terça-feira, 28 de outubro de 2008

Declaração de Independência do Estado de Israel




A História ainda fala !!!

Declaração de Independência do Estado de Israel

14 de Maio. Quinto dia do mês de Iyar, ano de 5708. Telaviv. Horas antes do final do Mandato Britânico sobre a Palestina, no n.º 6 da Avenida Rothschild, que antes pertencera ao Presidente da Câmara de Telaviv – a casa de Dizengoff – , (agora um Museu), David ben Gurion proclama a Independência do Estado de Israel. Sendo uma sexta-feira, a cerimónia começou às 16,00 horas, a fim de terminar antes do pôr do sol, para o devido cumprimento do Shabbat judaico. Após 2000 anos de exílio o povo Judeu podia voltar a existir como nação independente. À hora prevista, David Ben Gurion ergue-se. Espontaneamente, canta-se a Hatikvah (O Hino Nacional hebraico).

"O país de Israel é o local onde o povo judaico nasceu. Foi ali que o seu carácter espiritual, religioso e nacional se formou. Foi ali que adquiriu a sua independência e que criou, ao mesmo tempo, uma civilização de importância nacional e universal. Foi ali também que escreveu o Livro dos Livros para o oferecer ao mundo. O povo judeu, exilado da Terra Santa, permaneceu-lhe fiel em todos os locais por onde se dispersou, orando sem cessar para que o regresso fosse possível e esperando sempre voltar a restaurar a sua liberdade nacional. Os judeus também se esforçaram através dos séculos para regressar ao país dos antepassados e ali reconstituírem a sua nação, dirigindo-se em massa, nestes últimos decénios, para este país. Desbravaram o deserto, fizeram renascer a sua língua, construíram cidades e aldeias e fundaram uma forte comunidade que se expande continuamente, possuindo uma vida cultural e económica própria. O povo judeu procurava a paz, mas estava preparado para se defender e trouxe as riquezas do progresso a todos os habitantes.

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A catástrofe nazi, que aniquilou milhões de judeus na Europa, demonstrou novamente a urgência que havia no estabelecimento da nação judaica, a única medida capaz de resolver o problema do judaísmo apátrida, abrindo as portas a todos os judeus e conferindo-lhes a igualdade no seio da família das nações. Os sobreviventes da catástrofe europeia, bem como os judeus dos outros países, reivindicaram o direito a uma vida de dignidade, de liberdade e de trabalho e, sem se deixarem assustar nem pelos riscos nem pelos obstáculos, procuraram incansavelmente penetrar na Palestina. O povo judeu da Palestina contribuiu, no decorrer da Segunda Guerra Mundial, na luta das nações desejosas de liberdade contra o flagelo nazi. O sacrifício destes soldados e os esforços dos trabalhadores qualificaram este povo para tomar lugar entre os povos que fundaram as Nações Unidas.

Em virtude do direito natural e histórico do povo judaico, proclamamos a fundação do estado judeu na Terra Santa. Este estado terá o nome de Israel. O Estado de Israel ficará aberto à imigração dos judeus de todos os países onde se encontram dispersos. O país será desenvolvido em benefício de todos os habitantes e será fundado nos princípios da liberdade, da justiça e da paz, tal como foi concebido pelos profetas de Israel. Respeitará a mais completa igualdade social e política de todos os cidadãos, sem distinção de religião, de raça ou de seita. Garantirá a liberdade de religião, de consciência, de educação e de cultura. Protegerá os lugares santos de todas as crenças e aplicará lealmente os princípios da Carta das Nações Unidas.

Adjuramos as Nações Unidas para ajudar o povo judeu a construir o seu estado e admitir Israel no seio da família das nações. Convidamos os habitantes árabes do Estado de Israel a preservar os caminhos da paz e a desempenharem um papel no desenvolvimento do estado, na base de uma cidadania igual e completa, bem como de uma representação justa nas instituições, quer estas sejam provisórias ou permanentes. estendemos a mão, num desejo de paz e boa vizinhança, a todos os estados que nos rodeiam e convidamo-los a cooperar com a nação judaica independente para o bem comum de todos. O Estado de Israel está pronto a contribuir para o progresso do Médio Oriente.

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Confiantes no Todo-Poderoso, então, assinamos esta declaração no solo da pátria, nesta cidade de Telavive e nesta sessão da assembleia provisória que tem lugar na véspera do Shabbat, no dia 5 de Iyar de 5708, ou seja, 14 de Maio de 1948. Levantêmo-nos para adoptar a Carta Constitucional que cria o Estado Judaico."

A assistência ergueu-se. Um rabino recitou com a voz trémula de emoção uma oração implorando a bênção de "Aquele que nos ajudou até agora". Os membros do Conselho Nacional assinaram, então, um por um, o pergaminho. Os acordes da Hatikvah ecoaram novamente pela sala, sob um silêncio profundo da assistência. Eram 16 horas e 37 minutos. Ben Gurion bateu mais uma vez sobre a mesa e declarou:

"Nasceu o Estado de Israel. A sessão terminou."

Coordenação de Eduardo Fidalgo

sábado, 25 de outubro de 2008

Viagem ao Israel Bíblico - 2009

Viagem ao Israel Bíblico - 2009



Visitas guiadas aos melhores locais de Israel - Bons hotéis - Pensão completa – Guias em português

24 JULHO – LISBOA > TEL AVIV
Comparência no aeroporto de LISBOA. Embarque no voo directo para TEL AVIV. Noite a bordo.

25 JULHO – JAFFA > TEL AVIV > CESARÉIA > MEGGIDDO > CARMELO > NAZARÉ > TIBERÍADES
Chegada e recepção no aeroporto Ben Gurion. Viagem em autocarro privativo até Hotel em TEL AVIV, para pequeno-almoço. Início das visitas guiadas à cidade de JAFFA, a antiga Jope, onde Jonas foi cuspido da baleia e onde o apóstolo Pedro teve a visão do lençol cheio de animais imundos. Visita à casa de Simão o curtidor. Vista panorâmica de TEL AVIV. Visita à antiga cidade romana de CESARÉIA MARÍTIMA, antiga capital, onde Paulo esteve preso antes de embarcar para Roma. Visita ao teatro, ruínas do tempo dos romanos e dos cruzados, e ao aqueduto. Continuação até MEGGIDDO. Almoço no parque arqueológico, seguido de visita às ruínas desta cidade fortaleza do tempo do rei Salomão. Subida ao miradouro, de onde se avista todo o vale de Meggiddo, onde se travará a batalha do ARMAGEDON. Descida pelo Túnel de Ezequias, e continuação até ao MONTE CARMELO, local onde o profeta Elias confrontou e venceu os profetas de Baal. Continuação até NAZARÉ, para visita à aldeia de Jesus, uma reconstituição da vida na pequena aldeia de Nazaré, como seria nos dias de Jesus. Continuação até TIBERÍADES. Jantar e alojamento no Hotel ****

26 JULHO – GALILÉIA > LAGO DE TIBERÍADES > BANIAS > TIBERÍADES
Pequeno-almoço no Hotel. Visita aos locais na GALILÉIA onde Jesus desenvolveu o Seu ministério: MONTE DAS BEM AVENTURANÇAS, com tempo para leitura e orações. Visita à Igreja em TABGHA, que assinala o local do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. Continuação para visita ao lago, e às ruínas da cidade de CAFARNAUM, com a antiga sinagoga e a casa de Pedro. Travessia do MAR DA GALILÉIA em barco de madeira, réplica dos que se usavam nos dias do Senhor. Almoço e visita ao kibbutz de EIN GEV. Continuação para BANIAS, a antiga CESARÉIA FILIPOS, onde Pedro confessou a Cristo como Senhor. Visita às antigas ruínas e regresso a TIBERÍADES. Jantar e alojamento no Hotel.

27 JULHO – RIO JORDÃO > JERICÓ > QUMRAM > MASADA > MAR MORTO > JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Visita ao RIO JORDÃO, com possibilidade de realização de baptismos. Visita às ruínas de BEIT SHEAN, as maiores de todo o Israel e uma das cidades da Decápolis. Continuação pelo VALE DO JORDÃO, até JERICÓ, com possível visita (dependendo da situação política da altura). Almoço em QUMRAM, seguido de visita às ruínas desta cidade onde vivia a comunidade essénia, que se dedicava a uma vida austera e a copiar manuscritos da Bíblia. Continuação até MASSADA. Subida em teleférico para visita a esta impressionante cidade fortaleza edificada pelo rei Herodes, e onde 960 judeus preferiram a morte colectiva à rendição diante dos romanos. Descida até ao MAR MORTO, o local mais profundo da terra! Tempo para banhos nesta água onde ninguém afunda! Subida até à capital eterna de Israel, JERUSALÉM! Jantar e alojamento no Hotel ****

28 JULHO – JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Visita aos locais mais importantes da Cidade do Senhor: MONTE SCOPUS, de onde se avistará toda a cidade santa. Descida ao MONTE DAS OLIVEIRAS, e entrada no HORTO DO GETSEMANE, para meditação e oração. Continuação até ao MONTE SIÃO, com visitas ao túmulo do rei David e subida ao Cenáculo, local da última Ceia. Almoço e continuação para visita à cidade de BELÉM. Travessia do controle fronteiriço, e visita à Igreja da Natividade e ao campo dos pastores. Tempo para compras e regresso a JERUSALÉM. Jantar e alojamento no Hotel.

29 JULHO – JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Visita ao MURO DAS LAMENTAÇÕES e subida à esplanada do templo, actualmente ocupada pelas mesquitas de Omar e El Aqsa. (entradas não incluídas). Descida ao Museu Ophel, com representação visual do que era a vida no templo de Jerusalém nos dias de Jesus. Visita às ruínas do parque arqueológico, incluindo os degraus que ascendiam ao templo. Visita à cidade de David e ao tanque de Siloé. Almoço. Saída até ao Jardim do Túmulo, para visita ao túmulo vazio de Jesus e celebração da Ceia do Senhor. Tempo livre para compras na cidade velha. Jantar e alojamento no Hotel.

30 JULHO – JERUSALÉM
Pequeno-almoço no Hotel. Passagem pelo túnel que acompanha as muralhas originais que sustentavam o templo de Herodes. Saída pela Via Dolorosa, que percorreremos até ao Local da flagelação (Lithostrotos), onde desceremos ao piso dos dias do Senhor, com marcas gravadas que indicam o local onde o Senhor Jesus terá sido flagelado e julgado. Almoço. Visita ao Museu do Livro, onde se encontram antigos manuscritos da Bíblia. Visita à maquete de Jerusalém como era há 2 mil anos. Visita ao Museu e Memorial do Holocausto. Jantar e alojamento no Hotel.

31 JULHO – JUDEIA > AEROPORTO > LISBOA
Pequeno-almoço no Hotel. Visita a uma comunidade de judeus messiânicos (crentes), com visita ao pequeno parque bíblico e almoço. Partida para o aeroporto de Ben Gurion. Embarque no voo directo para LISBOA. Refeição a bordo. Chegada, desembarque.

PREÇO ESPECIAL POR PESSOA EM QUARTO DUPLO: 1.470,00 EUROS *
SUPLEMENTO PARA QUARTO INDIVIDUAL: 260,00 €


FORMAS DE PAGAMENTO:
Opção 1: 10 mensalidades de 147,00 Euros cada, desde Outubro de 2008 a Julho de 2009;
Opção 2: entrada de 490,00 + 1 prestação de 490,00 até 30/4/09 + 1 prestação de 490,00 até 30/06/2009.

Peça informações mais detalhadas e inscreva-se em
APARTADO 4344 – 4006-001 PORTO / TEL. 933-458-310 /
viagens.shalom@clix.pt
ou em
BEIT ISRAEL /
beit.israel.pt@gmail.com

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Viagens na minha Terra

Viagens na minha Terra

O título endossa-nos para ela, mas não tem nada a ver com a conhecida obra de Garrett. Porque a terra de que aqui se fala não é a dele, mas a minha. Não é Portugal, mas trata-se da Terra de Israel – Eretz Israel. Que eu considero minha. Por chamada de Deus e por livre escolha.

Estar em Israel – mesmo que seja por poucos dias – é a oportunidade única que o crente tem de enquadrar os lugares por onde passa num contexto bíblico real. Sem diluições teológicas e culturais – leia-se ocidentais. É a oportunidade de compreender as personagens bíblicas na perspectiva correcta. De entender melhor as suas vidas. De perceber pormenores que sempre lhe escaparam e que naquele lugar se tornam claros como água..., postos em evidência pela evidência diante dos seus olhos. Ali, é-nos facultada uma orientação muito mais fiel que nos permite ler nas entrelinhas, perceber a razão de ser das coisas ou o silêncio dos Textos acerca delas. No entanto, se isso se consegue perfeitamente em alguns lugares, noutros é mais difícil. Porque Israel não parou no tempo à espera da nossa visita e também porque já não é, em muitos aspectos, o Israel da Bíblia. Por isso, estou absolutamente convencido (e essa tem sido a minha prática) que para entendermos a Terra de Israel, para além de ver, há que ler, e há que orar. Ou seja, para que a nossa visita seja proveitosa (espiritualmente falando), é preciso que não só os nossos olhos vejam, mas também que Deus e a Sua revelação escrita sejam presentes em nós e em sintonia perfeita. Nesta matéria, já vi muitos irmãos decepcionados em Israel, simplesmente porque quiseram ser turistas crentes, ao invés de serem crentes turistas.

Neste espaço – Viagens na minha terra – é minha intenção dar a conhecer alguns cantinhos de Israel onde eu já tive o privilégio de estar pessoalmente. Vou socorrer-me da memória, e também de informações que trouxe acerca deles. Uns serão mais apetecíveis que outros, com maior ou menor expressão, mais ou menos visitados, mas tentarei vê-los a todos através de um denominador comum: a sua ligação às Escrituras e o entendimento que a ela trazem. Tentarei sempre escapar ao carácter turístico dos lugares e enfatizar o seu enquadramento escriturístico. As fotos serão minhas. Da minha terra, ... em viagens.

Eduardo Fidalgo

Sifrá e Puá - Parteiras Pró-Vida

Sifrá e Puá - Parteiras Pró-Vida

E o rei do Egipto falou às parteiras das hebréias (das quais o nome de uma era Sifrá, e o nome da outra, Puá) e disse: Quando ajudardes no parto as hebréias e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas, se for filha, então, viva. As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egipto lhes dissera; antes, conservavam os meninos com vida. Então, o rei do Egipto chamou as parteiras e disse-lhes: Por que fizestes isto, que guardastes os meninos com vida? E as parteiras disseram a Faraó: É que as mulheres hebréias não são como as egípcias; porque são vivas {ou espertas} e já têm dado à luz os filhos antes que a parteira venha a elas. Portanto, Deus fez bem às parteiras. E o povo se aumentou e se fortaleceu muito. E aconteceu que, como as parteiras temeram a Deus, estabeleceu-lhes casas. Então, ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida. - Êxodo 1:15-22

A Bíblia não nos informa acerca do nome deste Faraó, nem do posterior Faraó do Êxodo, fazendo que por essa razão muitos se refiram a estes episódios como uma mera ficção, e outros tentem a datação dos eventos ou a identificação daquelas personagens. No entanto, não há, até hoje, consenso nessa matéria. Em contraste, no entanto, a Bíblia fornece-nos o nome destas duas simples parteiras, que evitaram uma extinção prematura do povo judeu. Elas estiveram no meio das teias que teceram aquilo a que chamarei de: "A Solução Final – I Acto".

Faraó ordenou-lhes, "quando ajudardes no parto as hebréias e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas, se for filha, então, viva". – Êxodo 1:16. A ordem era tão clara e tão específica quanto definitiva. Não dava qualquer margem de manobra, nem admitia escusas. E o que podiam fazer duas pobres mulheres, a não ser obedecer? Por várias razões, estavam, na verdade, numa posição muito frágil, não só face à estrutura social do Egipto como também face à sua própria condição. Senão, vejamos:

Em primeiro lugar, eram mulheres. Isso remetia-as para um deficit de direitos e uma montanha de obrigações, tanto na família como na sociedade. Por estes lados do mundo, o dia a dia das mulheres foi sempre um quotidiano esforçado e penoso. Havia tarefas atribuídas exclusivamente a elas, que não eram tarefas leves. A provisão de água para casa era uma dessas tarefas. Naqueles tempos, o lugar da fonte ou do poço não eram escolhidos para comodidade dos locais, mas estava onde a água estava: muitas vezes, longe da porta. Havia que a tirar da nascente, puxando-a à força de braços, e transportá-la elas mesmas, quando não havia o recurso a animais para lhes minorar o esforço da tarefa. Do ponto de vista social, a fragilidade era a sua condição. À mulher cabia obedecer sem contestar.

A Bíblia não nos informa se viviam exclusivamente da sua profissão, ou se a exerciam acumulando outras actividades. Sabemos, isso sim, que estavam numa terra que não era a sua, e onde eram simplesmente representantes de um povo escravo e escravizado. E esse é um outro aspecto da posição precária em que se encontravam. Escravidão! Escravas – eis o que elas eram realmente! Não eram, de forma alguma, iguais entre iguais. Era impensável, por exemplo, que uma família egípcia lhes tributasse qualquer reconhecimento por ter ajudado um filho seu a vir ao mundo. Não eram respeitadas. No passado, o seu povo tinha entrado naquela terra como um ilustre convidado, a família do governador José, no meio a festas e honrarias ao mais alto nível, mas agora labutavam entre o barro e a lama que davam corpo às cidades do homem mais poderoso da terra. Porque o Egipto, à época, era isso mesmo: uma Super-Potência. Na verdade, Sifrá e Puá foram colocadas numa posição para a qual não não tinham muitas opções de saída. Parecia, aliás, que a única possível era humilhar-se perante aquela personagem sinistra que se tinha interposto no seu caminho, com intentos que elas não podiam perceber nas motivações, mas entendiam muito bem nas consequências. Escravas, filhas de escravos, mães de escravos no futuro. E, no horizonte, nenhuma perspectiva de liberdade. Parecia que Israel estava destinado a servir para sempre, talvez mesmo até à sua extinção, dadas as condições sub-humanas em que se encontravam. As privações e os chicotes de Faraó poderiam muito bem executar de forma mais rápida, aquilo que ele estava tentando operar de um modo estratégico.

Em terceiro lugar, uma outra razão pela qual a sua pequenez e incapacidade se tornava ainda mais gritante: elas pertenciam ao povo hebreu. Por causa disso era como se carregassem um estigma que as tornava inferiores aos olhos dos outros. Sem se entender muito bem porquê, sentia-se no ar um ódio lactente, um incómodo tão profundo que tinha o seu quê de irracional e diabólico, perante este povo que, não querendo constituir uma ameaça, dava mostras de estar conformado com o seu destino, definitivamente abatido, de tão vergado que estava.

Sifrá e Puá. Mulheres, escravas e hebréias. Esforçadas, oprimidas e odiadas. Tinham nas suas mãos o poder de vida e de morte. Que seria a sua, se desobedecessem às ordens do rei, ou a do seu povo, se obedecessem aos seus desejos. Entretanto, este estava prestes a aprender que a estratégia de astúcia que tinha empregue contra os israelitas (Êxodo 1:10) é uma via de dois sentidos. Não sabia ele que a visão das duas mulheres era bem mais ampla do que ele alguma vez tinha percebido. Para elas, nem o seu mundo se esgotava no reino do Egipto, nem a sua vida numa escolha de medo e resignação. E, juntas, como se fossem uma só pessoa, mostram até hoje ao mundo o que significa integridade para com os valores em que se acredita.

Às vezes gosto de sonhar, e dar continuidade às histórias da Bíblia para além daquilo que ela mesma nos oferece. Gosto de sonhar particularmente com estas duas mulheres, e pelo que há de extraordinário nas suas vidas. A sua profissão consistia em dar vida, e não em roubá-la. Habituadas que estavam a lidar diariamente com esse milagre, foi-lhes impossível agir contra ele. E Deus, em toda a Sua graça, pagou com a mesma moeda – retribuiu o seu gesto com a dádiva de vida. Vida gerou vida. E é tocante ler no texto sagrado que Deus lhes constituiu família. (Êxodo 1:21).

E uma vez que o povo de Israel ainda continua sobre a terra, passados que foram mais alguns actos da "Solução Final", quero sonhar que até ao dia de hoje, Deus conservou descendentes destas duas parteiras, como forma de honrar e perpetuar a opção que elas tomaram, em meio a uma situação de muito aperto. No meio de todas as dificuldades por que o povo de Israel tem passado e sobrevivido, gosto de pensar que há sempre alguns que são filhos das duas mulheres do Êxodo, que Deus não deixou perecer, chamando-as pelos seus próprios nomes, desejando claramente que elas sobrevivessem à sua acção. Não é possível provar o meu sonho, mas também não importa, porque é simplesmente isso: um sonho – o sonho de que enquanto houver judeus na terra, haverá sempre descendentes de Sifrá e Puá.

Yosef ben Ephraim