segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Você sabia que Israel...?



Um pouco do Israel moderno...


Israel MInistry of Foreign Affairs

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Se isto é um Homem



A páginas tantas ...

Se isto é um Homem

.../... .../...

Häfting: aprendi que eu sou um Häfting. O meu nome é 174 517; fomos baptizados, guardaremos até à morte a marca tatuada no braço esquerdo.
A operação foi levemente dolorosa e extraordinariamente rápida: puseram-nos todos em fila e, um a um, pela ordem alfabética dos nossos nomes, passámos diante de um hábil funcionário munido de uma espécie de punção com a agulha muito curta. Ao que parece é esta a verdadeira iniciação: só "mostrando o número" se recebem o pão e a sopa. Foram precisos vários dias, e não poucos socos e bofetadas, para que nos habituássemos a mostrar o número prontamente, de forma a não atrapalhar as operações diárias de distribuição da comida; foram precisos semanas e meses para que aprendêssemos o som em língua alemã. E durante muitos dias, sempre que o hábito dos dias livres me levava a procurar as horas no relógio de pulso, no seu lugar aparecia-me ironicamente o meu novo nome, o número bordado em sinais azulados debaixo da epiderme.
Só muito mais tarde, e pouco a pouco, alguns de nós acabaram por aprender algo da funesta ciência dos números de Auschwitz, em que se compendiam as etapas da destruição do judaísmo da Europa. Aos velhos do campo, o número diz tudo: a época de entrada no campo, o comboio de que se fazia parte, e, por consequência, a nacionalidade. Cada um tratará com respeito os números de 30 000 a 80 000: já só restam algumas centenas, e indicam os poucos sobreviventes dos guetos polacos. Convém abrir bem os olhos quando se entra em relações comerciais com um 116 000 ou um 117 000: estão reduzidos a cerca de quarenta, mas trata-se dos gregos de Salónica, é preciso não se deixar enganar. Quanto aos números altos; contêm uma nota essencialmente cómica, como acontece com as expressões "caloiro" ou "recruta" na vida normal: o número alto típico é um indivíduo pançudo, dócil e ingénuo ao qual podes fazer acreditar que na enfermaria distribuem sapatos de couro para indivíduos de pés delicados, convencendo-o a correr até lá, deixando a sua marmita de sopa "à tua guarda"; podes vender-lhe uma colher por três rações; podes mandá-lo ter com o mais feroz dos Kapos, para lhe perguntar (aconteceu-me a mim!) se é verdade que o dele é o Kartoffel­-schälkommando, o Kommando Descasca-Batatas, e se é possível alistar-se.

.../... .../...

Coordenação de Eduardo Fidalgo # Excerto da obra "Se isto é um Homem" (2002, Colecção Mil Folhas, 15 - Público), de Primo Levi (1919-1987). Judeu italiano, foi capturado a 13 de Dezembro de 1943, deportado para o campo de concentração de Fossoli e em Fevereiro de 1944 para Auschwitz.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Édito de Extermínio dos Judeus (I) - Egipto

O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; de modo que nada há novo debaixo do sol - Livro de Eclesiastes 1:9

Édito de Extermínio dos Judeus (I) - Egipto

Quando Israel sofreu no Egipto, Abraão era já uma personagem de memória respeitável. Foi com ele que Deus deu início ao sonho de um povo novo, um povo criado sobre o desconforto e coragem das mudanças na vida do patriarca. Foi a Abraão que Deus deu promessas que lhe sugeriam que esse povo seria um dos pratos da balança que havia de equilibrar ou desequilibrar não só aquele território do Crescente Fértil, mas o próprio mundo (Génesis 12:1-3). Foi a Abraão que Deus desvendou um tempo de aflição de cerca de quatrocentos anos (Génesis 15:13-14), prova muito dura para um povo-bebé, com apenas uma mão-cheia de gerações.
A estada no Egipto revela-nos a primeira das acções de extermínio (ou tentativa de extermínio) em que o povo judeu se viu envolvido. Bastantes anos mais tarde, a rainha Ester e seu tio Mordechai estariam no palco de mais uma outra acção desse tipo.
"De modo que nada há novo debaixo do sol." Por isso, nos dias de hoje, os "Adolph Hitler" ou os "Mahmoud Ahmadinejad" são apenas ditadores que nasceram com experiência.

Estes, pois, são os nomes dos filhos de Israel, que entraram no Egipto com Jacó; cada um entrou com sua casa: Rúben, Simeão, Levi e Judá; Issacar, Zebulom e Benjamim; Dã, Naftali, Gade e Aser. Todas as almas, pois, que descenderam de Jacó foram setenta almas; José, porém, estava no Egipto. Sendo, pois, José falecido, e todos os seus irmãos, e toda aquela geração, os filhos de Israel frutificaram, e aumentaram muito, e multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu deles.
Depois, levantou-se um novo rei sobre o Egipto, que não conhecera a José, o qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito e mais poderoso do que nós. Eia, usemos sabiamente para com ele, para que não se multiplique, e aconteça que, vindo guerra, ele também se ajunte com os nossos inimigos, e peleje contra nós, e suba da terra. E os egípcios puseram sobre eles maiorais de tributos, {ou tarefas} para os afligirem com suas cargas. E edificaram a Faraó cidades de tesouros, Pitom e Ramessés. Mas, quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam e tanto mais cresciam; de maneira que se enfadavam por causa dos filhos de Israel. E os egípcios faziam servir os filhos de Israel com dureza; assim, lhes fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro e em tijolos, e com todo o trabalho no campo, com todo o seu serviço, em que os serviam com dureza.
E o rei do Egipto falou às parteiras das hebréias (das quais o nome de uma era Sifrá, e o nome da outra, Puá) e disse: Quando ajudardes no parto as hebréias e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas, se for filha, então, viva. As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egipto lhes dissera; antes, conservavam os meninos com vida. Então, o rei do Egipto chamou as parteiras e disse-lhes: Por que fizestes isto, que guardastes os meninos com vida? E as parteiras disseram a Faraó: É que as mulheres hebréias não são como as egípcias; porque são vivas {ou espertas} e já têm dado à luz os filhos antes que a parteira venha a elas. Portanto, Deus fez bem às parteiras. E o povo se aumentou e se fortaleceu muito. E aconteceu que, como as parteiras temeram a Deus, estabeleceu-lhes casas. Então, ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida.

Coordenação de Eduardo Fidalgo # da Bíblia, versão Almeida Corrigida, in Êxodo – capítulo 1

Uma caverna secreta debaixo da Jerusalém Bíblica


Segredos e Lendas debaixo da Cidade Velha

Como abertura deste espaço – Viagens na minha terra – iremos até um lugar muito especial. Especial, até mesmo porque não faz parte do itinerário normal dos que viajam até à Terra Santa. É daqueles lugares que só se visitam quando já se conhece quase tudo o que é emblemático, e vem nos livros. Situa-se a escassos metros da Porta de Damasco, no limite da muralha da Cidade Velha de Jerusalém. Em rigor, debaixo dela.
Assim que soube da sua existência, conhecer a Caverna de Zedequias passou a fazer parte da minha lista de prioridades. O que li e ouvi acerca deste lugar foi suficiente para criar em mim um desejo muito forte de o tentar ver e entender. Em Janeiro deste ano, consegui, e posso dizer que foi um dos momentos mais íntimos que já desfrutei em Israel. Talvez o silêncio do lugar, contrastando com a minha constante indagação àquelas pedras acerca das histórias que têm para contar ou talvez a sua grandiosidade esmagadora (literalmente...), fazem deste lugar um lugar ímpar. Muito pertinho do turismo de massas que agride e suga Jerusalém, está, no entanto, suficientemente longe para que os seus efeitos se façam sentir ali.
Bem nas entranhas da terra, a História convida-nos a sonhar: Uma antiga pedreira, o caminho secreto usado na fuga do último rei de Israel, ou muito mais que isso...?

A descoberta
Algumas das descobertas arqueológicas mais fascinantes na Terra de Israel foram resultado de circunstâncias fortuitas. A Caverna de Zedequias é uma dessas descobertas. No inverno do ano de 1854, o Dr. James Turner Barclay (1807-1874), um distinto erudito americano, na época a trabalhar em Jerusalém, passeava com o seu filho em dia de algum sol, fora das muralhas da Cidade Velha. Estavam perto da Porta de Damasco, e o cão da família corria à sua volta, divertindo-se, aproveitando a liberdade que o momento lhe oferecia. O passeio estava a ser agradável, até que, de repente, o cão desapareceu. O Dr. Barcley chamou-o repetidamente, assobiando do mesmo modo pelo qual o animal estava habituado a reconhecê-lo, mas não obteve nenhuma resposta. Tanto ele como o seu filho continuaram à procura do bicho, sem qualquer resultado. A dada altura, junto à zona rochosa onde as muralhas estavam edificadas, o rapaz penetrou a custo numa cova – que era na verdade uma cisterna profunda que recebia as águas das últimas chuvas – e ficou surpreendido quando, lá bem do fundo da terra, ouviu o seu cachorro a ladrar. Entrando da mesma forma que o filho, o Dr. Barcley pôde perceber que se encontravam numa caverna – escura, e ao que parecia, enorme. Desta forma, ao cão aventureiro do Dr. Barcley é atribuída a redescoberta da maior gruta artificial alguma vez encontrada em Israel. Voltando na noite seguinte, desta vez com meios de exploração, James Turner Barcley percebeu imediatamente a dimensão e importância daquele lugar. E dias depois, apresentou ao mundo a Caverna de Zedequias.

A caverna esquecida
Embora a opinião não seja consensual, crê-se que foi durante a construção das muralhas da cidade por Solimão II (1495-1566), o Magnífico, Sultão do Império Otomano, que a Caverna de Zedequias foi bloqueada com grandes pedras, de modo a impedir que se tornasse num elo fraco na estrutura de fortificações da cidade. Permaneceu selada até à sua redescoberta no inverno de 1854. Durante o Mandato Britânico (1917-1947) foi aberta ao público. Durante a II Guerra Mundial foi adaptada como abrigo, para a eventualidade de bombardeamentos alemães ou italianos. Sob o governo Jordano foi novamente fechada, e reaberta depois da Guerra dos Seis Dias (1967), já sob controle israelita.

Aspecto e dimensões
A gruta é, na verdade, uma enorme pedreira de onde foram retiradas, durante anos, as pedras necessárias à construção de grande parte dos edifícios nobres da Cidade de Jerusalém. Como já pudemos perceber, a boca da gruta situa-se muito perto da Porta de Damasco, junto às rochas que servem de fundação à muralha da cidade, estendendo-se por baixo dela, para sul. Os pilares que se observam não são senão partes da caverna de onde não foi extraída qualquer matéria-prima, de modo a servirem de suporte aos milhares e milhares de toneladas que lhe estão por cima. A gruta tem uma área de 9.000 metros quadrados. Mede 230 metros de comprimento (ainda que galerias recentemente descobertas quadrupliquem este valor), e excede os 100 metros de largura máxima. A altura média é de 15 metros, ou seja, a correspondente a um prédio de 4 andares. A espessura de rocha que vai do tecto da caverna até às fundações da cidade acima de si, é de 10 metros.

A pedreira subterrânea mais importante de Israel
A proximidade da pedreira em relação à cidade, e o facto de se encontrar numa gruta, provendo aos trabalhadores uma defesa natural contra o sol escaldante do verão, deram a este lugar argumentos suficientes para a transformarem na pedreira subterrânea mais importante do país. Por outro lado, a qualidade da pedra dali retirada é excelente. Grande parte pertence ao tipo que em árabe se designa por "Melekeh", ou seja, "real". E fazendo jus ao seu nome, ela foi realmente usada na construção dos edifícios reais da cidade, sendo o Monte do Templo o exemplo maior.

Os primeiros trabalhadores da pedreira
Quem foram os primeiros trabalhadores destas pedreiras? Teriam sido os construtores do rei Salomão? A Bíblia relata: "Tinha também Salomão setenta mil que levavam as cargas e oitenta mil que cortavam nas montanhas. Afora os chefes dos oficiais de Salomão, os quais estavam sobre aquela obra, três mil e trezentos, que davam as ordens ao povo que fazia aquela obra. E mandou o rei que trouxessem pedras grandes e pedras preciosas, pedras lavradas, para fundarem a casa." – I Reis 5:15-17
Estes versículos desde sempre intrigaram os eruditos. Alguns, sugeriram mesmo que a proximidade do Monte Moriá e Ofel com a Caverna de Zedequias terá levado Salomão a utilizar preferencialmente esta fonte de matéria-prima, de fácil acesso e transporte para as suas construções. E é dessa forma que surge o outro nome pelo qual a caverna é conhecida: As Pedreiras do Rei Salomão. No entanto, nada disso foi provado até agora.

Realidade e a tradição misturam-se
Outros, preferem ligar este lugar à memória do último rei de Judá – Zedequias – , na sua fuga em direcção às campinas de Jericó, perante um rei Nabucodonosor vitorioso. "No mês quarto, aos nove do mês, quando a fome prevalecia na cidade, e o povo da terra não tinha pão, foi aberta uma brecha na cidade, e todos os homens de guerra fugiram, e saíram de noite, pelo caminho da porta, entre os dois muros que estavam junto ao jardim do rei (porque os caldeus estavam contra a cidade ao redor), e foram pelo caminho da campina. Mas o exército dos caldeus seguiu o rei, e alcançaram Zedequias nas campinas de Jericó, e todo o seu exército se espalhou, abandonando-o. E prenderam o rei e o fizeram subir ao rei da Babilónia, a Ribla, na terra de Hamate, o qual lhe lavrou ali a sentença." – Jeremias 52:6-9.
Através dos tempos, nem a opinião contrária dos eruditos conseguiu impedir a ligação de Zedequias a este lugar. Como exemplo perfeito, o recanto em que a água escorre do tecto da gruta e forma um pequeno charco no chão: a lenda e a tradição denominam-no como o lugar das Lágrimas de Zedequias, alegadamente as lágrimas que derramou quando viu os seus filhos serem mortos pelos Caldeus. "E o rei da Babilónia degolou os filhos de Zedequias à sua vista e também degolou a todos os príncipes de Judá, em Ribla." – Jeremias 52:10.

A época de actividade da pedreira
Como vimos, há quem advogue que o local está ligado às construções salomónicas. Mas, na verdade, situarmos a actividade desta pedreira no Período do Primeiro Templo requer provas mais substanciais que até ao presente não se encontram ainda disponíveis. O mais provável é que ela tenha começado a ser utilizada no Período do Segundo Templo, mais propriamente durante as enormes obras de construção levadas a cabo pelo Rei Herodes. Certo é que a dada altura a pedreira foi abandonada, e depois disso o acesso foi bloqueado. Crê-se, como atrás foi dito, que isso aconteceu durante a construção das muralhas já no século XVI (1535-1538), por Solimão. A seguir, a instabilidade da vida em Israel e o tempo, encarregaram-se de fazer esquecer a sua localização.
Mas sabemos, e isso sem qualquer sombra de dúvida, quando foram cortadas as últimas pedras desta pedreira. Aconteceu no século XX, em 1904, precisamente 50 anos depois da redescoberta de Barclay. Os Turcos, então em Jerusalém, erigiram na Porta de Jafa uma torre com um relógio, monumento que fazia parte de uma série de outros similares espalhados por todo o Israel. A pedra dessa torre veio da Caverna de Zedequias, que foi desmantelada nos anos 20, já durante o Mandato Britânico.

Memórias e fantasias
Esta é a história resumida de um lugar fascinante. Entre o que se sabe e o que desconhece, a caverna continuará a evocar memórias e fantasias. Diz-se que o profeta Jeremias a utilizou para esconder a Arca da Aliança e pô-la a salvo dos Caldeus. Memória ou fantasia?
As pedras permanecem mudas, elas não contam o que viram. Mas quem sabe, se um dia uma nova galeria não será descoberta e lance luz sobre o passado, e possamos finalmente vir a conhecer todos os segredos ocultos por milénios, 10 metros abaixo da Cidade Velha...
Fotografia: Eduardo Fidalgo / Bibliografia: The Secret Cave of Ancient Jerusalém
Eduardo Fidalgo

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Édito de Expulsão dos Judeus (I) de Portugal


Aqueles que ignoram a História estão condenados a repetir os seus erros...

Édito de Expulsão (I) de Portugal (de judeus e mouros)

Portugal, vila de Muge, 5 de Dezembro de 1496. Pressionado pelas exigências dos Reis Católicos no âmbito de uma cláusula do seu próprio casamento com a princesa D. Isabel, filha daqueles reis, D. Manuel I de Portugal promulga o Édito de Expulsão. Neste decreto, D. Manuel, expulsa do território nacional não só os judeus mas também os mouros, dando-lhes um prazo limite para permanecer no país de 10 meses, o mesmo é dizer, até finais de Outubro. No que tocava aos judeus, o rei estava plenamente ciente da importância que aquela comunidade representava, nomeadamente na vertente económica. Dessa forma, a gestão desta matéria caracterizou-se por um conjunto de avanços e recuos, que tão depressa cumpriam os trâmites requeridos para o casamento como observavam o melhor para o reino lusitano. Assim, para os judeus que quisessem receber as águas do Baptismo havia liberdade de permanecer. Os que não o fizessem, ficariam sujeitos à pena de morte e ao confisco dos bens. Mais tarde, medidas que dificultavam a saída dos judeus foram implementadas. Mas Espanha pressionava, e a própria infanta D. Isabel manifestou abertamente ao rei a sua posição, ao declarar: "só entrarei em Portugal, quando estiver limpo de infiéis". Ficava clara, deste modo, não só a intolerância religiosa espanhola, como a permeabilidade do reino português às exigências externas. O texto manuelino era do seguinte teor:

Que Judeus e Mouros se saiam destes Reynos, e nom morem, nem estem nelles.
Porque todo fiel Christão sobre todas as cousas he obriguado fazer aquellas que sam seruiço de Nosso Senhor, acrecentamento de sua Sancta Fee Catholica, e a estas nom soomente deuem pospoer todos os guanhos e perdas deste mundo, mas ainda as próprias vidas, o que os Reys muito mais inteiramente fazer deuem, e sam obriguados, porque per Jesu Christo nosso Senhor sam, e regem, e delle recebem neste mundo maiores merces, que outra algua pessoa, polo qual sendo Nós muito certo, que os Judeus e Mouros obstinados no ódio da Nossa Sancta Fee Catholica de Christo nosso Senhor, que por sua morte nos remio, tem cometido, e continuadamente contra elle cometem grandes males, e blasfémias em estes Nossos Reynos, as quaes nom tam soomente a elles, que sam filhos de maldiçam, em quamto na dureza de seus corações esteuerem, sam causa de mais condenaçam, mas ainda a muitos Christãos fazem apartar da verdadeira carreira que he a Sancta Fee Catholica; por estas, e outras mui grandes e necessarias razões, que Nos a esto mouem,
que a todo Christão sam notorias e manifestas, avida madura deliberaçam com os do Nosso Conselho, e Letrados, Determinamos, e Mandamos, que da pubricaçam desta Nossa Ley, e Determinaçam atá per todo o mez d’Outubro do anno do Nacimento de Nosso Senhor de mil e quatrocentos e nouenta e sete, todos os judeus, e Mouros forros, que em Nossos Reynos ouuer, se saiam fóra delles, sob pena de morte natural, e perder as fazendas, pera quem os acusar. E qualquer pessoa que passado o dito tempo teuer escondido alguu Judeu, ou Mouro forro, per este mesmo.feito Queremos que perca toda sua fazenda, e bens, pera quem o acusar, e Roguamos, e Encomendamos, e Mandamos por nossa bençam, e sob pena de maldiçam aos Reys Nossos Socessores, que nunca em tempo aluu leixem morar , nem estar em estes Nossos Reynos, e Senhorios d’elles, ninhuu Judeu, nem Mouro forro, por ninhua cousa, nem razam que seja, os quaes Judeus, e Mouros Leixaremos hir liuremente com todas suas fazendas, e lhe Mandaremos paguar quaesquer diuidas, que lhe em Nossos Reynos forem deuidas, e assi pera sua hida lhe Daremos todo auiamento, e despacho que comprir. E por quanto todas as rendas, e dereitos das Judarias, e Mourarias Temos dadas, Mandamos aas pessoas que as de Nós tem, que Nos venham requerer sobre ello, porque a Nós Praz de lhe mandar dar outro tanto, quanto as ditas Judarias, e Mourarias rendem.
Coordenação de Eduardo Fidalgo

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O que é um "Justo entre as Nações"?


O que é um "Justo entre as Nações"?

Aristides de Sousa Mendes, português.
Raoul Wallenberg, sueco.
Óskar Schindler, alemão.


Originários de nações diferentes, estes homens também viveram em zonas geográficas da terra diferentes. Todavia eles têm uma coisa em comum. O quê? Eis a resposta: Os três estiveram directamente ligados ao povo judeu num momento específico da História, e tiveram intervenções de grande coragem e carácter. Dessa forma, manter-se-ão para sempre ligados ao povo judeu, até porque todos eles foram agraciados pelo Estado de Israel com o título de "Justos entre as nações"! E o que significa esse título?

A II Grande Guerra Mundial
Apenas 21 anos decorridos sobre o final da I Grande Guerra, e já o mundo mergulhava novamente nos horrores de um novo conflito bélico. E, tal como a anterior, essa nova guerra de grandes proporções a que o Século XX assistiu foi recheada de episódios que mostraram contradições gritantes do próprio Homem. "Conhecimento, progresso e tolerância", as suas grandes bandeiras, acabaram por se mostrar tanto ineficazes como insuficientes para resolver a crise. O cenário apelava também à "prudência, realismo e astúcia", mas elas ficaram arredadas. Dessa forma, foi impossível conciliar os vários interesses divergentes equacionados nos pratos da balança. Mencionar somente a violência que se chamou "Hiroshima" será suficiente para se perceber o quão longe podem ir as (re)soluções do homem quando ele fica sujeito a pressões às quais não é possível furtar-se.

O final dessa Guerra Mundial não trouxe o desanuviamento natural que uma declaração de paz traz sempre após si. Pelo contrário, trouxe consigo a sombra de uma revelação ignóbil, talvez o mais grave dentre todos os acontecimentos ignóbeis que tiveram lugar durante o conflito: refiro-me, é claro, ao Holocausto.
Quando o mundo acordou do pesadelo da guerra e ficou livre dele, o espectro do Holocausto ocupou o lugar deixado vago. Percebeu-se então que nunca como naquele momento a máxima proverbial de Plauto fazia todo o sentido: Homo homini lupus – O Homem é o lobo do Homem! Ainda hoje, passados mais de sessenta anos, não existem respostas lineares para explicar como foi possível que um punhado de homens pudesse exercer um controlo tão extremo sobre outros, lançando mão de comportamentos doentios, e que o conseguisse fazer às escondidas do mundo. Que mecanismos afinal impelem o homem a constituir-se lobo de si mesmo, e a aniquilar o que lhe é semelhante, nem que para isso se tenha de transformar num monstro?

É amplamente sabido que este genocídio subtraiu a vida a seis milhões de judeus, dos quais um milhão e meio eram crianças. Mas, cerca de 3 anos depois, a 14 de Maio de 1948, nascia o Estado de Israel, e com ele o lugar onde o judeu podia, finalmente, estar na sua terra. A criação do Estado de Israel permitiu ao judeu contrariar o curso que a sua própria História tinha tomado nos dois milénios anteriores. Permitiu-lhe usufruir de uma regalia desconhecida de muitas das últimas gerações de judeus da Diáspora: a de não viver em terra emprestada, sob o espectro da segregação, imposta por sociedades anti-semitas.



Justos entre as nações
Foi em 1957 que, dando seguimento a uma lei emanada do Knesset, foi inaugurado o Yad Vashem, Instituição para a Comemoração dos Mártires e Heróis do Holocausto, tributo e Memorial Eterno àqueles seis milhões de judeus que pereceram no Holocausto. O nome – Yad Vashem – é retirado do versículo bíblico de Isaías 56:5, e significa "... uma mão e um nome ..." ou "... uma mão e um memorial ...". A criação deste Museu, levou a que se passasse a celebrar o nome de homens e mulheres que tinham arriscado as suas vidas para salvar Judeus durante o grande conflito. A eles foi dado o nome de "Justos entre as nações".
Ouçamos, no entanto, o testemunho que o Yad Vashem apresenta sobre esta matéria, ao mesmo tempo que a enquadra no cenário da II Guerra Mundial:


"Nesses tempos, havia trevas por toda a parte. Nos céus e na terra, todas as portas da misericórdia pareciam ter sido fechadas. O assassino assassinava, os judeus morriam, e o mundo lá fora adoptou uma atitude de cumplicidade ou de indiferença. Somente alguns tiveram a coragem de se importar. Esses poucos homens e mulheres estavam vulneráveis, com medo, e sem esperança – o que é que fez deles seres diferentes dos seus concidadãos? ... Por que é que eles eram tão poucos? ... Lembrêmo-nos: Aquilo que fere mais a vítima não é a crueldade do opressor, mas o silêncio do que observa ... Não esqueçamos, apesar de tudo, que há sempre um momento em que a escolha moral é feita. ... E assim, temos de conhecer essa gente boa que ajudou os judeus durante o Holocausto. Devemos aprender com eles, e em gratidão e esperança, devemos lembrá-los."

O termo "Justo entre as nações" tem a sua origem na tradição judaica – da literatura dos sábios – onde era usado para descrever os não-judeus que vinham em auxílio dos judeus em tempo de necessidade, ou os não-judeus que respeitavam os requisitos básicos da Bíblia. A lei de Yad Vashem introduz um novo significado ao termo, ao caracterizar os "Justos entre as nações" como aqueles que não somente salvaram Judeus, mas que arriscaram as suas vidas para o fazer. Este é o critério principal pelo qual o título é atribuído.

As "honras" devidas aos "Justos entre as nações"
Até ao final do ano de 2007, o Yad Vashem tinha reconhecido como "Justos entre as nações" cerca de 22.000 cidadãos de 44 nações diferentes, entre as quais Portugal, na pessoa do seu diplomata, e ex-Cônsul em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes. Várias são as honras devidas a estes homens e mulheres. A atribuição do título é antecedida de um processo de autenticação, e ao agraciado é concedida uma medalha com o seu nome, e um certificado de Honra, sendo-lhe conferida a Cidadania Honorária do Estado de Israel. No entanto, se à data já tiver falecido, é-lhe outorgada a Cidadania Comemorativa. Para além disso, o seu nome está gravado na Muralha de Honra, no Jardim dos Justos. A medalha atribuída ostenta o ditado judaico: "Aquele que salva uma única vida, salva um universo inteiro" (Sanhedrin 37,71). O enorme significado desta citação fica plenamente demonstrado quando famílias de sobreviventes do Holocausto – com filhos, netos, e (hoje já com) bisnetos – vêm juntos para honrar o Justo que socorreu um dos seus. Frequentemente, eles representam somente o ramo sobrevivente de uma família inteira que pereceu. Na Avenida dos Justos entre as Nações, inaugurada em 1962, foram plantadas milhares de árvores (símbolo da vida que se renova), e ao lado de cada uma existe sempre uma placa com um nome, que nos recorda os feitos de um "Justo entre as nações".


Explicado que está o significado do que é um "Justo entre as nações", iremos trazer oportunamente ao Blogue algumas destas personagens que marcaram a História do mundo, e o enriqueceram com os seus feitos e a sua presença.

Eduardo Fidalgo

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Declaração de Independência do Estado de Israel




A História ainda fala !!!

Declaração de Independência do Estado de Israel

14 de Maio. Quinto dia do mês de Iyar, ano de 5708. Telaviv. Horas antes do final do Mandato Britânico sobre a Palestina, no n.º 6 da Avenida Rothschild, que antes pertencera ao Presidente da Câmara de Telaviv – a casa de Dizengoff – , (agora um Museu), David ben Gurion proclama a Independência do Estado de Israel. Sendo uma sexta-feira, a cerimónia começou às 16,00 horas, a fim de terminar antes do pôr do sol, para o devido cumprimento do Shabbat judaico. Após 2000 anos de exílio o povo Judeu podia voltar a existir como nação independente. À hora prevista, David Ben Gurion ergue-se. Espontaneamente, canta-se a Hatikvah (O Hino Nacional hebraico).

"O país de Israel é o local onde o povo judaico nasceu. Foi ali que o seu carácter espiritual, religioso e nacional se formou. Foi ali que adquiriu a sua independência e que criou, ao mesmo tempo, uma civilização de importância nacional e universal. Foi ali também que escreveu o Livro dos Livros para o oferecer ao mundo. O povo judeu, exilado da Terra Santa, permaneceu-lhe fiel em todos os locais por onde se dispersou, orando sem cessar para que o regresso fosse possível e esperando sempre voltar a restaurar a sua liberdade nacional. Os judeus também se esforçaram através dos séculos para regressar ao país dos antepassados e ali reconstituírem a sua nação, dirigindo-se em massa, nestes últimos decénios, para este país. Desbravaram o deserto, fizeram renascer a sua língua, construíram cidades e aldeias e fundaram uma forte comunidade que se expande continuamente, possuindo uma vida cultural e económica própria. O povo judeu procurava a paz, mas estava preparado para se defender e trouxe as riquezas do progresso a todos os habitantes.

... / ...

A catástrofe nazi, que aniquilou milhões de judeus na Europa, demonstrou novamente a urgência que havia no estabelecimento da nação judaica, a única medida capaz de resolver o problema do judaísmo apátrida, abrindo as portas a todos os judeus e conferindo-lhes a igualdade no seio da família das nações. Os sobreviventes da catástrofe europeia, bem como os judeus dos outros países, reivindicaram o direito a uma vida de dignidade, de liberdade e de trabalho e, sem se deixarem assustar nem pelos riscos nem pelos obstáculos, procuraram incansavelmente penetrar na Palestina. O povo judeu da Palestina contribuiu, no decorrer da Segunda Guerra Mundial, na luta das nações desejosas de liberdade contra o flagelo nazi. O sacrifício destes soldados e os esforços dos trabalhadores qualificaram este povo para tomar lugar entre os povos que fundaram as Nações Unidas.

Em virtude do direito natural e histórico do povo judaico, proclamamos a fundação do estado judeu na Terra Santa. Este estado terá o nome de Israel. O Estado de Israel ficará aberto à imigração dos judeus de todos os países onde se encontram dispersos. O país será desenvolvido em benefício de todos os habitantes e será fundado nos princípios da liberdade, da justiça e da paz, tal como foi concebido pelos profetas de Israel. Respeitará a mais completa igualdade social e política de todos os cidadãos, sem distinção de religião, de raça ou de seita. Garantirá a liberdade de religião, de consciência, de educação e de cultura. Protegerá os lugares santos de todas as crenças e aplicará lealmente os princípios da Carta das Nações Unidas.

Adjuramos as Nações Unidas para ajudar o povo judeu a construir o seu estado e admitir Israel no seio da família das nações. Convidamos os habitantes árabes do Estado de Israel a preservar os caminhos da paz e a desempenharem um papel no desenvolvimento do estado, na base de uma cidadania igual e completa, bem como de uma representação justa nas instituições, quer estas sejam provisórias ou permanentes. estendemos a mão, num desejo de paz e boa vizinhança, a todos os estados que nos rodeiam e convidamo-los a cooperar com a nação judaica independente para o bem comum de todos. O Estado de Israel está pronto a contribuir para o progresso do Médio Oriente.

... / ...

Confiantes no Todo-Poderoso, então, assinamos esta declaração no solo da pátria, nesta cidade de Telavive e nesta sessão da assembleia provisória que tem lugar na véspera do Shabbat, no dia 5 de Iyar de 5708, ou seja, 14 de Maio de 1948. Levantêmo-nos para adoptar a Carta Constitucional que cria o Estado Judaico."

A assistência ergueu-se. Um rabino recitou com a voz trémula de emoção uma oração implorando a bênção de "Aquele que nos ajudou até agora". Os membros do Conselho Nacional assinaram, então, um por um, o pergaminho. Os acordes da Hatikvah ecoaram novamente pela sala, sob um silêncio profundo da assistência. Eram 16 horas e 37 minutos. Ben Gurion bateu mais uma vez sobre a mesa e declarou:

"Nasceu o Estado de Israel. A sessão terminou."

Coordenação de Eduardo Fidalgo

sábado, 25 de outubro de 2008

Viagem ao Israel Bíblico - 2009

Viagem ao Israel Bíblico - 2009



Visitas guiadas aos melhores locais de Israel - Bons hotéis - Pensão completa – Guias em português

24 JULHO – LISBOA > TEL AVIV
Comparência no aeroporto de LISBOA. Embarque no voo directo para TEL AVIV. Noite a bordo.

25 JULHO – JAFFA > TEL AVIV > CESARÉIA > MEGGIDDO > CARMELO > NAZARÉ > TIBERÍADES
Chegada e recepção no aeroporto Ben Gurion. Viagem em autocarro privativo até Hotel em TEL AVIV, para pequeno-almoço. Início das visitas guiadas à cidade de JAFFA, a antiga Jope, onde Jonas foi cuspido da baleia e onde o apóstolo Pedro teve a visão do lençol cheio de animais imundos. Visita à casa de Simão o curtidor. Vista panorâmica de TEL AVIV. Visita à antiga cidade romana de CESARÉIA MARÍTIMA, antiga capital, onde Paulo esteve preso antes de embarcar para Roma. Visita ao teatro, ruínas do tempo dos romanos e dos cruzados, e ao aqueduto. Continuação até MEGGIDDO. Almoço no parque arqueológico, seguido de visita às ruínas desta cidade fortaleza do tempo do rei Salomão. Subida ao miradouro, de onde se avista todo o vale de Meggiddo, onde se travará a batalha do ARMAGEDON. Descida pelo Túnel de Ezequias, e continuação até ao MONTE CARMELO, local onde o profeta Elias confrontou e venceu os profetas de Baal. Continuação até NAZARÉ, para visita à aldeia de Jesus, uma reconstituição da vida na pequena aldeia de Nazaré, como seria nos dias de Jesus. Continuação até TIBERÍADES. Jantar e alojamento no Hotel ****

26 JULHO – GALILÉIA > LAGO DE TIBERÍADES > BANIAS > TIBERÍADES
Pequeno-almoço no Hotel. Visita aos locais na GALILÉIA onde Jesus desenvolveu o Seu ministério: MONTE DAS BEM AVENTURANÇAS, com tempo para leitura e orações. Visita à Igreja em TABGHA, que assinala o local do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. Continuação para visita ao lago, e às ruínas da cidade de CAFARNAUM, com a antiga sinagoga e a casa de Pedro. Travessia do MAR DA GALILÉIA em barco de madeira, réplica dos que se usavam nos dias do Senhor. Almoço e visita ao kibbutz de EIN GEV. Continuação para BANIAS, a antiga CESARÉIA FILIPOS, onde Pedro confessou a Cristo como Senhor. Visita às antigas ruínas e regresso a TIBERÍADES. Jantar e alojamento no Hotel.

27 JULHO – RIO JORDÃO > JERICÓ > QUMRAM > MASADA > MAR MORTO > JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Visita ao RIO JORDÃO, com possibilidade de realização de baptismos. Visita às ruínas de BEIT SHEAN, as maiores de todo o Israel e uma das cidades da Decápolis. Continuação pelo VALE DO JORDÃO, até JERICÓ, com possível visita (dependendo da situação política da altura). Almoço em QUMRAM, seguido de visita às ruínas desta cidade onde vivia a comunidade essénia, que se dedicava a uma vida austera e a copiar manuscritos da Bíblia. Continuação até MASSADA. Subida em teleférico para visita a esta impressionante cidade fortaleza edificada pelo rei Herodes, e onde 960 judeus preferiram a morte colectiva à rendição diante dos romanos. Descida até ao MAR MORTO, o local mais profundo da terra! Tempo para banhos nesta água onde ninguém afunda! Subida até à capital eterna de Israel, JERUSALÉM! Jantar e alojamento no Hotel ****

28 JULHO – JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Visita aos locais mais importantes da Cidade do Senhor: MONTE SCOPUS, de onde se avistará toda a cidade santa. Descida ao MONTE DAS OLIVEIRAS, e entrada no HORTO DO GETSEMANE, para meditação e oração. Continuação até ao MONTE SIÃO, com visitas ao túmulo do rei David e subida ao Cenáculo, local da última Ceia. Almoço e continuação para visita à cidade de BELÉM. Travessia do controle fronteiriço, e visita à Igreja da Natividade e ao campo dos pastores. Tempo para compras e regresso a JERUSALÉM. Jantar e alojamento no Hotel.

29 JULHO – JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Visita ao MURO DAS LAMENTAÇÕES e subida à esplanada do templo, actualmente ocupada pelas mesquitas de Omar e El Aqsa. (entradas não incluídas). Descida ao Museu Ophel, com representação visual do que era a vida no templo de Jerusalém nos dias de Jesus. Visita às ruínas do parque arqueológico, incluindo os degraus que ascendiam ao templo. Visita à cidade de David e ao tanque de Siloé. Almoço. Saída até ao Jardim do Túmulo, para visita ao túmulo vazio de Jesus e celebração da Ceia do Senhor. Tempo livre para compras na cidade velha. Jantar e alojamento no Hotel.

30 JULHO – JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Passagem pelo túnel que acompanha as muralhas originais que sustentavam o templo de Herodes. Saída pela Via Dolorosa, que percorreremos até ao Local da flagelação (Lithostrotos), onde desceremos ao piso dos dias do Senhor, com marcas gravadas que indicam o local onde o Senhor Jesus terá sido flagelado e julgado. Almoço. Visita ao Museu do Livro, onde se encontram antigos manuscritos da Bíblia. Visita à maquete de Jerusalém como era há 2 mil anos. Visita ao Museu e Memorial do Holocausto. Jantar e alojamento no Hotel.

31 JULHO – JUDEIA > AEROPORTO > LISBOA
Pequeno-almoço no Hotel. Visita a uma comunidade de judeus messiânicos (crentes), com visita ao pequeno parque bíblico e almoço. Partida para o aeroporto de Ben Gurion. Embarque no voo directo para LISBOA. Refeição a bordo. Chegada, desembarque.

PREÇO ESPECIAL POR PESSOA EM QUARTO DUPLO: 1.470,00 EUROS *
SUPLEMENTO PARA QUARTO INDIVIDUAL: 260,00 €


FORMAS DE PAGAMENTO:
Opção 1: 10 mensalidades de 147,00 Euros cada, desde Outubro de 2008 a Julho de 2009;
Opção 2: entrada de 490,00 + 1 prestação de 490,00 até 30/4/09 + 1 prestação de 490,00 até 30/06/2009.

Peça informações mais detalhadas e inscreva-se em
APARTADO 4344 – 4006-001 PORTO / TEL. 933-458-310 /
viagens.shalom@clix.pt
ou em
BEIT ISRAEL /
beit.israel.pt@gmail.com

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Viagens na minha Terra

Viagens na minha Terra

O título endossa-nos para ela, mas não tem nada a ver com a conhecida obra de Garrett. Porque a terra de que aqui se fala não é a dele, mas a minha. Não é Portugal, mas trata-se da Terra de Israel – Eretz Israel. Que eu considero minha. Por chamada de Deus e por livre escolha.

Estar em Israel – mesmo que seja por poucos dias – é a oportunidade única que o crente tem de enquadrar os lugares por onde passa num contexto bíblico real. Sem diluições teológicas e culturais – leia-se ocidentais. É a oportunidade de compreender as personagens bíblicas na perspectiva correcta. De entender melhor as suas vidas. De perceber pormenores que sempre lhe escaparam e que naquele lugar se tornam claros como água..., postos em evidência pela evidência diante dos seus olhos. Ali, é-nos facultada uma orientação muito mais fiel que nos permite ler nas entrelinhas, perceber a razão de ser das coisas ou o silêncio dos Textos acerca delas. No entanto, se isso se consegue perfeitamente em alguns lugares, noutros é mais difícil. Porque Israel não parou no tempo à espera da nossa visita e também porque já não é, em muitos aspectos, o Israel da Bíblia. Por isso, estou absolutamente convencido (e essa tem sido a minha prática) que para entendermos a Terra de Israel, para além de ver, há que ler, e há que orar. Ou seja, para que a nossa visita seja proveitosa (espiritualmente falando), é preciso que não só os nossos olhos vejam, mas também que Deus e a Sua revelação escrita sejam presentes em nós e em sintonia perfeita. Nesta matéria, já vi muitos irmãos decepcionados em Israel, simplesmente porque quiseram ser turistas crentes, ao invés de serem crentes turistas.

Neste espaço – Viagens na minha terra – é minha intenção dar a conhecer alguns cantinhos de Israel onde eu já tive o privilégio de estar pessoalmente. Vou socorrer-me da memória, e também de informações que trouxe acerca deles. Uns serão mais apetecíveis que outros, com maior ou menor expressão, mais ou menos visitados, mas tentarei vê-los a todos através de um denominador comum: a sua ligação às Escrituras e o entendimento que a ela trazem. Tentarei sempre escapar ao carácter turístico dos lugares e enfatizar o seu enquadramento escriturístico. As fotos serão minhas. Da minha terra, ... em viagens.

Eduardo Fidalgo

Sifrá e Puá - Parteiras Pró-Vida

Sifrá e Puá - Parteiras Pró-Vida

E o rei do Egipto falou às parteiras das hebréias (das quais o nome de uma era Sifrá, e o nome da outra, Puá) e disse: Quando ajudardes no parto as hebréias e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas, se for filha, então, viva. As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egipto lhes dissera; antes, conservavam os meninos com vida. Então, o rei do Egipto chamou as parteiras e disse-lhes: Por que fizestes isto, que guardastes os meninos com vida? E as parteiras disseram a Faraó: É que as mulheres hebréias não são como as egípcias; porque são vivas {ou espertas} e já têm dado à luz os filhos antes que a parteira venha a elas. Portanto, Deus fez bem às parteiras. E o povo se aumentou e se fortaleceu muito. E aconteceu que, como as parteiras temeram a Deus, estabeleceu-lhes casas. Então, ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida. - Êxodo 1:15-22

A Bíblia não nos informa acerca do nome deste Faraó, nem do posterior Faraó do Êxodo, fazendo que por essa razão muitos se refiram a estes episódios como uma mera ficção, e outros tentem a datação dos eventos ou a identificação daquelas personagens. No entanto, não há, até hoje, consenso nessa matéria. Em contraste, no entanto, a Bíblia fornece-nos o nome destas duas simples parteiras, que evitaram uma extinção prematura do povo judeu. Elas estiveram no meio das teias que teceram aquilo a que chamarei de: "A Solução Final – I Acto".

Faraó ordenou-lhes, "quando ajudardes no parto as hebréias e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas, se for filha, então, viva". – Êxodo 1:16. A ordem era tão clara e tão específica quanto definitiva. Não dava qualquer margem de manobra, nem admitia escusas. E o que podiam fazer duas pobres mulheres, a não ser obedecer? Por várias razões, estavam, na verdade, numa posição muito frágil, não só face à estrutura social do Egipto como também face à sua própria condição. Senão, vejamos:

Em primeiro lugar, eram mulheres. Isso remetia-as para um deficit de direitos e uma montanha de obrigações, tanto na família como na sociedade. Por estes lados do mundo, o dia a dia das mulheres foi sempre um quotidiano esforçado e penoso. Havia tarefas atribuídas exclusivamente a elas, que não eram tarefas leves. A provisão de água para casa era uma dessas tarefas. Naqueles tempos, o lugar da fonte ou do poço não eram escolhidos para comodidade dos locais, mas estava onde a água estava: muitas vezes, longe da porta. Havia que a tirar da nascente, puxando-a à força de braços, e transportá-la elas mesmas, quando não havia o recurso a animais para lhes minorar o esforço da tarefa. Do ponto de vista social, a fragilidade era a sua condição. À mulher cabia obedecer sem contestar.

A Bíblia não nos informa se viviam exclusivamente da sua profissão, ou se a exerciam acumulando outras actividades. Sabemos, isso sim, que estavam numa terra que não era a sua, e onde eram simplesmente representantes de um povo escravo e escravizado. E esse é um outro aspecto da posição precária em que se encontravam. Escravidão! Escravas – eis o que elas eram realmente! Não eram, de forma alguma, iguais entre iguais. Era impensável, por exemplo, que uma família egípcia lhes tributasse qualquer reconhecimento por ter ajudado um filho seu a vir ao mundo. Não eram respeitadas. No passado, o seu povo tinha entrado naquela terra como um ilustre convidado, a família do governador José, no meio a festas e honrarias ao mais alto nível, mas agora labutavam entre o barro e a lama que davam corpo às cidades do homem mais poderoso da terra. Porque o Egipto, à época, era isso mesmo: uma Super-Potência. Na verdade, Sifrá e Puá foram colocadas numa posição para a qual não não tinham muitas opções de saída. Parecia, aliás, que a única possível era humilhar-se perante aquela personagem sinistra que se tinha interposto no seu caminho, com intentos que elas não podiam perceber nas motivações, mas entendiam muito bem nas consequências. Escravas, filhas de escravos, mães de escravos no futuro. E, no horizonte, nenhuma perspectiva de liberdade. Parecia que Israel estava destinado a servir para sempre, talvez mesmo até à sua extinção, dadas as condições sub-humanas em que se encontravam. As privações e os chicotes de Faraó poderiam muito bem executar de forma mais rápida, aquilo que ele estava tentando operar de um modo estratégico.

Em terceiro lugar, uma outra razão pela qual a sua pequenez e incapacidade se tornava ainda mais gritante: elas pertenciam ao povo hebreu. Por causa disso era como se carregassem um estigma que as tornava inferiores aos olhos dos outros. Sem se entender muito bem porquê, sentia-se no ar um ódio lactente, um incómodo tão profundo que tinha o seu quê de irracional e diabólico, perante este povo que, não querendo constituir uma ameaça, dava mostras de estar conformado com o seu destino, definitivamente abatido, de tão vergado que estava.

Sifrá e Puá. Mulheres, escravas e hebréias. Esforçadas, oprimidas e odiadas. Tinham nas suas mãos o poder de vida e de morte. Que seria a sua, se desobedecessem às ordens do rei, ou a do seu povo, se obedecessem aos seus desejos. Entretanto, este estava prestes a aprender que a estratégia de astúcia que tinha empregue contra os israelitas (Êxodo 1:10) é uma via de dois sentidos. Não sabia ele que a visão das duas mulheres era bem mais ampla do que ele alguma vez tinha percebido. Para elas, nem o seu mundo se esgotava no reino do Egipto, nem a sua vida numa escolha de medo e resignação. E, juntas, como se fossem uma só pessoa, mostram até hoje ao mundo o que significa integridade para com os valores em que se acredita.

Às vezes gosto de sonhar, e dar continuidade às histórias da Bíblia para além daquilo que ela mesma nos oferece. Gosto de sonhar particularmente com estas duas mulheres, e pelo que há de extraordinário nas suas vidas. A sua profissão consistia em dar vida, e não em roubá-la. Habituadas que estavam a lidar diariamente com esse milagre, foi-lhes impossível agir contra ele. E Deus, em toda a Sua graça, pagou com a mesma moeda – retribuiu o seu gesto com a dádiva de vida. Vida gerou vida. E é tocante ler no texto sagrado que Deus lhes constituiu família. (Êxodo 1:21).

E uma vez que o povo de Israel ainda continua sobre a terra, passados que foram mais alguns actos da "Solução Final", quero sonhar que até ao dia de hoje, Deus conservou descendentes destas duas parteiras, como forma de honrar e perpetuar a opção que elas tomaram, em meio a uma situação de muito aperto. No meio de todas as dificuldades por que o povo de Israel tem passado e sobrevivido, gosto de pensar que há sempre alguns que são filhos das duas mulheres do Êxodo, que Deus não deixou perecer, chamando-as pelos seus próprios nomes, desejando claramente que elas sobrevivessem à sua acção. Não é possível provar o meu sonho, mas também não importa, porque é simplesmente isso: um sonho – o sonho de que enquanto houver judeus na terra, haverá sempre descendentes de Sifrá e Puá.

Yosef ben Ephraim