrevivente da família: um tio de Cécile, que obtém a sua guarda e a leva para os Estados Unidos, para bem longe das sombras da Europa… e dos Brito Mendes que nunca se consolarão verdadeiramente da dor da sua perda. Cécile nunca mais viu a família que a salvou. Nos Estados Unidos, mudou de nome, estudou, exerceu advocacia, casou e teve duas filhas. Voltou a França em 1987 à procura dos Brito Mendes, mas não os encontrou. Morreu sem os rever.
Jacques continuou sempre à procura da irmã perdida. Não a encontrou mas, em 2002, graças à Internet e às associações das Crianças Escondidas, descobriu as filhas de Cécile, que, embora ao corrente de que ela nascera em França e que os avós tinham sido mortos em Auschwitz, nada mais sabiam sobre o passado francês da sua mãe. "Ela não falava nunca", explica Cara, filha de Cécile. "Era a época em que ficou órfã e o sofrimento permaneceu muito vivo." Para Jacques, encontrar as filhas de Cécile foi "um vazio que se encheu com o que se tornou Cécile, a sua vida". "O tempo passou, muitos actores desta história estão mortos, mas, se os nossos filhos se conhecerem, a história continua".
Em 2004, devido aos esforços de Cara, a filha americana de Cécile, o Yad Vashem, Autoridade Nacional para a memória dos Mártires e Heróis do Holocausto, de Jerusalém, atribuiu a José e a Marie-Louise Brito Mendes o título de "Justo entre as Nações" – já desde 1967 também atribuído a outro português, Aristides de Sousa Mendes – por, "arriscando a própria vida, terem salvo judeus perseguidos durante o período da Shoah na Europa". O diploma de honra a eles atribuído refere ainda que "o seu nome será homenageado para todo o sempre, e gravado no Muro dos Justos das Nações no memorial Yad Vashem em Jerusalém".
Porquê contar hoje e aqui esta história? Em primeiro lugar, porque é uma história bonita que trata da bondade humana. Numa época em que esta era um acto demasiado solitário, em que grassava o medo ou a indiferença, a denúncia e a colaboração, não é demais lembrar que a bondade também existiu. Os Brito Mendes eram certamente pessoas simples, não foram heróis da Resistência, mas à sua maneira foram dos poucos a praticar o lema do Yad Vashem retirado do Talmude: "Quem salva uma vida salva toda a humanidade."No memorial de Jerusalém estão gravados os nomes de dois portugueses. Mas muitos mais foram sensíveis ao sofrimento de judeus e não judeus que fugiam das garras do nazismo. Segundo Avraham Milgram, historiador do Yad Vashem – a quem devo o conhecimento da história que hoje divulgo entre os leitores portugueses –, em Fevereiro de 1941, a PVDE (Policia de Vigilância e Defesa do Estado) comunicou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros que "os consulados de Portugal em Milão, Budapeste, Bucareste e Antuérpia estão a conceder vistos em passaportes de estrangeiros, fora das instruções superiormente recebidas".O que, do ponto de vista de Milgram, mostra que o desrespeito às ordens recebidas era um fenómeno amplamente difundido nos meios consulares. Em geral, as representações consulares portuguesas eram sensíveis ao destino dos judeus. Não encontramos no arquivo histórico do Ministério dos Negócios Estrangeiros documentos que testemunhem preconceitos ou atitudes anti-semitas da parte de cônsules portugueses no exterior, da mesma forma que não havia denominador comum – ideológico ou político – entre os diplomatas portugueses que ajudaram judeus a sair da Europa via Portugal.
"A compaixão pelo sofrimento alheio, no caso dos judeus, era comum ao monárquico Aristides de Sousa Mendes, ao anti-marxista Alfredo Casanova, ao republicano Alberto da Veiga Simões, ao liberal Giuseppe Agenore Magno", escreve A. Milgram. Poder-se-ia acrescentar Sampaio Garrido e Teixeira Branquinho em Budapeste, entre outros dos serviços consulares de Portugal.
A perseguição e a destruição dos judeus produziu atitudes diametralmente opostas: o mal absoluto e a compaixão humana. Hoje, prefiro lembrar a compaixão humana na pessoa de José de Brito Mendes, um "justo" português.

Publicado no Jornal Público, em 10 de Novembro de 2006
* Esther Mucznik é vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa, membro-fundador e dirigente da Associação de Estudos Judaicos e do Fórum Abraâmico, e membro da Comissão de Liberdade Religiosa. Colunista do Jornal Público, destaca-se como autora de numerosos artigos e trabalhos sobre temáticas judaicas..