terça-feira, 10 de março de 2009

Édito de Extermínio dos Judeus (II) - Pérsia

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Ó Deus, não estejas em silêncio! Não cerres os ouvidos nem fiques impassível, ó Deus! Porque eis que teus inimigos se alvoroçam, e os que te aborrecem levantaram a cabeça. Astutamente formam conselho contra o teu povo e conspiram contra os teus protegidos. Disseram: Vinde, e desarraiguemo-los para que não sejam nação, nem haja mais memória do nome de Israel. Salmos 83:1-4

Édito de Extermínio dos Judeus (II) - Pérsia

Enquadramento Bíblico da Festa do Purim


É decretada a morte para todos os Judeus
Ester foi rainha na corte de Assuero, rei Persa que a História identificou como Xerxes. Na verdade, ela foi a sua segunda rainha. Antes dela, reinou Vasti, mas a sua conduta desagradou profundamente ao rei, pelo que foi afastada (Cap. 1). Ester era judia, e antes de chegar ao palácio, vivia com Mordecai, seu tio. Mordecai "fora transportado de Jerusalém com os cativos que foram levados com Jeconias, rei de Judá, ao qual transportara Nabucodonosor, rei de Babilónia. Este criara a Hadassa (que é Ester, filha do seu tio), porque não tinha pai nem mãe; e era moça bela de aparência e formosa à vista; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mordecai a tomara por sua filha (2:6-7)."
A acção tem lugar, pois, no século V a.C., em Susã, capital administrativa do Império Persa. Por divergências entre Mordecai e Hamã (o homem mais poderoso na corte do rei – 3:1), divergências que se prendiam com a forma como Mordecai não honrava Hamã, este decide vingar-se, não somente na pessoa do seu inimigo, mas de todo o povo judeu:
Ester 3:5 Vendo, pois, Hamã que Mordecai não se inclinava nem se prostrava diante dele, Hamã se encheu de furor. 6 Porém, em seus olhos, teve em pouco o pôr as mãos só sobre Mordecai (porque lhe haviam declarado o povo de Mordecai); Hamã, pois, procurou destruir todos os judeus que havia em todo o reino de Assuero, ao povo de Mordecai.

Nasce, desta forma, um Édito de Extermínio que a Bíblia nos relata como sendo o segundo da História de Israel. Um primeiro Édito tinha sido promulgado pelo Faraó do Êxodo. Falhou nos seus intentos, tal como este iria falhar. Mas, por agora, o veneno produzia o efeito desejado:
Ester 3:8 E Hamã disse ao rei Assuero: Existe espalhado e dividido entre os povos em todas as províncias do teu reino um povo cujas leis são diferentes das leis de todos os povos e que não cumpre as leis do rei; pelo que não convém ao rei deixá-lo ficar. 9 Se bem parecer ao rei, escreva-se que os matem; e eu porei nas mãos dos que fizerem a obra dez mil talentos de prata, para que entrem nos tesouros do rei. 10 Então, tirou o rei o anel da sua mão e o deu a Hamã, filho de Hamedata, agagita, adversário dos judeus. 11 E disse o rei a Hamã: Essa prata te é dada, como também esse povo, para fazeres dele o que bem parecer aos teus olhos. 12 Então, chamaram os escrivães do rei no primeiro mês, no dia treze do mesmo, e conforme tudo quanto Hamã mandou se escreveu aos príncipes do rei, e aos governadores que havia sobre cada província, e aos principais de cada povo; a cada província segundo a sua escritura e a cada povo segundo a sua língua; em nome do rei Assuero se escreveu, e com o anel do rei se selou. 13 E as cartas se enviaram pela mão dos correios a todas as províncias do rei, que destruíssem, matassem, e lançassem a perder a todos os judeus desde o moço até ao velho, crianças e mulheres, em um mesmo dia, a treze do duodécimo mês (que é mês de adar), e que saqueassem o seu despojo. 14 Uma cópia do escrito para que se proclamasse a lei em cada província foi enviada a todos os povos, para que estivessem preparados para aquele dia. 15 Os correios, pois, impelidos pela palavra do rei, saíram, e a lei se proclamou na fortaleza de Susã; e o rei e Hamã se assentaram a beber; porém a cidade de Susã estava confusa.

O Jejum de Ester
No palácio, Ester assistia aos preparativos para o extermínio do seu povo. É o tio quem a sensibiliza a fazer algo pelos judeus. Em resposta, Ester proclama um jejum de três dias, findos os quais "enfrentaria" o rei no seu pedido de misericórdia. Isto é o que hoje em Israel se conhece como "O Jejum de Ester"!

Ester 4:13 Então, disse Mordecai que tornassem a dizer a Ester: Não imagines, em teu ânimo, que escaparás na casa do rei, mais do que todos os outros judeus. 14 Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento doutra parte virá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino? 15 Então, disse Ester que tornassem a dizer a Mordecai: 16 Vai, e ajunta todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas moças também assim jejuaremos; e assim irei ter com o rei, ainda que não é segundo a lei; e, perecendo, pereço.


Ester organiza um banquete restrito a Xerxes e Hamã. Radiante pela honra, Hamã recolhe a casa, sem antes presenciar mais uma vez um Mordecai sem disposição para se lhe prostrar. (Mal) Aconselhado pela mulher, ergue uma forca destinada ao seu arqui-inimigo, decidido a vingar os vexames. Entretanto, no palácio, sem poder dormir, Xerxes mergulha nas crónicas do reino, onde encontra registos da fidelidade de Mordecai ao seu governo. Toma então a decisão de lhe atribuir honras reais, e é o próprio Hamã quem, sob grande humilhação, é escolhido para executar a tarefa.
No palácio, chega a hora do banquete. Ester clarifica perante o rei a conspiração de Hamã, e este é finalmente desmascarado:
Ester 7:3 Então, respondeu a rainha Ester e disse: Se, ó rei, achei graça aos teus olhos, e se bem parecer ao rei, dê-se-me a minha vida como minha petição e o meu povo como meu requerimento. 4 Porque estamos vendidos, eu e o meu povo, para nos destruírem, matarem e lançarem a perder; se ainda por servos e por servas nos vendessem, calar-me-ia, ainda que o opressor não recompensaria a perda do rei. 5 Então, falou o rei Assuero e disse à rainha Ester: Quem é esse? E onde está esse cujo coração o instigou a fazer assim? 6 E disse Ester: O homem, o opressor e o inimigo é este mau Hamã. Então, Hamã se perturbou perante o rei e a rainha.
Autorizados a resistir
A forca que tinha sido preparada para Mordecai, serviu afinal para Hamã. Uma vez que os decretos feitos em nome do rei e selados com o seu anel não podiam ser revogados (8:8), é concedido aos judeus a possibilidade de se defenderem perante todos os que estavam dispostos a exterminá-los:

Ester 8:8 Escrevei, pois, aos judeus, como parecer bem aos vossos olhos e em nome do rei, e selai-o com o anel do rei; porque a escritura que se escreve em nome do rei e se sela com o anel do rei não é para revogar. 9 Então, foram chamados os escrivães do rei, naquele mesmo tempo e no mês terceiro (que é o mês de sivã), aos vinte e três do mesmo, e se escreveu conforme tudo quanto ordenou Mordecai aos judeus, como também aos sátrapas, e aos governadores, e aos maiorais das províncias que se estendem da Índia até à Etiópia, cento e vinte e sete províncias, a cada província segundo a sua escritura e a cada povo conforme a sua língua; como também aos judeus segundo a sua escritura e conforme a sua língua. 10 E se escreveu em nome do rei Assuero, e se selou com o anel do rei; e se enviaram as cartas pela mão de correios a cavalo e que cavalgavam sobre ginetes, que eram das cavalariças do rei. 11 Nelas, o rei concedia aos judeus que havia em cada cidade que se reunissem, e se dispusessem para defenderem as suas vidas, e para destruírem, e matarem, e assolarem a todas as forças do povo e província que com eles apertassem, crianças e mulheres, e que se saqueassem os seus despojos, 12 num mesmo dia, em todas as províncias do rei Assuero, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de adar. 13 E uma cópia da carta, que uma ordem se anunciaria em todas as províncias, foi enviada a todos os povos, para que os judeus estivessem preparados para aquele dia, para se vingarem dos seus inimigos. 14 Os correios, sobre ginetes das cavalariças do rei, apressuradamente saíram, impelidos pela palavra do rei; e foi publicada esta ordem na fortaleza de Susã.

Os intentos de Hamã tiveram o mesmo destino que os de Faraó: o fracasso. Ainda desta vez, Deus não permitiu que o povo judeu fosse totalmente aniquilado:
Ester 9:1 E, no mês duodécimo, que é o mês de adar, no dia treze do mesmo mês em que chegou a palavra do rei e a sua ordem para se executar, no dia em que os inimigos dos judeus esperavam assenhorear-se deles, sucedeu o contrário, porque os judeus foram os que se assenhorearam dos seus aborrecedores.

O Nome de Ester

No capítulo 2, versículo 7, é-nos dito que Hadassa é Ester. Ora, isso não significa que os nomes Hadassa e Ester tenham o mesmo significado, como muitas vezes se ouve. Significa, sim, que eram nomes da mesma pessoa.
Na verdade, um nome é de origem persa, Ester, que significa "uma estrela", e outro de origem hebraica, Hadassa, que significa "murta", um símbolo de vitória. Essia, Essie, Ettie, Estella e Estelle são algumas das variantes.
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Eduardo Fidalgo
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O PURIM em Israel nos dias de hoje

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O PURIM em Israel nos dias de hoje

... para que não haja mais memória do nome de Israel. Salmos 83:4
Na História de Portugal não existe nenhum momento em que outra nação nos quisesse destruir como povo. Talvez o pior momento que experimentámos foi a perda da independência para a Espanha, por um período de 60 anos. Foi, naturalmente um tempo difícil de aceitar, mas não foi nada que se possa comparar à dimensão de um extermínio étnico. Mas esta comparação é-nos útil para entender os sentimentos presentes num judeu quando chega o dia de Purim. Porque, no Purim, Israel não foi aniquilado. No Purim, Israel prevaleceu. Por isso, o Purim é antes de mais, uma festa de sobrevivência. Sobrevivência atribuída à misericórdia de Deus, não às armas!
Cerca de novecentos anos antes, houve uma primeira tentativa de erradicar as gerações judaicas à nascença, através morte de todos os seus meninos (Êxodo 1:15-22). Sifrá e Puá, as parteiras judaicas, foram então, naquela época, os "Sousa Mendes" ou os "Raoul Wallenberg" escolhidos para minimizar o impacto de tal decisão. Nesta segunda tentativa de extermínio, Deus levanta não duas libertadoras, mas apenas uma, a rainha Ester. Dessa forma, o nome de Ester estará ligado para sempre a esta libertação.
Devemos entender a libertação do Purim como um episódio determinante para a nação judaica. O Império Persa era tão vasto e poderoso, com as suas "cento e vinte e sete províncias"(1:1), que a quantidade de judeus mortos produziria estragos muito maiores que os seis milhões que desapareceram na II Guerra Mundial. No Israel de hoje, o Livro de Ester é lido na sua totalidade, tanto na véspera do Purim como na manhã seguinte. Debrucêmo-nos então sobre esse livro, já que nele encontramos tudo o que necessitamos para entender a festa judaica, e a forma como ainda hoje é celebrada.

Quando devem os judeus celebrar o Purim?
Ester 9:20 E Mardecai escreveu essas coisas e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, aos de perto e aos de longe, 21 ordenando-lhes que guardassem o dia catorze do mês de adar e o dia quinze do mesmo, todos os anos,
Todos os acontecimentos relacionados com o Purim tiveram lugar no mês de Adar, o 12.º mês do calendário judaico. Assim, a partir daquele ano, passou a celebrar-se nos dias 14 e 15 do mês daquele mês. No dia 13, um dia antes, é lembrado o "Jejum de Ester".

Como celebram os judeus o Purim?
Ester 9:22 como os dias em que os judeus tiveram repouso dos seus inimigos e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria e de luto em dia de folguedo; para que os fizessem dias de banquetes e de alegria e de mandarem presentes uns aos outros e dádivas aos pobres.
Ao ler o versículo bíblico, entendemos que a festa tem três vertentes de celebração:
1.º- A tristeza que se mudou em alegria, o luto em folguedo
A alegria passeia pelas ruas de Israel. Este sentido de transformação da tristeza em alegria e do luto em folguedo é traduzido pelas máscaras que, sobretudo os mais novos, usam nestes dias. É comum nestes dias verem-se centenas de pessoas mascaradas, mas isso nada tem a ver com o nosso Carnaval. Nas sinagogas (onde este clima de alegria está sempre presente) e durante a leitura do Livro de Ester, há quem faça soar os reco-recos (foto à direita) sempre que o nome de Hamã é pronunciado, com o intuito óbvio de o "apagar", ou simplesmente faça uma "pateada" com o mesmo intuito.
2.º- A ordem para a realização de banquetes
É um tempo de festas em Israel. As famílias, os amigos, os crentes, juntam-se para celebrar. É uma época em que a gastronomia própria destes dias marca lugar, e de que destacamos as "Orelhas de Hamã", um bolo de forma triangular, com recheio de figo, chocolate, etc. (foto à esquerda)
3.º- O envio de presentes uns aos outros e aos pobres
A fartura à mesa de cada família não faz esquecer os amigos, nem os mais necessitados. Assim, são separadas "porções" para aqueles que não estão presentes, mas que são destinatários da bênção de cada um que celebra a alegria da intervenção divina no primeiro Purim. Aos pobres, também é usual dar ofertas em dinheiro.


Por que se chama Purim?
Ester 3:7 No primeiro mês (que é o mês de nisã), no ano duodécimo do rei Assuero, se lançou Pur, isto é, a sorte, perante Hamã, de dia em dia e de mês em mês, até ao duodécimo mês, que é o mês de adar.
Ester 3:13 E as cartas se enviaram pela mão dos correios a todas as províncias do rei, que destruíssem, matassem, e lançassem a perder a todos os judeus desde o moço até ao velho, crianças e mulheres, em um mesmo dia, a treze do duodécimo mês (que é mês de adar), e que saqueassem o seu despojo.
Ester 9:23 E se encarregaram os judeus de fazerem o que já tinham começado, como também o que Mardecai lhes tinha escrito. 24 Porque Hamã, filho de Hamedata, o agagita, inimigo de todos os judeus, tinha intentado destruir os judeus; e tinha lançado Pur, isto é, a sorte para os assolar e destruir. 25 Mas, vindo isso perante o rei, mandou ele por cartas que o seu mau intento, que intentara contra os judeus, se tornasse sobre a sua cabeça; pelo que o enforcaram a ele e a seus filhos numa forca. 26 Por isso, àqueles dias chamam Purim, do nome Pur;
Como vemos, o termo Purim significa e alude às "sortes" que foram lançadas sobre o povo judeu. Essas "sortes", ou sorteio, determinaram o dia em que o povo judeu deveria ser exterminado.

Por que é que o Purim ainda é festejado nos dias de hoje pelos judeus?
Ester 9:26 pelo que também, por causa de todas as palavras daquela carta, e do que viram sobre isso, e do que lhes tinha sucedido, 27 confirmaram os judeus e tomaram sobre si, e sobre a sua semente, e sobre todos os que se achegassem a eles que não se deixaria de guardar esses dois dias conforme o que se escrevera deles e segundo o seu tempo determinado, todos os anos; 28 e que estes dias seriam lembrados e guardados geração após geração, família, província e cidade, e que estes dias de Purim se celebrariam entre os judeus, e que a memória deles nunca teria fim entre os de sua semente.
Pela leitura destes versos entendemos que, enquanto houver judeus na terra, o Purim será celebrado. Não só em Israel, mas também em toda a "província e cidade" (onde haja judeus), uma celebração "sem fim" anunciado, de geração em geração.


Eduardo Fidalgo

segunda-feira, 9 de março de 2009

Viagem ao Israel Bíblico 2009 - Preços Actualizados

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Julho 2009 - Viagem ao Israel Bíblico - Julho 2009
PREÇOS ACTUALIZADOS
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Visitas guiadas aos melhores locais de Israel – Bons hotéis
Pensão completa – Guias em português

24 JULHO – LISBOA > TEL AVIV
Comparência no aeroporto de LISBOA. Embarque no voo directo para TEL AVIV. Noite a bordo.
25 JULHO – JAFFA > TEL AVIV > CESARÉIA > MEGGIDDO > CARMELO > NAZARÉ > TIBERÍADES
Chegada e recepção no aeroporto Ben Gurion. Viagem em autocarro privativo até Hotel em TEL AVIV, para pequeno-almoço. Início das visitas guiadas à cidade de JAFFA, a antiga Jope, onde Jonas foi cuspido da baleia e onde o apóstolo Pedro teve a visão do lençol cheio de animais imundos. Visita à casa de Simão o curtidor. Vista panorâmica de TEL AVIV. Visita à antiga cidade romana de CESARÉIA MARÍTIMA, antiga capital, onde Paulo esteve preso antes de embarcar para Roma. Visita ao teatro, ruínas do tempo dos romanos e dos cruzados, e ao aqueduto. Continuação até MEGGIDDO. Almoço no parque arqueológico, seguido de visita às ruínas desta cidade fortaleza do tempo do rei Salomão. Subida ao miradouro, de onde se avista todo o vale de Meggiddo, onde se travará a batalha do ARMAGEDON. Descida pelo Túnel de Ezequias, e continuação até ao MONTE CARMELO, local onde o profeta Elias confrontou e venceu os profetas de Baal. Continuação até NAZARÉ, para visita à aldeia de Jesus, uma reconstituição da vida na pequena aldeia de Nazaré, como seria nos dias de Jesus. Continuação até TIBERÍADES. Jantar e alojamento no Hotel ****

26 JULHO – GALILÉIA > LAGO DE TIBERÍADES > BANIAS > TIBERÍADES
Pequeno-almoço no Hotel. Visita aos locais na GALILÉIA onde Jesus desenvolveu o Seu ministério: MONTE DAS BEM AVENTURANÇAS, com tempo para leitura e orações. Visita à Igreja em TABGHA, que assinala o local do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. Continuação para visita ao lago, e às ruínas da cidade de CAFARNAUM, com a antiga sinagoga e a casa de Pedro. Travessia do MAR DA GALILÉIA em barco de madeira, réplica dos que se usavam nos dias do Senhor. Almoço e visita ao kibbutz de EIN GEV. Continuação para BANIAS, a antiga CESARÉIA FILIPOS, onde Pedro confessou a Cristo como Senhor. Visita às antigas ruínas e regresso a TIBERÍADES. Jantar e alojamento no Hotel.

27 JULHO – RIO JORDÃO > JERICÓ > QUMRAM > MASADA > MAR MORTO > JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Visita ao RIO JORDÃO, com possibilidade de realização de baptismos. Visita às ruínas de BEIT SHEAN, as maiores de todo o Israel e uma das cidades da Decápolis. Continuação pelo VALE DO JORDÃO, até JERICÓ, com possível visita (dependendo da situação política da altura). Almoço em QUMRAM, seguido de visita às ruínas desta cidade onde vivia a comunidade essénia, que se dedicava a uma vida austera e a copiar manuscritos da Bíblia. Continuação até MASSADA. Subida em teleférico para visita a esta impressionante cidade fortaleza edificada pelo rei Herodes, e onde 960 judeus preferiram a morte colectiva à rendição diante dos romanos. Descida até ao MAR MORTO, o local mais profundo da terra! Tempo para banhos nesta água onde ninguém afunda! Subida até à capital eterna de Israel, JERUSALÉM! Jantar e alojamento no Hotel ****

28 JULHO – JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Visita aos locais mais importantes da Cidade do Senhor: MONTE SCOPUS, de onde se avistará toda a cidade santa. Descida ao MONTE DAS OLIVEIRAS, e entrada no HORTO DO GETSEMANE, para meditação e oração. Continuação até ao MONTE SIÃO, com visitas ao túmulo do rei David e subida ao Cenáculo, local da última Ceia. Almoço e continuação para visita à cidade de BELÉM. Travessia do controle fronteiriço, e visita à Igreja da Natividade e ao campo dos pastores. Tempo para compras e regresso a JERUSALÉM. Jantar e alojamento no Hotel.

29 JULHO – JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Visita ao MURO DAS LAMENTAÇÕES e subida à esplanada do templo, actualmente ocupada pelas mesquitas de Omar e El Aqsa. (entradas não incluídas). Descida ao Museu Ophel, com representação visual do que era a vida no templo de Jerusalém nos dias de Jesus. Visita às ruínas do parque arqueológico, incluindo os degraus que ascendiam ao templo. Visita à Cidade de David e ao tanque de Siloé. Almoço. Saída até ao Jardim do Túmulo, para visita ao túmulo vazio de Jesus e celebração da Ceia do Senhor. Tempo livre para compras na cidade velha. Jantar e alojamento no Hotel.

30 JULHO – JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Passagem pelo túnel que acompanha as muralhas originais que sustentavam o templo de Herodes. Saída pela Via Dolorosa, que percorreremos até ao Local da flagelação (Lithostrotos), onde desceremos ao piso dos dias do Senhor, com marcas gravadas que indicam o local onde o Senhor Jesus terá sido flagelado e julgado. Almoço. Visita ao Museu do Livro, onde se encontram antigos manuscritos da Bíblia. Visita à maquete de Jerusalém como era há 2 mil anos. Visita ao Museu e Memorial do Holocausto. Jantar e alojamento no Hotel.

31 JULHO – JUDEIA > AEROPORTO > LISBOA
Pequeno-almoço no Hotel. Visita a uma comunidade de judeus messiânicos (crentes), com visita ao pequeno parque bíblico e almoço. Partida para o aeroporto de Ben Gurion. Embarque no voo directo para LISBOA. Refeição a bordo. Chegada, desembarque.

NOVO PREÇO ESPECIAL POR PESSOA EM QUARTO DUPLO: 1.400 €

SUPLEMENTO PARA QUARTO INDIVIDUAL: 260 €

Peça informações mais detalhadas e inscreva-se em

APARTADO 4344 – 4006-001 PORTO / TEL. 933-458-310 / viagens.shalom@clix.pt

ou em BEIT ISRAEL / beit.israel.pt@gmail.com
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Viagem pelo Calendário Judaico

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As nossas raízes espirituais estão em Israel, no povo judeu. Conhecer Israel é, em parte, conhecermo-nos a nós próprios. O Apóstolo Paulo escreveu um tratado acerca das raízes e dos ramos de uma certa árvore espiritual, analisando as suas origens assim como a sua subsistência perante Deus. Tal tratado move-nos diariamente a persistir naquele que é um dos grandes objectivos de BEIT ISRAEL: dar a conhecer este povo e a sua terra, o seu enquadramento no mundo e também no plano de Deus.
Durante todo o ano de 2009 faremos uma viagem pelo calendário judaico. Iremos deter-nos nos tempos do Tempo: nos dias especiais para Israel, que vão desde as suas grandes festas nacionais até aos feriados menos significativos. E, se para as primeiras teremos a Bíblia por nossa companhia (ainda que muitas destas festas não sejam celebradas pelos cristãos), o desconhecimento das últimas será mais evidente...

Faremos a nossa caminhada até Dezembro, dividindo esses dias especiais em três grupos:
– As Festas do Senhor –
Dias significativamente espirituais para Israel, com fundamento bíblico, e que ainda hoje são marcantes para o povo judeu. Iremos falar acerca da Páscoa Judaica, Pentecostes, Yom Kippur, Purim, etc.
– Dias bons – Chamados de Yom Tovim (dias bons) pelos judeus, são datas de menor importância, muitas delas não mencionadas pelo nome nas escrituras, mas estão presentes de uma forma mais "escondida", muitas vezes associadas a assuntos que nós bem conhecemos. Como exemplo, citamos aquele dia bom que agora abordamos: Tu B’Shevat, o Ano Novo das Árvores.
– Datas com História – Neste item iremos abordar dias com uma componente histórica para Israel, seja da História antiga ou moderna. Basicamente, são feriados civis associados à sua cultura. Foi precisamente com um feriado destes que começámos a nossa viagem pelo calendário hebraico, no dia 27 de Janeiro: o dia em Memória das Vítimas do Holocausto. Curiosamente, este foi não só um dia de memória nacional, mas também uma data escolhida pelas Nações Unidas para ser recordada a nível mundial.


O objectivo desta viagem pelo calendário judaico, não é o de produzir materiais com um conteúdo denso, nem teríamos capacidade para tal, dada a riqueza de interpretações e perspectivas que estes dias trazem ao povo judeu. O interesse que preside à publicação destes artigos sobre os tempos do Tempo é o de informar de tal forma que o leitor tome contacto com uma cultura diferente da nossa, que a respeite e..., que talvez lhe venha a captar o seu interesse.


Eduardo Fidalgo

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Tu b' Shevat

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Dia 9 de Fevereiro de 2009. Em Israel é 15 do mês de Shevat. Hoje é Tu b’ Shevat. Com ele inicia-se o chamado Ano Novo das Árvores. De forma a entendermos melhor este feriado de importância menor para os israelitas, poderíamos mencionar as suas semelhanças com o Dia da Árvore, ainda que ele não se esgote num carácter ecológico, mas tenha também um enquadramento com aspectos espirituais.

Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores são do SENHOR; santas são ao SENHOR. Levítico 27:30
Tu b’ Shevat é o ponto médio do inverno em Israel. Shevat é o mês de grandes chuvas, em que as árvores, tendo absorvido as águas do ano anterior, tão importantes ao seu crescimento, começam a florescer e a dar fruto.
E em que dia específico devia ser celebrado Tu b’ Shevat? Espelho do que aconteceu muitas vezes no passado, esta data foi objecto de um diferendo entre as escolas de Hillel e Shammai. Sabemos que estas duas escolas – na verdade, duas correntes de pensamento – marcaram uma acentuada influência nas interpretações que deram luz (e trevas) à Torah no tempo de Jesus. Celebrado hoje a dia 15 de Shevat, ficou orientado de acordo com a escola de Hillel. Mas porquê tal desentendimento? Sendo que o Tu b’Shevat era a data-referência do início e o final do ciclo da agricultura, o dia em si classificava o que era considerado dízimo (das árvores e frutos posteriormente entregues no Templo em Jerusalém) e o que não era.

E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra. E assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie e árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. Génesis 1:11-12
E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado. E o SENHOR Deus fez brotar da terra toda árvore agradável à vista e boa para comida, e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal. Génesis 2:8-9
E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Génesis 2:16-17

Nos dias de hoje, e ao contrário do muito do que vemos em noutras festas na terra de Israel, a celebração deste dia não se rege por normas rígidas, nem quaisquer rituais. É um dia em que o judeu mostra o seu carinho, apreciação e gratidão para com a terra, os frutos e as árvores. As árvores ocupam, aliás, um lugar muito especial e importante na relação do judeu com o mundo, e também na relação do judeu com Deus. No acto da criação, assim que a terra firme passou a existir, Deus criou as árvores. Elas foram criadas antes de qualquer animal ou do próprio homem. E quando este apareceu na terra, Deus continuou a lidar de perto com as árvores, plantando um jardim, e no centro dele uma árvore especial. O primeiro reparo divino que foi feito a Adão colocava em árvores, especialmente em duas, a expressão da sua obediência ou desobediência.
Na verdade, o homem deveria ser como uma árvore. Tal como as raízes fortes de uma árvore a ligam à terra, o homem deveria estar intimamente ligado a Deus. O tronco e os ramos, a maior parte visível na árvore, deveriam ser também no homem a analogia física, e um reflexo daquela dependência. Mas o seu verdadeiro objectivo, tal como o da árvore, deverá ser o fruto. É o fruto que alcança as gerações seguintes. É o fruto que dá a outros, que traz benefício, partilha, enriquecimento. Neste dia, medita-se sobre o que se tem posto à disposição dos outros.

Porque o SENHOR, teu Deus, te mete numa boa terra, terra de ribeiros de águas, de fontes e de abismos, que saem dos vales e das montanhas; terra de trigo e cevada, de vides, figueiras e romeiras; terra de oliveiras, abundante de azeite e mel; Deuteronómio 8:7-8
No dias de hoje, permanece o costume de comer das qualidades de frutos dos quais o antigo Israel era fértil, que foram objecto de promessa divina, e que estão expressos na passagem de Deuteronómio. São sete, e são conhecidos como as sete espécies da terra de Israel. Eram estes os frutos que eram trazidos ao Templo como primícias, e são estes ainda aqueles que não devem faltar na casa de cada família no Israel de hoje, para memória...

Quando entrardes na terra e plantardes toda sorte de árvore de comer, ser-vos-á vedado o seu fruto; três anos vos será vedado; dele não se comerá. Porém, no quarto ano, todo o seu fruto será santo, será oferta de louvores ao SENHOR. No quinto ano, comereis fruto dela para que vos faça aumentar a sua produção. Eu sou o SENHOR, vosso Deus. Levítico 19:23-25
Mas as árvores que souberes que não são árvores de comer destruí-las-ás e cortá-las-ás; Deuteronómio 20:20a

Antes de entrarem na terra Deus tinha preparado o povo de Israel para determinados procedimentos, que incluiam passos de fé na provisão divina. Herdar aquela terra trazia consigo a responsabilidade de actos práticos e concretos de obediência que se traduziam na sua dependência de Deus. Também o abate de árvores de fruto lhes estava vedado. Não é estranho para o judeu que Deus se tenha mostrado sempre com um carácter amigo da terra, verdadeiramente ecológico.
Por causa do seu fruto, a árvore tem este forte sentido de continuidade, de alcance genealógico. No dia de hoje, em Israel, as crianças em idade escolar plantam árvores. Após o estabelecimento de Estado de Israel, em 1948, Israel incrementou em força uma política de reflorestação do país. É neste dia que esse esforço tem o seu carácter simbólico, mostrando às crianças que a ideia de plantar e criar raízes está associada à vontade do povo judeu de se fixar na sua terra, como se cada homem fosse uma árvore.


Eduardo Fidalgo

Veja um pequeno filme (em português), acerca do significado do Tu b’ Shevat, numa comunidade judaica do Brasil

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Há "um" messias na América ...

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20 de Janeiro de 2009. Apesar dos seis graus negativos, uma massa humana estimada em mais de dois milhões de pessoas fez questão de marcar presença na cerimónia de investidura do 44.º Presidente dos Estados Unidos da América. A multidão estendeu-se por cerca de dois quilómetros, e, para conseguir um lugar, muitos tiveram de chegar de madrugada, seis horas antes. Dentro desse perímetro de privilégio, a segurança não facilitou, e nenhum perigo foi minimizado. Ao todo, mais de 40.000 homens – entre polícias e soldados – zelaram pela normalidade do acto, para já não falar dos 2500 agentes infiltrados entre o público. Nos ecrãs-gigantes, desfilavam imagens do povo que aguardava. Em cada rosto, muita expectativa.

"Bendito aquele que vem..."
Os tempos não vão serenos, e o mundo está mergulhado numa tremenda crise social e financeira como há décadas não se assistia. A sombra do desemprego e o espectro da pobreza já chegaram aqui, à América. Nenhuma nação, ninguém..., parece estar a salvo. Nesse dia, porém, houve festa. Para além da esperança depositada na nova presidência, havia a convicção de que algo mais tinha sido alcançado. E a prova, era precisamente a cerimónia que estava prestes a começar, e que tinha por figura central aquele por quem todos tinham vindo – Barack Obama. E não somente os que estavam presentes, mas muitos milhões de outros que assistiam pelas televisões estavam da mesma forma solidários, e foram americanos por um par de horas. Declararam tréguas à crise, para saudar o homem que multiplicou a esperança de todos através do seu carisma e da sua personalidade.
E quando Barack Obama saiu pela porta que dava acesso à tribuna, foi como se se tivesse libertado no ar um aroma de tempos renovados. Foi como se naquele momento a América entrasse numa era de governação mais justa, ou como se princípios novos tivessem sido resgatados de um cativeiro e colocados à disposição deste povo, ... ou do próprio mundo.. A empatia gerada com aquele homem de sorriso fácil e franco traduziu-se um brado silencioso, que inundou completamente a multidão: "Bem-vindo aquele que vem...".

"Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra, pois já os meus olhos viram..."
Entre eruditos e cantores, o presidente-eleito jurou fidelidade sobre uma Bíblia com história. Foi o primeiro afro-americano a fazê-lo. Agora, na televisão, as imagens eram ainda mais vibrantes: lágrimas rolavam pelas faces de muitos, cujos lábios tremiam, crispados de comoção. Milhares de olhos dirigiram-se para o céu, agradecendo a Deus terem visto aquele dia marcante e histórico. Era como se Lhe dissessem: "Agora, Senhor, já posso morrer em paz, ... porque os meus olhos viram este dia..."
Nesse mesmo instante, a 12 mil quilómetros dali, em Kogelo, no Quénia, a terra-natal do pai de Obama, o povo entoava cânticos: "A nossa criança, a nossa esperança..."

A Besta
Hora e meia após o início da cerimónia, já um Obama-presidente deixava o Capitólio e entrava naquela que será desde agora a sua viatura oficial: o Cadillac, por muitos conhecido como a Besta! Foi dessa forma que os serviços secretos norte-americanos baptizaram o Caddy, um carro-fortaleza ultra-secreto, que relega James Bond para uma personagem do passado. O que conhecemos são apenas as migalhas atiradas para o público, precisamente e só aquilo que se quis divulgar. Para além das mordomias a que Obama tem direito, está presente um equipamento de suporte de vida – oxigénio, e uma reserva do seu tipo de sangue. A Besta está equipada com câmaras de visão nocturna e armamento diverso, pneus com estrutura de aço, totalmente blindado e protegido contra armas químicas. O resto fica no domínio da imaginação. Sabe-se, isso sim, que tudo neste carro foi concebido para servir e proteger o presidente. Não só pela era pós-11 de Setembro, mas também pela dinâmica que muitos lhe adivinham, Barack Obama foi desejado, recebido e aceite como "um" messias na América. Porém, este messias não chega montado num jumento, nem tem dificuldades em encontrar lugar onde reclinar a sua cabeça.

A mega-crise
São evidentes as convulsões no mundo. Os tempos são de uma enorme agitação social, motivada pela mega-crise económica. E, se nas crises do passado os pobres ficaram sempre mais pobres e os ricos sempre mais ricos, desta vez não. Na verdade, muitos dos poderosos deste mundo têm caído, não sem antes arrastarem outros na queda. Milhões e milhões de pessoas vêem os seus postos de trabalho em perigo, e a cada dia que passa milhares deles entram no exército dos desempregados, passando a viver de programas que um pouco antes se destinavam somente aos que eram tocados pelo infortúnio.
É hoje muito clara a consciência de que as soluções não devem ser articuladas numa perspectiva regional, mas sim planetária. No entanto, até agora não foi possível caminhar. Não surgiu ninguém com capacidades de liderança dessa grandeza. Terá de ser alguém que compreenda as várias sensibilidades, que encontre uma plataforma de entendimento, um equilíbrio a partir do qual se possa trabalhar. Para muitos, Obama pode ser esse homem. É certo que ele é somente o presidente dos EUA, mas sabemos também que quase tudo o que acontece na América se faz sentir no mundo como um tsunami. Muitos acreditam que ele tem na mão a chave para um futuro promissor. Será Obama o guia para esse admirável mundo novo, o libertador que o mundo aguarda?

Barack Hussein Obama (ver perfil)
A capacidade de diálogo e entendimento que lhe é atribuída, é, ironicamente, reforçada por traços que são no mínimo, curiosos. São meramente simbólicos, mas apontam estranhamente para Barack Hussein Obama como se ele fosse senhor de um código genético perfeito para a moderação das grandes causas. Veja-se: o seu nome é meio-hebraico e meio-árabe. Na verdade, traz consigo tanto o Barack de Israel, como o Hussein do Islão. O sangue que lhe corre nas veias, meio-branco e meio-negro. A cor da pele é testemunha disso. Meio-branco por parte da mãe, e meio-negro por parte do pai. Ela era americana e ele queniano, filhos de dois continentes muito diferentes: do mais rico, e do mais pobre do planeta. Sintomaticamente, este seu cunho que nivela as diferenças está patente no discurso. Ainda há pouco tempo, acerca da religião em democracia, afirmou: "... a América já não é um país exclusivamente cristão. Agora, é também um país judaico, muçulmano, budista, hindú, e uma nação de descrentes." (Veja o filme, legendado em português.)

O insólito das posições de Obama
Barack Obama tem tomado posições que muitos têm aclamado como revolucionárias. No entanto, elas são insólitas, não por causa da originalidade do que defendem, mas porque nos habitámos ao vazio de ética e justiça que reina na política mundial. A classe governante serve-se escandalosamente da dialéctica: a arte de persuasão pelas palavras. Habituados a ver "provar" que o mau é "bom", ou que o nefasto nos fará "bem", somos surpreendidos quando um político nos confirma que afinal o "branco" é como nós pensamos ser. Vejamos algumas das situações em que Obama teve a coragem de assumir posições "insólitas":

"... a César o que é de César..."
Ainda que a sua governação seja por agora um plano de intenções, há muito que ele se propôs transformá-la num caderno de encargos. Na verdade, a ética afigura-se como uma das imagens de marca da sua administração. Recentemente assistimos ao desagrado contido com que reagiu ao "lapso" do homem escolhido para Secretário do Tesouro. Timothy Geithner "esqueceu-se" do pagamento de alguns impostos. Segundo o próprio, "um erro de boa-fé". O descontentamento de Obama, mais que um aviso, foi a exortação didáctica que significou: "... a César o que é de César..."
E também nos últimos dias, quando mais dois escândalos relacionados com escolhas do presidente vieram a público, as suas próprias palavras foram "... é importante que esta administração mostre que não pratica uma política de dois pesos e duas medidas ..."

"... ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa ..."
A sua escolha de colaboradores foi sempre rodeada de contornos peculiares e até contrários à política vigente. Obama nunca olhou às cores partidárias, nem deu muita atenção aos nomes nas cadeiras, estivessem elas no seu partido ou no outro. Daí a chamar muitos desses nomes, foi um passo. E note-se que nem sempre lhe fizeram considerações simpáticas, nos tempos em que ele era ainda e só o candidato negro. Joseph Biden, por exemplo, foi escolhido para a vice-presidência, mas quando Obama se mostrou aos americanos como candidato à Casa Branca, Biden teceu comentários considerados ofensivos às suas origens africanas, defenindo-o como "...o primeiro negro de posição centrista que é articulado, brilhante, limpo e de boa aparência ..." Obama optou por seguir uma conduta de alheamento a estes pequenos incidentes e de pacificação perante situações delicadas. Na prática, é como se cumprisse o elevado princípio de caminhar a segunda milha com quem o desafia: "... ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas....".

"Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo."
E após ter ocupado a presidência, uma das primeiras medidas que tomou foi a de congelar os salários dos que trabalham na Casa Branca e que auferem um salário anual superior a 100.000 dólares. Num país com tantas assimetrias sociais, o discurso de tomada de posse foi bem claro, e apenas o primeiro indício: "...aqueles dentre nós que gerem o dólar público serão cobrados ... porque só então conseguiremos restabelecer a confiança vital entre as pessoas e seu governo." Isto é o que Obama queria dizer ao falar "da força do exemplo, em vez do exemplo da força". Uma atitude anti-farisaica, o exemplo vindo de dentro, a necessidade de "...limpar primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo".

"... apregoar liberdade aos cativos, ... pôr em liberdade os oprimidos ..."
A cadeia na Baía de Guantanamo, onde os presos se amontoam sem quaisquer direitos e sujeitos a torturas, foi dos maiores calcanhares de Aquiles na administração Bush. Obama não perdeu tempo em fazer cumprir uma promessa eleitoral, e, uma das primeiras medidas tomadas, foi a de iniciar o processo de encerramento da prisão. Será que esta vai ser uma das poucas vezes na História em que um governante associa os conceitos de ética pessoal, de justiça pública e misericórdia pelo seu semelhante? Quem é este homem, que tem a coragem de "... proclamar liberdade aos cativos e a abertura de prisão aos presos; ...?

Um imitador ou uma imitação?
Os grandes dramas do mundo têm conduzido a uma divergência global, e, até hoje o lema tem sido: "conseguiremos a paz, ainda que para isso tenha de haver guerra". Pelo falhanço continuado, a paz constitui-se como o maior dos anseios.
Esta voz revolucionária, surgindo num contexto de déficit de lideranças bem-sucedidas, lança a imagem de um Obama-messias, aclamado pelas massas como o único capaz de mudar o estado das coisas. Um jornalista que cobriu a tomada de posse definiu o momento como sendo: "o dia de viragem da História!" Para uma Nova Ordem Mundial (?), perguntamos nós. Certamente, essa mesma História vai encarregar-se de nos mostrar se a aclamação "messiânica" foi ou não precipitada.

A verdade é que Obama ainda não tem um passado político tão marcante que nos dê garantias de fazer melhor do que outros já fizeram. As expectativas criadas em torno dele, são mais fruto do desespero geral que devidas a um curriculum incontornável, ou a provas dadas no passado. São mais devido à falta de soluções do mundo que fruto de créditos já firmados na política. Senhor de uma retórica brilhante, que tem chamado a atenção até de líderes pouco convencionais, parece que o mundo inteiro está estranhamente seduzido e rendido aos pés deste homem, e disposto a depositar o futuro nas suas mãos.

Sejamos honestos. Muitos dos conceitos surpreendentes anunciados por Barack Hussein Obama ao mundo, não são criações inovadoras. Há muito que foram proclamados pelo Messias da Bíblia, o mesmo Jesus que Obama afirma ensinar princípios tão radicais quese tornam impossíveis de atingir.Mas a grande incógnita neste momento está em se entender a sua verdadeira posição: será ele um imitador do Messias ou uma imitação? Um imitador do Messias será sempre remetido para a aprendizagem, a obediência e a dependência. A imitação do Messias, por outro lado, remete para o abuso, para o embuste e fraude grosseira. Foi o verdadeiro Messias quem afirmou: "Muitos virão em meu nome..."

A História mostra-nos que a capitulação dos povos perante a "genialidade" de um homem já é um caminho conhecido, e que nunca levou a bons resultados.

Mas a Bíblia..., aquela Bíblia sobre a qual Barack Obama jurou fidelidade diz-nos "... sabeis diferençar a face do céu e não conheceis os sinais dos tempos?" "E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; porém tudo isto é o princípio das dores."
Barack Hussein Obama – Um imitador ou uma imitação? Os tempos, e os sinais dos tempos vão encarregar-se de nos mostrar.

Eduardo Fidalgo

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A Bíblia mutilada

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A Bíblia mutilada


Esta peça é um comentário a declarações feitas por Barack Obama sobre religião na América. Veja também o filme, legendado em português.

Barack Obama afirmou (sic):
"Dada a crescente diversidade das populações dos Estados Unidos, os riscos do sectarismo estão maiores que nunca. O que quer que nós já tenhamos sido, nós não somos mais uma nação cristã. Pelo menos, não somente. Nós somos também uma nação judaica, uma nação muçulmana, e uma nação budista, e uma nação hindu, e uma nação de descrentes. E mesmo se nós tivéssemos apenas cristãos entre nós, se expulsássemos todos os não-cristãos dos Estados Unidos da América, o cristianismo de quem, nós ensinaríamos nas escolas? Seria o de James Dobson, ou o de Al Sharpton?
Que passagens das Escrituras deveriam instruir as nossas políticas públicas? Deveríamos escolher o Levítico, que sugere que a escravidão é aceitável? E que comer frutos do mar é uma abominação? Ou poderíamos escolher o Deuteronómio, que sugere apedrejar o seu filho, se ele se desviar da fé? Ou deveríamos apenas ficar com o Sermão da Montanha? Uma passagem que é tão radical que é de se duvidar que o nosso próprio Departamento de Defesa sobreviveria à sua aplicação.
Nós... Então, antes de nos empolgarmos, vamos ler as nossas Bíblias agora. As pessoas não têm lido a Bíblia."


Que Bíblia?
É do domínio público que Barack Obama fez o seu juramento solene sobre a Bíblia de Abraham Lincoln. O mundo assistiu. Partindo dessa imagem, poder-se-ia concluir que o presidente tem uma relação de proximidade com as Escrituras. No entanto, as declarações que acabámos de transcrever, proferidas a 28 de Junho de 2006, "Time to renewal" (Tempo de renovação), parecem desmentir essa impressão. Ao falar acerca de religião em democracia, o presidente pergunta: "Se a América só tivesse cristãos, que cristianismo ensinaríamos nas nossas escolas?", para logo de seguida, e em cima desta, colocar outra questão, de maior amplitude: "Que passagens das Escrituras deveriam instruir as nossas políticas públicas?"
E, como exemplos do que em democracia não deve nem pode ser feito, Obama alude a alguns versículos dos livros do Êxodo e Deuteronómio, exactamente aqueles que acolhem no seu seio os Dez Mandamentos (Êxodo 20 e Deuteronómio 5), só para mencionar dois textos fundamentais. Para além disso, aborda o Sermão que Jesus ensinou no monte, definindo-o como tão radical que acaba por ser impossível de o levar à pratica, despojando-o do seu significado altamente espiritual que por todos é reconhecido. Para o ilustrar, quase nos sugere a imagem de burocratas no Departamento de Defesa, vencidos por conceitos alucinados e inúteis. Talvez para não entrar em campo minado, não mencionou a pena de morte, que a Bíblia também aborda, mas que já é suficientemente democrática na América... Noblesse oblige.


As conclusões a que o presidente chega, são, efectivamente inquietantes, e merecem, também da nossa parte, algumas considerações e algumas perguntas.

Em primeiro lugar, a exposição que faz dos textos sagrados do Velho Testamento, é lamentável. Oxalá se venha a mostrar melhor político que exegeta bíblico. Acaba por dar força à máxima: "Texto fora do contexto, é pretexto." Ao retirar aquelas passagens do seu enquadramento cultural, histórico e teológico, elas caem (claro!), sem estrutura que as suporte, e aparentemente condenáveis.
Em segundo lugar: O presidente retalha a Bíblia, e certamente estará preparado para mutilar todas as passagens que, a seu ver, sejam um empecilho para a sua democracia. Porém, parece esquecer-se de um facto:
A América tornou-se o país de vanguarda que é, muito por causa dos princípios cristãos que os seus fundadores imprimiram à sua governação, e que conduziram o país ao lugar de maior democracia mundial. Por outro lado, é uma incógnita se a actual Babel de religiões, a proclamada América-cristã-judaica-muçulmana-budista-hindú-descrente irá manter o país nessa posição.
A origem do poder que a América já mostrou ao mundo, foi identificada pelos próprios governantes, quando foi mandado imprimir nas suas notas a
inscrição "In God we trust" (Cremos em Deus). Mas como se comportará a América perante o princípio democrático aceite de "In gods we trust" (Cremos em vários deuses)?
Em terceiro lugar: Não fica clara a razão por que Obama fez o seu juramento sobre uma Bíblia. Afinal de contas, ele informa-nos que a América já não é só um país cristão... Mas, uma vez que a usou, isso deveu-se à tradição ou às convicções do presidente?
Em quarto lugar: Se, na sua perspectiva, a Bíblia contém tantos obstáculos ao bom desenrolar da democracia, que é necessário retirar alguns do caminho, em consciência, sobre que parte, ou sobre que partes da Bíblia prestou juramento este presidente? Creio que nenhum cristão esclarecido lhe agradecerá tê-lo feito sobre uma Bíblia mutilada (não a de
Lincoln, mas a de Obama).
Em quinto lugar, parece-me que o que o presidente propõe não são as religiões em democracia, mas antes, a democracia das religiões.

Exemplificando com a problemática do aborto e o cristianismo, Obama mostra que em benefício da sociedade, ao cristão só lhe resta a possibilidade de empenhar princípios fundamentais da sua fé sempre que não os possa traduzir em termos racionais aceitáveis. Esta erosão de valores e princípios, implementada a nível de todos os credos, conduz pura e simplesmente a uma religião única, a uma das etapas de uma Nova Ordem Mundial, tão abertamente desejada pelos políticos mundiais!

Em sexto lugar: A Bíblia permanece inalterada. Inicia-se em Génesis e termina no Apocalipse. É una, indivisível, divinamente inspirada e inerrante. Já resistiu e sobreviveu a ataques tremendos. A Bíblia não fica mutilada nem amordaçada por causa do discurso ou da acção de quem quer que seja. Bem pelo contrário, continua a falar: "Não terás outros deuses diante de mim." "... do nome de outros deuses nem vos lembreis, nem se ouça da vossa boca." "Toda palavra de Deus é pura." (Êxodo 20:3,13; Prov.30:5a). Sigamos, então, o conselho do presidente Obama: "As pessoas não têm lido a Bíblia. ... vamos ler as nossas Bíblias agora."
Eduardo Fidalgo

Veja: Abraham Lincoln e a Bíblia (em inglês)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto








Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

"Um povo que esquece a sua historia está condenado a repeti-la."
Por isso, comemora-se hoje, 27 de Janeiro de 2009, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Esta data com História foi escolhida pelas Nações Unidas para recordar todos aqueles que foram vítimas do maior massacre dos tempos modernos, destinado a erradicar todos aqueles que eram considerados indesejáveis e prejudiciais na sociedade que o regime nazi se propunha construir.
As vítimas não foram somente judeus, embora estes tenham constituído a sua esmagadora maioria. Foram também ciganos, Testemunhas de Jeová, portadores de deficiência física, comunistas, sindicalistas, etc. Todos os que fugiam ao conceito de "normalização" do regime, eram pura e simplesmente eliminados.
Dos judeus, seis milhões. Desses, um milhão e meio eram crianças. Estou certo que este último número só adquire a sua real dimensão quando visitamos o monumento que lhes foi dedicado, no Museu Yad Vashem, em Jerusalém.
Ali, ainda hoje somos quebrados, esmagados pela animalidade cometida há mais de 60 anos. Ali, as vítimas deixam de ser estatística, para passarem a ser meninos ou meninas, com nomes exactamente iguais aos dos nossos filhos, e em idade imprópria para morrer. E ao sairmos daquele espaço, perguntamo-nos: "Como foi possível?"
A violência carrega sempre atrás de si actos de injustiça e imoralidade social. As guerras de grande dimensão, potenciam-nos. E os nazis, os algozes da Solução Final – o Holocausto – idealizaram-no com inteligência, sistematizaram-no com zelo, e saborearam-lhe os resultados.


"Um povo que esquece a sua historia está condenado a repeti-la."
Cabe-nos então, ensinar os mais novos, de modo a que também eles venham a dizer: "Nunca mais!" Há que ensinar o Holocausto, e ensinar a propósito do holocausto. Porque os povos todos os dias criam novos conflitos, torna-se uma tarefa de todos os dias. Porque são os homens que fazem as guerras, e os homens somos nós.


Eduardo Fidalgo



Livro Recomendado:
ensinar o HOLOCAUSTO no século XXI
Autor: Jean-Michel Lecomte
Prefácio: Esther Mucznic

Ninguém protestou


Ninguém protestou

Um poema de Martin Niemöller*


"Quando os nazis levaram os comunistas,
eu calei-me,
porque,
eu não era comunista.


Quando eles prenderam os sociais-democratas,
eu calei-me,
porque,
eu não era social-democrata.


Quando eles levaram os sindicalistas,
eu não protestei,
porque,
eu não era sindicalista.


Quando levaram os judeus,
eu não protestei,
porque,
eu não era judeu.


Quando eles me levaram,
não havia mais ninguém que protestasse"



* Martin Niemöller
Nascido em 14 de Janeiro de 1892, em Lippstadt, Westphalia, Alemanha, Martin Niemöller foi político, teólogo e pastor protestante. Opôs-se tenazmente ao nazismo, e por causa disso passou os últimos 7 anos do regime preso nos campos de concentração de Sachsenhausen e Dachau. Martin Niemöller foi um pacifista cristão que teve a coragem de fazer frente ao próprio Furher, no momento em que foi obrigado a escolher entre o conceito de patriotismo que Hitler defendia, e as suas próprias convicções cristãs. Após a queda nazi, foi eleito Presidente da Igreja Protestante da Alemanha (l947), tendo permanecido nesse cargo até l964. Faleceu em Wiesbaden, a 6 de Março de 1984.


Fazer algo mais que recordar


Fazer algo mais que recordar

O Holocausto foi uma tragédia única e inegável. Decorridas várias décadas, a matança sistemática de milhões de judeus e de outras pessoas continua a chocar-nos. O facto dos nazis conseguirem conquistar adeptos, apesar do seu carácter profundamente depravado, continua infundindo temor. E, acima de tudo, subsiste a dor: nos sobreviventes idosos e em todos nós, membros da família humana, que fomos testemunhas dessa descida à barbárie.
A recordação constitui uma homenagem aos que pereceram, mas também desempenha um papel crucial nos nossos esforços por conter a tendência da crueldade humana. Mantém-nos vigilantes perante novos surtos de anti-semitismo e outras formas de intolerância. Além disso, constitui uma resposta essencial aos que sustentam erradamente que o Holocausto não aconteceu ou que foi exagerado.
O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto é um dia em que devemos reafirmar a nossa adesão aos direitos humanos, uma causa que foi brutalmente profanada em Auschwitz bem como pelos genocídios e atrocidades cometidos desde então.
Devemos também fazer algo mais do que recordar; devemos velar para que as novas gerações conheçam essa parte da História. Devemos aplicar as razões do Holocausto ao mundo actual e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que todos os povos gozem da protecção e dos direitos que a ONU defende.
Neste Dia Internacional, reitero o meu firme empenho em cumprir essa missão e peço a que se juntem à nossa procura comum da dignidade humana.


Ban Ki-Moon
Secretário-Geral da ONU

Veja a biografia (espanhol)

Para que nunca mais volte a acontecer!


Para que nunca mais volte a acontecer!



"É um dia para ser lembrado - não especialmente pelos judeus -

mas pela Humanidade."

Esther Mucznik - Programa "Caminhos"


... um mundo de onde o bem se ausentou...


... um mundo de onde o bem se ausentou...

Veja o vídeo na íntegra

.../...

Compreendemos o que se passou? Não compreendemos. Não se pode compreender um processo racional, burocrático e sistemático, cuidadosamente planificado e arquitectado, para realizar o irracional. No entanto, mesmo que as nossas palavras sejam irremediavelmente pobres para descrever o horror concentracionário, temos o dever de falar. Temos o dever de recordar um mundo de onde o Bem se ausentou, um mundo que negou o homem porque negou o direito a ser diferente. Milhões foram martirizados, sobretudo judeus. Honramos a memória de todas as vítimas. Mas quando se nega tão radicalmente o homem, a maior vítima é a própria humanidade. O trabalho de memória começa por ser um esforço de reconstituição de um passado que não pode ser negado. É mais do que um imperativo de justiça. Contra a indiferença, contra o esquecimento, é de uma pedagogia que precisamos: que todos saibam o que aconteceu para que todos sejam levados a agir de modo a que não volte a acontecer. Por isso, a resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas instou todos os Estados a desenvolver programas de educação que transmitam às novas gerações as lições do Holocausto. Permitam-me que recorde uma lição que nos foi legada pelo grande livro da sabedoria rabínica, o Talmude: aquele que é de todos o mais poderoso não é o que destrói o seu inimigo, mas o que transforma o inimigo em amigo. Quando esta lição, válida em todos os tempos e para todos os homens, for verdadeiramente aprendida, alcançaremos a paz abundante e a vida boa para nós e para todo o Povo de Israel que a oração que há pouco partilhámos nos promete.

Excerto da intervenção do Presidente da República por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto Sinagoga de Lisboa, 27 de Janeiro de 2008

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A Última Paragem



A páginas tantas...





"Na manhã seguinte chegou o primeiro comboio procedente de Lemberg: 45 vagões com 6700 pessoas, das quais 1450 já tinham morrido pelo caminho. Por detrás das janelas com grades olhavam-nos umas crianças terrivelmente pálidas e assustadas, com lágrimas nos olhos, do mesmo modo que os homens e as mulheres.
O comboio entrou na gare. Duzentos soldados ucranianos abriram as portas e a chicotadas obrigaram os passageiros a descer dos vagões de carga. Um altifalante ia dando instruções. Obrigava os recém-chegados a despirem-se dos pés à cabeça, colocando cuidadosamente no lugar indicado os óculos, os sapatos, depois de atar os atacadores de cada sapato para que facilmente pudesse encontrar-se o pé que correspondia ao outro. Os objectos de valor tinham de ser entregues num barracão. As mulheres e as meninas eram conduzidas com antecedência ao barbeiro que com dois golpes de tesoura lhes cortava o cabelo que introduzia nuns sacos de batatas.

O comboio pôs-se de novo em movimento. À frente ia uma formosa rapariga, nua dos pés à cabeça como todos os que a seguiam, homens, mulheres e crianças, mulheres que mantinham os seus pequenos filhos nos braços. A maior parte daqueles seres conhecia a sorte que os esperava, visto que não havia quase ninguém que se deixasse enganar. Hesitavam uns segundos, mas depois entravam nas câmaras de gás enquanto os soldados das SS continuavam a bater-lhes com os seus chicotes. Uma judia, de uns quarenta anos, amaldiçoou, aos gritos, os carrascos e o capitão Wirth, pessoalmente, bateu-lhe cinco ou seis vezes com o seu chicote na cara. Muitos dos homens e mulheres oravam em voz alta.
As câmaras iam-se enchendo. Quase que já não havia mais ninguém... de acordo com o que lhe tinha ordenado o capitão Wirth. De setecentas a oitocentas pessoas ocupavam um espaço de 25 metros quadrados, 45 metros cúbicos. Fecharam as portas. O meu cronómetro registava tudo. Cinquenta segundos, setenta segundos... o motor não funcionava. As vítimas esperavam nas câmaras de gás. Nada. Ouvímo-las chorar. O capitão Wirth bateu com o chicote no ucraniano que devia ajudar o sargento Hekenholt a ligar o motor. Aos quarenta e nove minutos, o meu cronómetro indicava a hora exacta, começou a funcionar o motor. Passaram outros vinte e cinco minutos. Efectivamente, muitos já tinham morrido. Aos vinte e oito viviam muito poucos. Finalmente, aos trinta e dois minutos todos tinham deixado de existir.
No outro extremo da câmara, os grupos de trabalho, constituídos por judeus, abriram as portas. Os mortos estavam em pé como se fossem colunas de basalto. Não havia lugar suficiente para que fossem caindo nem sequer para se inclinarem de um lado a outro. Até mortos era fácil reconhecer as famílias. Mantinham-se agarradas nas mãos de um modo que depois se tornava difícil separá-los para deixar livre a câmara para o seguinte carregamento. Tiravam os cadáveres, manchados de suor, de urina e de excrementos. Os cadáveres das crianças eram atirados pelo ar. Os chicotes dos ucranianos caíam sobre os judeus. Duas dúzias de dentistas abriam, com uns grandes ganchos, as bocas dos mortos e procuravam dentes de ouro. Outros trabalhadores investigavam os genitais e o ânus à procura de brilhantes e ouro."

Terríveis e incríveis são os depoimentos dos que foram testemunhas de todas estas cenas. Um deles foi a jornalista francesa Claude Vaillan-Couturier, deputada e dama de Legião de Honra. Presa por ter pertencido à resistência francesa foi conduzida a Auschwitz: "Vi grande número de cadáveres no pátio e de quando em quando via uma mão ou uma cabeça que tratava de mexer-se e libertar-se do peso que tinha em cima. No pátio do Bloco 25 vi correr uns ratos tão grandes como gatos, que não só atacavam os cadáveres mas também os moribundos que já não tinham forças suficientes para se defender.
Até para aqueles que tinham sido seleccionados para o trabalho a sua vida era um verdadeiro inferno. Não havia camas, mas só tarimbas de madeira e nas quais nos víamos obrigados a dormir oito ou nove pessoas, sem mantas nem palha. Às três e meia da madrugada despertavam-nos os gritos do chefe do barracão. Espancando-nos, obrigavam-nos a sair para o ar livre. Nem sequer as moribundas ficavam isentas deste tormento. E ali ao ar livre, em pleno Inverno, tínhamos de permanecer em pé até às sete ou oito da manhã...
"No Verão do ano de 1944" – continuou a relatar a testemunha – "os recém-chegados eram recebidos por uma banda militar que interpretava alegres canções antes que os destinassem aos grupos de trabalho ou à câmara de gás. Sob os acordes de ‘A viúva alegre’ eram destinados à morte."

... Durante dias e dias foram desfilando as testemunhas perante o Tribunal de Nuremberga ...

Coordenação de Eduardo Fidalgo # Excerto da obra "O Julgamento de Nuremberga", de Joe J. Heydecker e Johannes Leeb. 1.ª edição, 1962. Editorial Ibis, Lda.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Sangue NO MEU Sangue



Sangue NO MEU Sangue

Um estudo levado a cabo pelo prestigiado American Journal of Human Genetics e publicado no passado dia 5 de Dezembro pelo Jornal Público, revela dados surpreendentes acerca de memórias esquecidas no sangue que corre nas veias dos portugueses.

O estudo foi feito por uma equipa de cientistas internacionais liderada pelo Dr. Mark Jobling, e incluiu também investigadores do nosso país. Com o título de "O legado genético da diversidade religiosa e da intolerância: Linhagens paternas dos cristãos, judeus e muçulmanos na Península Ibérica", o estudo incidiu sobre uma população de mais de mil homens, habitantes dos territórios de Portugal, Espanha e Ilhas Baleares, e com raízes familiares permanentes nesses mesmos territórios desde os primeiros anos do século XX.
Em detalhe, o estudo concentrou-se na evolução do cromossoma Y, que é passado de pai para filho e na posterior análise de elementos que permitiram concluir que o sangue dos habitantes actuais da Península Ibérica tem uma forte contribuição de outras gentes, identificadas como sefarditas e magrebinos. O que significa isso? Significa pura e simplesmente que o sangue do Portugal de hoje tem uma componente importante de sangue judeu e de sangue árabe do norte de África! A notícia, não sendo uma novidade em si, é-o contudo pelo facto do estudo indiciar que esta contribuição não-Ibérica está muito acima dos valores estimáveis até hoje.
Assim, e no que toca a Portugal, o estudo foi elaborado dividindo-se o território em duas zonas distintas: uma zona Norte e uma Sul, considerando como fronteira e obstáculo natural entre as duas o sistema montanhoso Montejunto-Estrela. A Norte, chegou-se a um valor de 23,6% de sangue sefardita, e 11,8% de magrebino. E a Sul de 36,3% e 16,1%, respectivamente. O que nos leva a uma inesperada média nacional de 30% de sangue judeu e 14% de sangue magrebino. Uma outra conclusão surpreendente é a de que os valores em Portugal são mais elevados que em qualquer região de Espanha, apesar da presença quer de judeus quer de árabes no país vizinho ter sido incomparavelmente maior. Como são possíveis valores de tal grandeza no nosso país? Podemos entender o estudo ora divulgado face aos acontecimentos históricos?

Cristãos-novos e criptojudeus – Pegadas de ADN
Judeus e árabes entraram na Península Ibérica em épocas remotas, mas em tempos diferentes. Primeiro vieram os judeus, crê-se que no limiar da era cristã, e depois os árabes por volta do séc. VIII (o nascimento do Reino de Portugal ainda vinha longe). Mas, se é certo que judeus e árabes não chegaram juntos, estiveram, no entanto, de mãos dadas no final infeliz que o Rei D. Manuel lhes preparou.
Refiro-me a pelo menos três circunstâncias especiais que envolveram e ditaram a sorte destas duas comunidades. Em primeiro lugar, é claro, o Édito de Expulsão dos Judeus, cujo texto já aqui publiquei, e o enquadramento social e político de que esse documento se revestiu, nomeadamente como uma clara cedência perante a corte espanhola, face ao casamento do monarca com a infanta D. Isabel, filha dos Reis Católicos. Não nos esqueçamos que esse Édito de 1496 arruinou a segurança não só dos judeus que habitavam no Reino português, mas também de todos aqueles que, desde 1492, ou seja, 4 anos antes, tinham fugido de Espanha por causa de uma lei de expulsão semelhante, e se tinham refugiado entre nós.
Em segundo lugar, a conversão forçada ao catolicismo assim como os raptos de judeus menores de idade, actos perpretados sempre com o aval do rei, e todos com o intuito de "fixar" no território lusitano o maior número possível de famílias judaicas.
E em terceiro lugar, numa visão mais alargada no tempo, à entrada em cena da Inquisição portuguesa, precisamente 40 anos depois do Édito português. Face às confusões manuelinas no tocante às relações com as gentes da nação (judeus), e que se traduziram em sucessivos avanços e recuos, em permissões e proibições, muitos adoptaram uma atitude de firmeza e preferiram (tentar) sair do país, não acatando o "convite" de conversão. Mas muitíssimos outros ficaram. E os que ficaram, são precisamente os que deixaram pegadas de ADN, de que o estudo de que temos vindo a falar é testemunha.
Destes últimos, alguns tornaram-se cristãos-novos: o medo, o receio pela sua segurança, ou mesmo a indiferença perante os conceitos éticos e religiosos dos seus antepassados, fez com que eles não fossem suficientemente fortes para se obrigarem a um compromisso radical. Substituíram o nome hebraico atribuído no dia da sua circuncisão por um nome cristão, experimentaram a aspersão do baptismo católico, e passaram até a marcar presença nas grandes solenidades religiosas.
Outros, tornaram-se falsos cristãos-novos: Colocaram uma chancela católica na forma como passaram a viver, mas nunca abandonaram o conteúdo herdado dos seus pais, ainda que este fosse praticado às escondidas, muitas vezes com artifícios de simulação brilhantes, e que hoje fazem parte dos nossos gestos quotidianos.
Por último, outros ainda, percebendo que a escolha proposta era pura e simplesmente entre a fogueira e o baptismo, não quiseram nem uma coisa nem outra. Optaram por aceitar a ajuda e protecção natural de serranias, de montes, de vales, de invernos, de chuvas e de ventos, e tornaram-se criptojudeus, de que a comunidade de Belmonte é um exemplo com 500 anos. Rodeando-se de cuidados extremos, passaram a viver como uma comunidade secreta, em que o secretismo vivia de mãos dadas com o isolamento geográfico. Uma sociedade que se auto-ajustou constantemente, a ponto de não ser mais nem católica nem judaica, para se tornar simplesmente no símbolo de homens e mulheres crentes, sobreviventes ao terrorismo religioso em nome de Deus. E é precisamente deste sangue de que o nosso também é feito.
Ainda no artigo do Jornal Público, quando entrevistado, um responsável pela unidade de investigação do Departamento de Genética do Instituto de Saúde Ricardo Jorge, em Lisboa, afirma, (referindo-se às altas percentagens de sangue judeu sefardita e norte-africano encontradas): "É mais do que se esperaria. Mas é em relação aos judeus sefarditas que as proporções são ‘enormes’. Os cristãos-novos são uma realidade. Muita gente não fugiu nem foi expulsa; misturou-se. Nós não temos essa noção, mas eles sobreviveram à intolerância religiosa."
Eduardo Fidalgo